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        <title><![CDATA[Expresso das Ilhas]]></title>
        <description><![CDATA[Notícias de Cabo Verde]]></description>
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        <pubDate>Wed, 12 Aug 2026 14:37:32 GMT</pubDate>
        <copyright><![CDATA[Expresso das Ilhas on-line. Todos os direitos reservados.]]></copyright>
        <language><![CDATA[pt-pt]]></language>
        <item>
            <title><![CDATA[PR promulga Orçamento Retificativo do Estado para 2026]]></title>
            <description><![CDATA[<p>De referir que no passado dia 29 de Julho, o Governo
apresentou um Orçamento Rectificativo de 103 mil e 888 milhões de escudos.</p><p>Na Educação, o executivo prevê um reforço de 139 milhões de
escudos, destinado a garantir o acesso universal desde o pré-escolar até ao
ensino superior e avançar com a gratuitidade do primeiro ciclo nas
universidades públicas.</p><p>Na área da Saúde, o Governo anunciou a criação do programa
“Saúde para Todos”, com uma dotação de 100 milhões de escudos, além de um
reforço de 300 milhões de escudos para medicamentos.</p><p>O Orçamento Rectificativo mantém também uma dotação de 450
milhões de escudos para subsidiar as ligações aéreas com os Estados Unidos da
América e o Brasil, numa medida justificada pelo Governo como estratégica para
a ligação com a diáspora e para a integração económica.</p><p>O documento mantém ainda o pacote de apoio financeiro para
compensar o aumento dos custos dos combustíveis, com uma verba global de 1,7
mil milhões de escudos destinada às empresas privadas não financeiras,
incluindo empresas petrolíferas, e às empresas públicas não financeiras.</p>]]></description>
            <link>https://expressodasilhas.cv/economia/2026/08/12/pr-promulga-orcamento-retificativo-do-estado-para-2026/104081</link>
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            <category><![CDATA[Economia]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Sheilla Ribeiro]]></dc:creator>
            <pubDate>Wed, 12 Aug 2026 14:37:32 GMT</pubDate>
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        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[Quantidade de dinheiro disponível na economia aumenta 12,5% em Junho]]></title>
            <description><![CDATA[<p>O indicador, correspondente ao agregado monetário M2 e que
inclui essencialmente moeda em circulação, depósitos à ordem, depósitos a prazo
e depósitos de poupança, registou um crescimento superior aos 7,2% observados
no mesmo período de 2025.</p><p>Segundo o BCV, esta evolução foi impulsionada principalmente
pelo aumento das disponibilidades líquidas sobre o exterior, que cresceram
27,3%.</p><p>O aumento das disponibilidades líquidas sobre o exterior
resultou sobretudo da evolução dos ativos externos líquidos do Banco de Cabo
Verde, que aumentaram 33,9% em termos homólogos. Este crescimento mais do que
compensou a redução de 12,3% registada nos ativos externos líquidos dos bancos
comerciais.</p><p>Do outro lado, o crédito interno líquido registou um
acréscimo de 0,6%, resultado sobretudo da expansão do crédito à economia, que
compensou a contração do crédito líquido ao Setor Público Administrativo (SPA).</p><p>Conforme o documento, a 
evolução da quantidade de dinheiro disponível na economia refletiu-se
principalmente no aumento do agregado M1 e da quase-moeda. </p><p>O M1, que inclui a moeda em circulação e os depósitos à
ordem, cresceu 18,0% em termos homólogos, enquanto a quase-moeda, que integra
os depósitos a prazo e de poupança, além dos depósitos de caução, cheques e
ordens a pagar, aumentou 7,1%.</p><p>O crescimento do M1 foi determinado pelo aumento da moeda em
circulação e dos depósitos à ordem. A circulação monetária aumentou 23,6%,
enquanto os depósitos à ordem cresceram 17,4%.</p><p>Na quase-moeda, a evolução foi sustentada sobretudo pelo
aumento dos depósitos de emigrantes, dos depósitos a prazo em moeda nacional,
dos depósitos de poupança e dos depósitos em divisas de residentes. </p><p>Os depósitos de emigrantes cresceram 2,4%, os depósitos a
prazo em moeda nacional aumentaram 7,2%, os depósitos de poupança 18,7% e os
depósitos em divisas de residentes 30,3%.</p><p><strong>Reservas internacionais atingem 1.175,4 milhões de euros</strong></p><p>As reservas internacionais líquidas do país situaram-se em
1.175,4 milhões de euros em 30 de Junho de 2026, mais 297,8 milhões de euros do
que no mesmo mês do ano anterior.</p><p>Segundo o BCV, esta evolução resultou das entradas
provenientes da compensação de operações cambiais a favor do Tesouro/Projetos,
que superaram as saídas associadas às operações realizadas com as instituições
de crédito nacionais, aos pagamentos da dívida externa e a outras
responsabilidades do Tesouro.</p><p>Relativamente ao crédito interno líquido, o BCV aponta que
cresceu 0,6% em termos homólogos, impulsionado pelo aumento de 6,1% do crédito
à economia, que compensou a redução de 30,3% do crédito líquido ao SPA.</p><p>O crédito concedido ao setor privado aumentou 6,4%, enquanto
o crédito às empresas públicas não financeiras diminuiu 4,1%.</p><p>O BCV refere que a evolução do crédito à economia poderá
estar associada à melhoria dos indicadores de confiança dos consumidores, às
perspetivas favoráveis do mercado imobiliário e ao fortalecimento das condições
de financiamento, particularmente no segmento de crédito garantido por ativos
imobiliários. </p><p>Estes fatores terão contribuído para o aumento da procura de
financiamento bancário por parte dos agentes económicos.</p><p>Já a redução do crédito líquido ao SPA resultou
essencialmente do aumento de 19,0% dos depósitos deste setor junto do sistema
bancário e da redução de 4,4% do crédito ao Governo Central. </p><p>Esta última evolução esteve associada, sobretudo, à
contração de 86,7% das emissões de Bilhetes do Tesouro, traduzindo uma menor
utilização deste instrumento de financiamento interno.</p><p>Conforme a mesma fonte, em Junho, a média das taxas de juro
aplicadas às operações de crédito bancário, incluindo descobertos, diminuiu
0,75 pontos percentuais em termos homólogos, fixando-se em 8,43%. Excluindo os
descobertos, a redução foi de 0,27 pontos percentuais, para 8,09%.</p><p>Nas operações passivas, correspondentes aos depósitos, a
média das taxas de juro aumentou 0,07 pontos percentuais em termos homólogos,
fixando-se em 1,64%. Em termos mensais, registou-se uma diminuição de 0,56%.</p><p>Relativamente aos depósitos de emigrantes, as taxas de juro
apresentaram uma evolução mista, com um aumento homólogo de 0,42% e uma
diminuição mensal de 0,04%, fixando-se em 1,64%.</p><p>A base monetária registou um crescimento homólogo de 27,7%
em Junho de 2026, ligeiramente acima dos 27,3% observados no mesmo período do
ano anterior.</p><p>Esta evolução foi determinada principalmente pelo aumento
dos depósitos das instituições de crédito junto do Banco de Cabo Verde e pela
expansão da emissão monetária, que cresceram 30,4% e 15,8%, respetivamente.</p><p>Do lado das fontes de criação monetária, os ativos externos
líquidos do Banco de Cabo Verde atingiram 130.426 milhões de escudos em 30 de Junho
de 2026, contra 97.372 milhões de escudos registados em igual período de 2025.</p>]]></description>
            <link>https://expressodasilhas.cv/economia/2026/08/12/quantidade-de-dinheiro-disponivel-na-economia-aumenta-125-em-junho/104055</link>
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            <category><![CDATA[Economia]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Sheilla Ribeiro]]></dc:creator>
            <pubDate>Wed, 12 Aug 2026 11:27:12 GMT</pubDate>
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        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[​Conjuntura económica favorável no 2º trimestre de 2026 – INE  ]]></title>
            <description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">De acordo
com o INE, o diagnóstico resulta das apreciações dos empresários de vários sectores
de actividade, nomeadamente comércio em estabelecimento, turismo, construção,
comércio em feira, indústria transformadora e transportes e serviços auxiliares
aos transportes.</p><p>Apesar
de permanecer em terreno favorável, o indicador de clima económico continuou a
trajetória descendente em relação ao trimestre anterior. Segundo o INE, esta
evolução traduz uma diminuição do ritmo de crescimento económico face ao 1º
trimestre de 2026.</p><p>No comércio em estabelecimentos, o
indicador de confiança manteve a tendência descendente dos últimos trimestres,
embora continue acima da média da série. A conjuntura no sector permanece
favorável. Entre os principais constrangimentos apontados pelos empresários
estão a dificuldade em encontrar pessoal com formação, as ruturas de stocks e
outros factores que condicionam o desenvolvimento normal da actividade das
empresas. O absentismo do pessoal ao serviço foi também referido.</p><p>No turismo, o indicador de confiança
situou-se acima da média da série, mas registou um valor inferior ao observado
no mesmo período de 2025. Apesar desta evolução, o INE considera que a
conjuntura no sector continua favorável.</p><p>A
insuficiência da procura e a dificuldade em encontrar pessoal com formação
foram apontadas pelos empresários como os principais obstáculos ao
desenvolvimento normal da actividade no 2º trimestre. As dificuldades
financeiras também foram referidas como um fator de constrangimento.</p><p>Na construção, o indicador de confiança
prosseguiu a tendência descendente registada no trimestre anterior,
mantendo-se, contudo, acima da média da série. A conjuntura no sector é
considerada favorável.</p><p>Os
empresários apontaram o absentismo ao trabalho, outros factores e a
deterioração das perspectivas de venda entre os principais constrangimentos
enfrentados no 2º trimestre. Foram ainda referidos o nível elevado das taxas de
juro e as dificuldades na obtenção de crédito.</p><p>No comércio em feira, o indicador de
confiança manteve uma evolução negativa e apresentou igualmente um desempenho
inferior ao registado no mesmo período de 2025. Apesar disso, o indicador
permanece acima da média da série, pelo que a conjuntura no sector é
considerada favorável.</p><p>A indústria transformadora foi um dos sectores
com evolução mais positiva. O indicador de confiança continuou a tendência
ascendente dos últimos trimestres, mantendo-se acima da média da série. Para o
INE, a conjuntura no sector é favorável.</p><p>Entre
as principais dificuldades apontadas pelos empresários estão as frequentes
avarias mecânicas, o elevado absentismo do pessoal ao serviço e a falta de mão
de obra. O equipamento insuficiente foi também identificado como um dos
constrangimentos à atividade das empresas.</p><p>Já
nos transportes e serviços auxiliares
aos transportes, o indicador de confiança inverteu a tendência
ascendente observada nos últimos trimestres, mas permaneceu acima da média da
série. A conjuntura no sector continua, assim, favorável.</p><p>Os
resultados do Indicador de Clima Económico revelaram ainda que em relação
concorrência, a dificuldade em encontrar pessoal qualificado e as
regulamentações estatais foram apontadas como os principais obstáculos à actividade
das empresas. A insuficiência da procura também teve uma influência negativa
sobre a actividade do sector durante o segundo trimestre.</p>]]></description>
            <link>https://expressodasilhas.cv/economia/2026/08/12/conjuntura-economica-favoravel-no-2-trimestre-de-2026-ine/104054</link>
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            <category><![CDATA[Economia]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Edisângela Tavares]]></dc:creator>
            <pubDate>Wed, 12 Aug 2026 10:44:53 GMT</pubDate>
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        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[Falta de mão de obra continua a condicionar a actividade agrícola em Porto Novo]]></title>
            <description><![CDATA[<p>Na Ribeira dos Bodes, a associação dos agricultores avançou à Inforpress que a escassez de mão de obra está a ser uma preocupação para a classe, que exortou “as autoridades competentes” a empreender políticas que fixem os jovens nas zonas rurais.</p><p>Na Ribeira das Patas, a força de trabalho para a agricultura tem diminuído nos últimos anos com o êxodo dos jovens em direcção a outras ilhas à procura de melhores oportunidades, informou a associação para o desenvolvimento integrado desta localidade.</p><p>Esta associação avançou que a saída dos jovens está a ter reflexos negativos na actividade agrícola, para inquietação dos agricultores.</p><p>Da mesma forma, em Alto Mira, a associação local dos agricultores explicou à Inforpress que a escassez de mão de obra constitui, nesta altura, “o principal desafio” do sector agrícola neste vale.</p><p>Na Ribeira da Cruz, a aliança dos produtores agrícolas avisou que esta zona está a ficar sem trabalhadores para a agricultura com a saída dos jovens para a emigração, estudos e para o serviço militar.</p><p>Esta aliança de produtores agrícolas defendeu medidas para manter os jovens nas zonas rurais, as quais “estão a ficar sem a força de trabalho”.</p><p>Segundo esta organização, que reúne associações de agricultores dos três municípios de Santo Antão, as zonas rurais estão a perder população jovem que, por falta de oportunidades, prefere sair das suas localidades para ilhas como a Boa Vista e o Sal.</p><p>No Tarrafal de Monte Trigo, a necessidade de trabalhadores é igualmente uma preocupação, sentida sobretudo na altura da safra da cana sacarina, informaram os produtores.</p><p>A falta de mão de obra afecta outros sectores da economia, segundo a edil do Porto Novo, Elisa Pinheiro, que se referiu, por exemplo, à construção civil.</p><p>A autarca lamentou que, nesta altura, existam muitos projectos por arrancar devido à carência de trabalhadores.</p><p>O turismo é outra actividade afectada, segundo os operadores.</p>]]></description>
            <link>https://expressodasilhas.cv/economia/2026/08/09/falta-de-mao-de-obra-continua-a-condicionar-a-actividade-agricola-em-porto-novo/104019</link>
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            <category><![CDATA[Economia]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Expresso das Ilhas]]></dc:creator>
            <pubDate>Sun, 09 Aug 2026 11:06:36 GMT</pubDate>
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        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[O ano em que as receitas superaram as despesas]]></title>
            <description><![CDATA[<p>A
execução do Orçamento Geral do Estado (OGE) de 2025 teve um quadro orçamental
favorável. As contas públicas registaram um excedente de 1,1% do PIB (tinha
sido -1,1%do PIB em 2024), devido essencialmente, ao aumento das receitas
públicas. Segundo o relatório do BCV, o superavit global – receitas maiores que
as despesas – e a redução das despesas com os juros da dívida refletiram-se no
aumento do saldo global primário, que se fixou em 3,2% do PIB (1,3% do PIB no
ano anterior). O saldo global primário foi, positivamente, influenciado pelo
ciclo económico e pelas medidas temporárias adotadas pelo governo, em 0,1
pontos percentuais do PIB potencial, respetivamente. O saldo primário
estrutural, ou seja, o saldo global primário excluindo o impacto do ciclo
económico e das medidas temporárias situou-se em 3% do PIB potencial.</p><p>As
contas externas também evoluíram favoravelmente. A balança corrente registou um
superavit de 11.035,7 milhões de escudos (3,7% do PIB) devido ao aumento das
receitas provenientes das exportações de serviços de turismo, das remessas dos
emigrantes, assim como das outras transferências privadas. A balança financeira
teve um desempenho positivo, com as entradas líquidas de financiamento para a
economia a aumentarem significativamente, fixando-se em 27.998,6 milhões de
escudos, devido, em grande parte, à redução dos activos externos líquidos dos
bancos comerciais e ao aumento do investimento directo estrangeiro (IDE). O
país registou um ganho em activos de reserva de 333,1 milhões de euros, o que
se traduz no aumento do stock das reservas externas líquidas, para 1.064,5
milhões de euros, garantindo 8,8 meses de importações (6,5 meses de importações
em 2024).</p><p>A
dívida pública perdeu peso em 2025, mas encontra-se ainda em níveis elevados,
“embora sustentável”, diz o banco central, reflectindo o crescimento económico
e um saldo primário positivo. A dívida pública, incluindo os passivos
contingentes, ou seja, a dívida das empresas públicas e das autarquias locais,
situou-se nos 115,7% do PIB (127,8% do PIB em 2024).</p><p style="text-align: center;"><strong>Economia
com ritmo mais lento</strong></p><p>De
acordo com as estimativas do Instituto Nacional de Estatísticas (INE), citadas
pelo BCV, o Produto Interno Bruto (PIB) em volume abrandou, crescendo 6,3% em
2025, (7% em 2024). As razões para esta evolução? O abrandamento do rendimento
real das famílias associado ao menor ritmo de crescimento das prestações
sociais e das outras transferências correntes líquidas face ao ano anterior e
ao aumento da inflação, bem como a moderação da procura externa turística no
país. Do lado da oferta, o menor desempenho da actividade económica nacional
deveu-se à contracção da actividade do sector de “Comércio e reparação” e às
desacelerações registadas na actividade dos sectores de “Alojamento e
restauração”, “Agricultura, pecuária e silvicultura” e “Indústria
transformadora”. Do lado da procura, o menor contributo das exportações
líquidas foi determinante, tendo a procura interna mantido o seu dinamismo.</p><p>As
receitas públicas aumentaram 28,7% (89.457,5 milhões de escudos em finais de
2025), representando 29,9% do PIB, devido ao aumento das receitas fiscais e das
outras receitas. As receitas fiscais – que detêm o maior peso no total das
receitas (cerca de 74%), cresceram 17%, situando-se nos 66.136 milhões de
escudos (22,1% do PIB), o que indica o crescimento moderado da actividade económica
nacional, a introdução da taxa específica sobre o álcool, o agravamento da taxa
sobre o tabaco, a cobrança de dívidas negociadas em prestações e o aumento do
número de contribuintes. Esta evolução resultou dos aumentos registados na
arrecadação dos principais impostos, nomeadamente, dos impostos sobre o
rendimento de pessoas singulares e coletivas (22%), sobre o valor acrescentado (16,3%),
sobre o consumo, incluindo a taxa de tabaco e a taxa específica sobre o álcool (27,6%)
e sobre as transações internacionais (9,9%).</p><p>Por
outro lado, as despesas públicas cresceram 19%, para os 86.277,3 milhões de
escudos (28,8% do PIB) em finais de 2025, traduzindo a evolução das despesas
correntes e das despesas com activos não financeiros. As despesas correntes,
com maior peso no total das despesas (84,8%), fixaram-se nos 73.175 milhões de
escudos, em finais de 2025, registando um crescimento de 11,1%. Este desempenho
resultou do aumento dos gastos com: pessoal (12,2%), relacionado com novas
contratações; aquisição de bens e serviços (16,5%), incluindo assistência técnica
de residentes e não residentes no âmbito de diversos projectos; transferências
correntes (30,6%), sobretudo, para os municípios, para fazer face à situação de
calamidade em São Vicente, com medidas de emergência e de recuperação de infra-estruturas,
bem como para projectos associados a medidas emergenciais no sector da água e
saneamento nas ilhas de Santiago, São Vicente e Sal; e subsídios (5,6%), no
âmbito do pagamento da indemnização compensatória através do Fundo Autónomo de
Desenvolvimento de Transportes Marítimos, como resultado da taxa de ocupação de
passageiros nas viagens inter-ilhas.</p><p>Houve
redução dos pagamentos dos juros da dívida (5,0%) e o abrandamento dos gastos
com os benefícios sociais e as outras despesas correntes, que cresceram 2,5% e
8,9%, mas abaixo dos 10,8% e 38,4% do ano anterior. </p><p><img src="https://static.expressodasilhas.cv/media/2026/08/1786120376086.normal.jpeg"></p><p>A
necessidade de financiamento do Estado levou a um menor recurso ao
endividamento. O endividamento interno líquido (junto dos bancos e outros credores
nacionais) foi negativo no montante de 1.515,1 milhões de escudos e o
endividamento externo líquido (junto de credores externos) reduziu para os
956,6 milhões de escudos (1.200,3 milhões em 2024). De acordo com dados do
Ministério das Finanças, o stock da dívida pública diminuiu 1,8%, situando-se
em 302,5 mil milhões de escudos, representando 101,1% do PIB.</p><p>A
carteira da dívida externa do Estado continuou com elevado grau de
concessionalidade, contratada maioritariamente junto a credores externos
multilaterais e bilaterais, representando 58,1% do PIB, e com prazos de vencimentos
de médio e longo prazo. A dívida interna do Governo central, foi constituída maioritariamente
junto dos bancos comerciais, representando 21,8% do PIB, com vencimentos a
curto, médio e longo prazo. </p><p>O
stock total da dívida do sector público administrativo (incluindo a dívida do
governo central e os passivos contingentes) a 31 de Dezembro de 2025, registou
uma redução de 7,3 mil milhões de escudos, fixando-se em 346,2 mil milhões de
escudos, representando 115,7% do PIB (127,8% a 31 de Dezembro de 2024).</p><p style="text-align: center;"><strong>Actividade
Turística em 2025</strong></p><p>O
número de dormidas de turistas internacionais no país abrandou, crescendo 8,4%
em 2025 (9,7% em 2024), por causa da redução da procura turística da Bélgica e
Holanda (em 17,3%) e à desaceleração registada na procura turística do Reino
Unido e da França, que apesar de ter crescido 3,6% e 25,8%, ficou abaixo dos
números de 2024 – de 13,1% e 37%.</p><p>O
principal mercado emissor continuou a ser o Reino Unido, 29,3%, seguido de
Portugal com 12,1%, Alemanha com 10,5% e França com 10,1%.</p><p>Com
esta a evolução da procura turística, as receitas brutas também registaram um
abrandamento, crescendo menos que no ano anterior, em 9%, fixando-se nos
71.937,1 milhões de escudos (representando 24% do PIB). Boa Vista e Sal
continuaram a ser o destino preferido dos turistas estrangeiros e nacionais,
com as maiores taxas de ocupação-cama do país, de respetivamente, 106% e 77%.
As duas ilhas acolheram cerca de 85% do total de entradas de hóspedes
estrangeiros nos hotéis cabo-verdianos.</p><p>Em
resumo, a actividade turística nacional registou, em 2025, um crescimento mais
brando, com a procura internacional, medida pela entrada de hóspedes não residentes
nos estabelecimentos hoteleiros do país, evidenciou um abrandamento, crescendo
6,7% (16,1% em 2024), fixando-se nos 1.192.272 turistas internacionais, 75.322
mil turistas a mais que o ano anterior. Ainda assim, o desempenho do sector
turístico nacional superou o rendimento mundial do sector.</p><p>De
acordo com a World Tourism Organization (WTO), estima-se que a actividade
turística global tenha desacelerado em 2025. A Europa, a maior região turística
do mundo, registou 793 milhões de turistas internacionais em 2025, um aumento
de 4% em relação a 2024. As chegadas à Ásia e ao Pacífico (331 milhões) cresceram
6%, mas ficaram 9% abaixo dos níveis de 2019. As Américas (218 milhões)
registaram um crescimento de 1%, com resultados mistos entre as sub-regiões. O
Médio Oriente registou um crescimento de 3% em 2025. África (81 milhões de
turistas) registou um aumento de 8% nas chegadas em 2025, com resultados
particularmente expressivos no Norte da África.</p><p>Segundo
as previsões da WTO, espera-se que o turismo internacional cresça entre 3% e 4%
este ano, assumindo que a Ásia e o Pacífico continuem a recuperar, que as
condições económicas globais se mantenham favoráveis e que os conflitos
geopolíticos não se intensifiquem. O turismo internacional em 2026 será
impulsionado pela forte procura, pela melhoria da conectividade aérea e pelo
crescimento das viagens internacionais de mercados emergentes. </p><p>No
entanto, a incerteza resultante das actuais tensões comerciais e conflitos
geopolíticos, factores económicos, altos custos de viagem e eventos climáticos
extremos são os principais desafios que o turismo internacional poderá
enfrentar em 2026. </p><p><strong><u>_____________________________________________</u></strong></p><p style="text-align: center;"><strong>Implicações
do conflito no Médio Oriente em Cabo Verde</strong></p><p>Os
dados são do Country Focus Report sobre o arquipélago, publicado pelo Banco
Africano de Desenvolvimento. Segundo o relatório, Cabo Verde está altamente
exposto ao conflito no Médio Oriente por ser importador de petróleo. A geração
de energia é composta por uma matriz composta por 70% de combustíveis fósseis e
30% de energias renováveis, sendo que o preço do petróleo afecta diretamente o
custo da energia no país. </p><p>Desde
o início do conflito, 28 de Fevereiro de 2026, o preço do crude subiu 71,2%,
passando de 60,24 dólares a 2 de Janeiro de 2026 para 103,14 dólares a 13 de
Março de 2026. Antes do início do conflito, o preço do crude era de 76,16
dólares a 2 de março de 2026. </p><p>Cabo
Verde importa 100% do seu combustível e 27,8% dos seus alimentos, sendo que
apenas 11% do combustível total é importado do Médio Oriente, principalmente da
Arábia Saudita (4%), Kuwait (3,2%) e Emirados Árabes Unidos (EAU) (3,8%),
enquanto as importações de alimentos provêm principalmente da Europa. As
importações de combustível tem origem principalmente de Itália, Togo, Países
Baixos, Portugal e Arábia Saudita, enquanto as importações de alimentos provêm
principalmente de Portugal, Espanha, Itália, França e Brasil. </p><p>O
sector turístico está altamente exposto à crise dos combustíveis, enquanto as
importações de alimentos enfrentam apenas uma exposição moderada. A dívida do
país também poderá aumentar se houver necessidade de aumentar os empréstimos
para aliviar a crise no Médio Oriente.&nbsp;</p><p><em><strong>Texto originalmente publicado na edição impressa do
Expresso das Ilhas nº 1288 de 05 de Agosto de 2026.</strong></em></p>]]></description>
            <link>https://expressodasilhas.cv/economia/2026/08/09/o-ano-em-que-as-receitas-superaram-as-despesas/103999</link>
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            <category><![CDATA[Economia]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Jorge Montezinho]]></dc:creator>
            <pubDate>Sun, 09 Aug 2026 10:37:37 GMT</pubDate>
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        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[“Não podemos continuar a construir o país na base da monocultura do turismo” - Jorge Spencer Lima]]></title>
            <description><![CDATA[<p><strong style="background-color: initial;">Que principais entraves continuam a limitar o ambiente de negócios em
Cabo Verde e que propostas concretas as Câmaras de Comércio pretendem
apresentar para os ultrapassar? E de que forma é que esta descentralização
administrativa vai tornar Cabo Verde num país mais atractivo, especialmente
para o investimento privado?</strong></p><p>Estamos a ver o seguinte: na questão do
investimento privado, temos uma agência, a Cabo Verde TradeInvest, que procura
promover os investimentos. Os investimentos externos funcionam relativamente
bem. São os investimentos nacionais que encontram todo o tipo de burocracia e
de dificuldade. Começam logo pelas dívidas, pelas garantias exigidas pelos
bancos. Há quem diga: para fazer um negócio, pedem-lhe um posto de garantia.
Por isso, tudo isso tem de ser revisto, sobretudo o sistema de apoio às
empresas, aos financiamentos e aos empresários. Criou-se uma série de programas
de apoio, mas não vemos resultados práticos. O que queremos é que o sistema,
sobretudo o sistema financeiro, funcione de imediato. As pessoas não podem
continuar a pagar esse excesso de garantias. São garantias e mais garantias que
desincentivam os investidores. É preciso um sistema em que o empresário
nacional não se sinta prejudicado. Não queremos nada de graça, não queremos
favores. Queremos um sistema justo e equitativo. É nessa base que o empresário
nacional luta para se afirmar. Nós não vamos a lado nenhum, eu não vou fugir
daqui. Os empresários cabo-verdianos também não vão a lado nenhum. E, quando as
coisas ficam difíceis, é aqui que ficamos a lutar para melhorar e para avançar.
Isso é o que o sistema tem de entender. A base produtiva deste país tem de
assentar no empresário cabo-verdiano, no empresário nacional. Tem de ser essa a
base produtiva. É evidente que ninguém quer mal aos investidores estrangeiros. Pelo
contrário: que também melhorem. Temos de andar juntos, não pode haver filhos e
afilhados. Somos todos filhos deste país, sobretudo os que aqui estamos.</p><p><strong>A economia azul é outro dos pontos frequentemente apontados como um dos
grandes motores de crescimento de Cabo Verde. Nesta área, quais são as
oportunidades que continuam por explorar?</strong></p><p>Sou um pouco céptico quanto à economia azul
como grande motor de desenvolvimento de Cabo Verde. Normalmente, quando se fala
em economia azul, a primeira coisa que vem à cabeça das pessoas é a pesca. Ora,
a pesca nunca vai ser um motor de desenvolvimento deste país. Nunca será,
porque não temos capacidade para isso. Não é por o mar ser imenso que os
recursos são inesgotáveis. Temos 200 milhas de zona económica exclusiva, mais o
mar interno, mas isso não significa que tenhamos peixe em abundância. Não
temos. Há algum peixe, mas a nossa plataforma continental é muito reduzida. Um
estudo feito há alguns anos por especialistas islandeses concluiu que a
capacidade de captura de Cabo Verde era de 15 mil toneladas por ano. Na altura,
andávamos entre 8 e 10 mil toneladas por ano. Mas, se compararmos com os países
vizinhos... Enquanto nós não chegamos a um potencial de captura de 50 mil
toneladas, o Senegal, aqui à nossa frente, já pesca cerca de 940 mil toneladas.
A Mauritânia pesca quase 140 mil toneladas. Não há comparação possível. São
dados que mostram que não vamos sustentar um sector pesqueiro de grande escala.
O atum, que poderíamos apontar, é um peixe migratório, não está aqui à nossa
disposição sempre que precisamos dele. Sou defensor da pesca. Mas, quando
acabámos com o que tínhamos antes de desenvolver a pesca industrial, ficámos
sem nada. É preciso apoiar a pesca, reforçar os nossos armadores. A pesca
artesanal tem de ser tratada como prioridade: tem um papel fundamental no
circuito alimentar do país e sustenta várias famílias. Isso tem de ser
reconhecido, mas não pode ser visto como base de uma estratégia de
desenvolvimento. Queiramos ou não, a base do desenvolvimento de Cabo Verde
neste momento é o sector do turismo, que representa 25% do PIB. Mas não podemos continuar a
construir o país na base da monocultura do turismo. Não é possível,
corremos o sério risco de, um dia, algo acontecer. Vimos isso com a pandemia: o
país parou, a economia parou, porque o turismo parou. Temos de ser capazes de
encontrar alternativas.</p><p><strong>E nessa diversificação da economia que papel podem as câmaras de
comércio, o Conselho Superior, ter na atracção de investimento para sectores
ligados ao mar?</strong></p><p>Há muita coisa para fazer, sobretudo ligada ao
turismo. Se repararmos bem, neste momento o turismo em Cabo Verde vai chegar a
1.400.000 turistas por ano, e praticamente 90% desse turismo está concentrado
no Sal e na Boa Vista. E esse turismo do Sal e da Boa Vista é um turismo de sol
e praia. É aí que chegamos à economia azul: há muitos investimentos
incentivados a nível da economia azul e do turismo, incluindo em ilhas onde se
discute a pesca desportiva. Temos um polo de pesca desportiva extremamente
importante em São Vicente e São Nicolau. Apesar de São Vicente ter mais
infraestruturas, os melhores locais estão sobretudo em São Nicolau. Ainda não
temos uma infraestrutura que apoie devidamente a pesca desportiva em São
Nicolau. Há pessoas que fazem pesca desportiva particular perto de Santo Antão,
mas que apanham um barco a partir de São Vicente. Se São Vicente também tivesse infraestrutura
própria, beneficiaria directamente dessa procura. Essa é uma questão
extremamente importante, a pesca desportiva é discutida em todo o mundo, há
várias espécies envolvidas. A economia do mar continua a ser importante,
sobretudo para o turismo. Para mim, a economia do mar está intimamente ligada
ao turismo: incentivar as pessoas para os desportos náuticos. Temos evoluído
muito nesse sentido, temos vela, temos outras modalidades, embora ainda não
seja suficiente. Existe muito potencial por explorar. Mas é preciso apoiar e
incentivar as pessoas. Já foram feitas iniciativas recentes de promoção do mar,
mas muitas acabam por ser praticamente abandonadas por falta de continuidade. Desde
que saí do governo, defendo que deveria ser alocado 5% do fundo do turismo à
Câmara do Turismo, precisamente para apoiar o seu financiamento. Levantei essa
questão várias vezes e nunca ninguém me respondeu. As pessoas não querem
admitir que a Câmara pode ter iniciativas próprias. Quem recebe o dinheiro é o
governo; quem tem de financiar essas iniciativas também deveria ser o governo.
Mas, nessa base, é preciso que as responsabilidades fiquem claras: de quem e
onde.</p><p><strong>Então, pelo que diz, o país ainda não está a aproveitar plenamente todo
o potencial que a zona económica exclusiva pode oferecer?</strong></p><p>Claro que não. Não temos meios, não investimos
praticamente nada, apesar de poder ser feito com pouco. Isto refere-se
sobretudo às águas mais próximas. Mas, na zona económica exclusiva, em mar
alto, a situação é diferente. O atum, por exemplo, é um peixe migratório: não
fica, passa. Não temos meios para ir buscá-lo mais longe. No passado, tivemos
alguma actividade de pesca industrial, mas foi tudo desmantelado. O próprio
Estado chegou a ter barcos, através de uma empresa constituída em parceria com
Angola. Essa empresa pescou sobretudo junto a Angola durante muito tempo, e os
barcos acabaram por ficar abandonados no cais. Estão hoje a ser feitos estudos
sobre esse tipo de parceria, o mesmo clima, o mesmo sistema que temos aqui,
mas, neste momento, não temos nada: a nossa frota industrial é zero, a nossa
capacidade de captura é zero. É essa a verdade. Portanto, há muita coisa para
fazer, para investir. É preciso ter isso claro e investir de facto neste sector.</p><p><strong>No turismo, Cabo Verde registou uma forte recuperação, especialmente
desde a Covid para cá. Já se ultrapassou o milhão de turistas, uma meta há
muito perseguida. Como é que se pode garantir que esse crescimento vai
beneficiar mais empresas nacionais e ter maior impacto na economia local?</strong></p><p>Temos
de fazer investimentos que ajudem. Neste momento, os dados mostram um crescimento
anual significativo nas chegadas de turistas. Os dados indicam que, este ano,
vamos chegar a um milhão e meio de turistas. Mas isso, por si só, não ajuda os
produtores nacionais. Os turistas comem como? É tudo importado, basta ver a
nossa balança comercial. As nossas exportações cobrem apenas 4% das
importações. Importamos praticamente tudo, não produzimos quase nada, e aquilo
que produzimos, muitas vezes, não chega a ser consumido pelos turistas por
várias razões. É toda a cadeia de produção, mas também a cadeia de
comercialização que precisa de ser trabalhada. Já se investiu, e bem, em vários
centros: temos centros em Porto Novo, no Maio, mas não funcionam. Foram feitos
investimentos avultados, mas continuam parados. Deveriam apoiar o produtor,
porque o produtor, como referi, trabalha com pequenas parcelas. Não consegue
investir sozinho na comercialização, nem na transformação. E os hotéis só
compram produtos certificados e aí está um problema: toda a cadeia de
certificação da qualidade do produto ainda não está resolvida. Não basta
produzir: é preciso certificar, embalar e só depois vender. Esse processo não
está a funcionar. E, como não funciona, os produtos não chegam aos hotéis, não
chegam aos turistas para serem consumidos. Mas isso implica também outra coisa:
mesmo que se produza, melhore e certifique, como é que esses produtos vão
chegar até aos turistas? É um procedimento complexo, que envolve toda a
indústria, e tem de ser visto em conjunto. Começa na produção, e aí já estamos
a avançar. Já há investimento em estufas, já há investimento na questão da
água. Temos experiências, por exemplo, na Brava, com a dessalinização da água
para a agricultura. Há grandes projectos neste país nesse sentido. Mas tudo
isto é uma cadeia: primeiro resolve-se o problema da água, depois os outros
níveis de produção, depois a transformação do produto de várias formas. E, por
fim, é preciso que o produto chegue ao consumidor. E 90% desses consumidores
turistas estão em ilhas como a Boa Vista, que não produzem quase nada. Portanto,
há todo um sistema que é preciso parar, pensar e organizar, para que o turismo
tenha, de facto, um papel positivo na vida das famílias e das pessoas. Isso é
algo que temos de resolver.</p><p><strong>Falava há pouco na diversificação da economia. Essa diversificação
também passa por diversificar a oferta turística para além do actual modelo de
sol e praia. Que estratégias defendem para que isso aconteça?</strong></p><p>O problema que se põe é o seguinte: quando
falamos em diversificar o turismo para além do sol e praia, temos alternativas,
mas o sol e praia, tal como o conhecemos, está limitado a três ilhas. No Sal,
por exemplo, já se está a atingir o limite. A Boa Vista ainda tem muito
potencial, e o Maio ainda nem começou a explorar o seu. Mas as outras ilhas têm
potencial que vai muito além da praia. Basta ver a capacidade de Santo Antão
para o trekking. Santo Antão é uma ilha maravilhosa, e há procura para esse
tipo de turismo, mas essa procura ainda não está a ser bem canalizada. Depois
há Santiago, que tem um forte potencial cultural, sobretudo a cidade da Praia,
que tem condições para acolher turismo de conferências. Ora, 50 anos depois da
independência, ainda não conseguimos construir um centro de convenções na
cidade da Praia. Já se fizeram vários estudos e projectos nesse sentido, mas
nunca se avança. Nas restantes ilhas é preciso uma política à volta de tudo
isto, porque não pode ser só limar arestas aqui e ali. O turismo de
conferências e de eventos tem grande potencial. Basta ver: toda a África
Ocidental faz compras na Europa, com todos os problemas que isso implica em
termos de vistos e de entradas e saídas. Se conseguíssemos montar, mesmo que
por segmentos, um centro de compra e venda de produtos, teríamos um fluxo de
pessoas a vir cá fazer negócio. Isso dinamizaria os aviões, os transportes, as
estadias, os hotéis, os táxis, criaria todo um dinamismo à volta disso. Mas é
preciso que exista uma política assumida para construir o país nesse sentido. Alguém
tem de olhar para isto. Somos membros da CEDEAO, mas não podemos ser apenas
membros que reclamam sem cumprir as suas obrigações. Não faz sentido não
explorarmos um mercado de 300 milhões de pessoas. O que eu digo é que não
podemos ficar nesta monocultura do turismo. Temos de começar a pensar e a
investir em pequenas indústrias, identificar quais e trabalhar nelas. Temos um
gigante ao nosso lado que nos pode apoiar: o Brasil. Produz de tudo, tem tanto
a matéria-prima como a capacidade de transformação. Podemos aprender e
beneficiar disso, mas é preciso que também haja vontade da nossa parte. Por
exemplo: construiu-se uma zona industrial na Praia, mas depois entregou-se a
sua gestão à Câmara Municipal da Praia, o que não fazia sentido. O resultado é
que, hoje, ali há tudo menos indústrias. É preciso construir verdadeiros polos
industriais na Praia e resolver a situação do polo em São Vicente, que está
parado e não funciona. É essa política, no seu conjunto, que precisamos de
assumir e deixar de falar. Os gabinetes e os ministérios estão cheios de
discursos, de estudos, de papel. Já não precisamos de mais papel neste país.
Precisamos que as coisas aconteçam. É isso que dizemos ao governo: chega de
conversas, chega de contactos, chega de relatórios, chega de estudos. Vamos
passar à prática e fazer. É isso que queremos neste momento.</p><p><strong>A economia digital é outra das áreas que pode ter um papel importante.
Quais são as condições que considera indispensáveis para que Cabo Verde se
possa transformar numa plataforma digital competitiva a nível regional?</strong></p><p>Concordo a 100% que a economia digital pode
ser um desses polos. Mas é preciso envolver os privados. O que temos hoje é
essencialmente um centro governamental de desenvolvimento digital, não privado.
Todo o trabalho que foi feito até agora, reconheço, foi bem feito, mas feito pelo
Estado. Agora, precisamos de transformar isso: envolver os pequenos, os
grandes, todos, mas sobretudo o privado. Incentivar o investimento privado
nesta área. É o privado que vai fazer isso avançar, é o privado que vai
exportar, é o privado que vai procurar novos mercados. Não diria privatizar
completamente, mas, pelo menos, permitir que os privados tenham acesso ao
conhecimento que o Estado já acumulou. Depois, é desenvolver empresas privadas
competitivas, capazes de nos ajudar a avançar na economia digital. É um
potencial enorme que temos, mas precisamos também de uma aposta clara nessa
área, tal como noutras. A história é sempre a mesma: é o privado.</p><p><strong>A nível de cooperação institucional tem-se falado muito da necessidade
de dar mais atenção aos investidores privados nacionais. Como avalia a relação
entre as câmaras de comércio e o governo? Há abertura suficiente para que as
propostas do sector
empresarial sejam transformadas em políticas públicas?</strong></p><p>Esse é que é o problema: o problema da
abertura. Sempre tivemos abertura e sempre tivemos um bom relacionamento com o
governo. Sempre que quisemos falar, as portas estiveram abertas. O problema é o
seguimento dessas conversas. Falamos, falamos, falamos, acordamos questões e
depois não há seguimento. Porquê? Porque o grande bloqueio em Cabo Verde está
no sector intermédio da administração. Enquanto o governo não conseguir
controlar a sua própria administração, das direcções gerais para baixo, isto
não vai funcionar. Porque cada um faz a sua própria política, cada um trata do
seu quintal independentemente das políticas macroeconómicas definidas pelo
governo para o desenvolvimento do país.</p><p><strong>Num contexto económico internacional marcado pela incerteza, que
mensagem deixa aos empresários cabo-verdianos sobre as perspectivas da economia
nacional, e que papel pretendem as câmaras de comércio desempenhar nos próximos
tempos?</strong></p><p>A primeira questão que deixo é que vamos
continuar a insistir junto do governo na transferência de competências, esse é
o nosso ponto fundamental. E vamos insistir, porque, com essas transferências
de competências, as coisas podem começar a acontecer. Mas a minha primeira
mensagem é dizer aos empresários cabo-verdianos que continuem a confiar neste
país, que continuem a investir, que continuem a ganhar dinheiro, sobretudo para
que possamos melhorar o rendimento das pessoas e das famílias. Temos de subir
todos juntos, não pode ser só alguns a subir enquanto exploram os outros por
baixo. Tem de ser uma subida harmoniosa: dos empresários, dos seus acordos, das
empresas, do ambiente de negócio em geral. Toda a gente tem de ganhar. As
famílias têm de ganhar, o rendimento das famílias tem de melhorar. Mas, para
isso, o empresário que pagar melhores salários também tem de ganhar bem. Tem de
haver lucro, é para isso que existem as empresas. A questão é: o que fazer com
esse lucro? Encher apenas o bolso de alguns, ou fazer o lucro regressar à sua
origem, ou seja, aos trabalhadores? É isso que eu defendo. Um bom empresário
não explora os seus trabalhadores, pelo contrário, sobe com eles. Estão juntos,
como uma família. Não é só para uns ganharem dinheiro enquanto outros sofrem.
Isso não é ser empresário. Ser empresário é ter a confiança dos seus
trabalhadores.</p><p><em><strong>Texto originalmente publicado na edição impressa do
Expresso das Ilhas nº 1288 de 05 de Agosto de 2026.</strong></em></p>]]></description>
            <link>https://expressodasilhas.cv/economia/2026/08/08/nao-podemos-continuar-a-construir-o-pais-na-base-da-monocultura-do-turismo-jorge-spencer-lima/104001</link>
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            <category><![CDATA[Economia]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[André Amaral]]></dc:creator>
            <pubDate>Sat, 08 Aug 2026 08:24:07 GMT</pubDate>
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        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[Governo mantém medidas para reduzir impacto do aumento de tarifas no sector eléctrico]]></title>
            <description><![CDATA[<p>Segundo a deliberação publicada no Boletim Oficial na terça-feira, a ARME aplicou as medidas de mitigação tarifária aprovadas pelo Governo para reduzir o impacto do aumento das tarifas de electricidade junto dos consumidores.</p><p>A deliberação estabelece que seja aplicado, durante todo o mês de Agosto, um desconto de 70% sobre o incremento tarifário para as restantes categorias de consumidores da Empresa de Distribuição de Electricidade de Cabo Verde (EDEC) e da Águas e Energia da Boa Vista (AEB).</p><p>Para os beneficiários da tarifa social de eletricidade, a ARME determinou a manutenção, até 31 de Dezembro, das tarifas finais aplicáveis, através de um desconto de 100% sobre o aumento tarifário.</p><p>A entidade reguladora recorda que, em 30 de Junho, actualizou as tarifas reguladas de electricidade aplicáveis pela EDEC e pela AEB por um período de seis meses.</p><p>Com a nova deliberação, a ARME mantém em vigor essas tarifas e determina que as empresas adoptem as medidas necessárias para garantir a aplicação integral dos descontos definidos pelo Governo.</p><p>O Governo tinha anunciado, em Julho, um apoio financeiro às empresas do setor eléctrico, incluindo a EDEC e a AEB, estimado em 130 milhões de escudos relativo a esse mês, com o objectivo de assegurar a estabilidade tarifária.</p><p>As medidas excepcionais em vigor no sector energético foram adoptadas em Março, associadas à conjuntura geopolítica no Médio Oriente, e terminaram em Junho no que respeita à regulação dos preços dos combustíveis, mantendo-se no sector eléctrico.</p><p>Foto:&nbsp;<a href="https://depositphotos.com/photos/electricidade.html?filter=all&qview=153977506" target="_blank">Depositphotos</a></p>]]></description>
            <link>https://expressodasilhas.cv/economia/2026/08/05/arme-mantem-medidas-para-reduzir-impacto-do-aumento-de-tarifas-no-sector-electrico/103969</link>
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            <category><![CDATA[Economia]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Expresso das Ilhas]]></dc:creator>
            <pubDate>Wed, 05 Aug 2026 11:14:00 GMT</pubDate>
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        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[Hiacistas e taxistas contestam aumento dos preços dos combustíveis e pedem revisão das tarifas]]></title>
            <description><![CDATA[<p>Em declarações à Inforpress, o condutor da linha Praia/Tarrafal Sidónio Martins afirmou que a classe enfrenta dificuldades crescentes devido às sucessivas actualizações dos preços dos combustíveis, sem que haja uma correspondente revisão das tarifas cobradas aos passageiros.</p><p>Segundo o motorista, os profissionais do sector suportam diversas despesas relacionadas com a actividade e pretendem conhecer as razões que justificam os aumentos para que possam ser encontradas soluções.</p><p>Sidónio Martins defendeu ainda que a Agência Reguladora Multissectorial da Economia (ARME) deve ter em conta o impacto dos aumentos sobre os transportadores, considerando necessária a actualização das tarifas para compensar os custos acrescidos.</p><p>Também o condutor Nelson Tavares, da linha Praia/Assomada, considerou que a subida dos combustíveis tem impactos económicos significativos para os operadores de transporte, uma vez que os preços das viagens permanecem inalterados.</p><p>O motorista apelou igualmente à revisão das tarifas e à adopção de medidas de alívio fiscal, referindo que os hiacistas pagam cerca de sete mil escudos em impostos trimestrais, valor que, na sua opinião, poderia ser reduzido para minimizar os efeitos do aumento dos custos operacionais.</p><p>Nelson Tavares sublinhou ainda que a manutenção de viaturas, sobretudo dos veículos do tipo hiace, implica despesas elevadas com peças, reparações e outros encargos, dificultando a obtenção de poupanças no final de cada mês.</p><p>Por seu lado, o taxista Janito Moreira, partilhou da mesma opinião dos outros condutores de hiaces de que é preciso rever a actualização dos preços dos transportes para que todos tenham um rendimento positivo no seu trabalho.</p><p>Segundo contou está cada vez mais difícil trabalhar neste ramo porque, segundo explicou, enfrentam desafios a nível de fretes, combustíveis e de clientes que muitas vezes reclamam dos preços.</p><p>A ARME anunciou que os preços máximos dos combustíveis em Cabo Verde registam, a partir de hoje, um aumento médio de 6,86%.</p><p>De acordo com a entidade reguladora, a gasolina passa a custar 168,10 escudos por litro, gasóleo normal sobe para 157,60 escudos por litro, o gasóleo para electricidade passa a custar 143,10 escudos por litro e o gasóleo para a marinha será vendido a 125,00 escudos por litro. </p><p>O petróleo passa a custar 181,10 escudos por litro, o fuelóleo 380 fixa-se em 88,40 escudos por quilograma e o fuelóleo 180 em 95,20 escudos por quilograma.</p><p>A ARME detalha que, individualmente, as cotações médias do butano, da gasolina, do Jet A1, do gasóleo ULSD e do fuelóleo 0,5% aumentaram 1,66%, 8,58%, 14,16%, 19,50% e 2,05%, respectivamente.</p><p>O regulador explicou que, no mês de Julho, a cotação média do petróleo Brent nos mercados internacionais foi de 83,01 dólares americanos por barril, registando um decréscimo de 1,87% face à cotação média de Junho, que se situou nos 84,60 dólares americanos por barril.</p><p>De acordo com a ARME, um dos principais factores para a descida da cotação internacional do petróleo em Julho esteve relacionado com o aumento do optimismo em torno das negociações de paz entre os Estados Unidos da América (EUA) e o Irão.</p>]]></description>
            <link>https://expressodasilhas.cv/economia/2026/08/01/hiacistas-e-taxistas-contestam-aumento-dos-precos-dos-combustiveis-e-pedem-revisao-das-tarifas/103930</link>
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            <category><![CDATA[Economia]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Expresso das Ilhas]]></dc:creator>
            <pubDate>Sat, 01 Aug 2026 14:56:18 GMT</pubDate>
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        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[Gasolina e gasóleo mais caros a partir de hoje ]]></title>
            <description><![CDATA[<p>De acordo com a nova tabela de preços, a gasolina passa a ser vendida a 168,10 escudos por litro, mais 6,10 escudos face ao preço anterior de 162 escudos por litro.</p><p>Também o gasóleo normal passa de 139,90 para 157,60 escudos por litro. O gasóleo para eletricidade sobe de 124,80 para 143,10 escudos por litro e o gasóleo marinha aumenta de 109,40 para 125 escudos por litro.</p><p>O petróleo acompanha a tendência de subida, passando de 172,30 para 181,10 escudos por litro.</p><p>Já o Fuel 380 passa de 86,90 para 88,40 escudos por quilograma, enquanto o Fuel 180 aumenta de 91,70 para 95,20 escudos por quilograma.</p><p>O gás a granel passa de 143,20 para 141,60 escudos por quilograma, enquanto as garrafas de 12,5 quilos passam a custar 1.770 escudos, as de seis quilos 850 escudos, as de três quilos 404 escudos e as de 55 quilos 7.790 escudos.</p><p>Foto:<a href="https://depositphotos.com/pt/photos/combustiveis.html?qview=616994728"> depositphotos</a></p>]]></description>
            <link>https://expressodasilhas.cv/economia/2026/08/01/gasolina-e-gasoleo-mais-caros-a-partir-de-hoje/103924</link>
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            <category><![CDATA[Economia]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Sheilla Ribeiro]]></dc:creator>
            <pubDate>Sat, 01 Aug 2026 09:22:31 GMT</pubDate>
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            <title><![CDATA[FMI diz que não avaliou execução orçamental durante missão a Cabo Verde após declarações do PM ]]></title>
            <description><![CDATA[<p>"Por norma, o FMI não comenta assuntos políticos internos. A equipa que visitou Cabo Verde entre 21 e 24 de Julho estava em visita técnica, não em missão de revisão de programa", disse à Lusa um porta-voz da instituição.</p><p>"Embora tenha discutido com as autoridades os principais pontos do orçamento revisto, não foram fornecidos dados sobre a execução orçamental e, por isso, não estavam em condições de avaliar as alegações relativas à implementação do orçamento de 2026 nem a necessidade de um orçamento revisto", acrescentou.</p><p>O porta-voz do FMI concluiu que "o FMI não avaliou essas questões durante a visita".</p><p>Na quarta-feira, durante a apresentação da proposta de Orçamento Retificativo, o primeiro-ministro, Francisco Carvalho, questionado sobre a recente missão do FMI ao país, classificou a visita como "excelente" e afirmou que permitiu identificar uma diferença entre o orçamento aprovado para 2026 e a execução orçamental projetada.</p><p>"Foi precisamente essa missão que permitiu identificar essa diferença, porque durante a visita analisámos em profundidade as contas e comparámos o orçamento aprovado para 2026 com a execução orçamental em Junho", disse.</p><p>Segundo o chefe do Governo, essa diferença resultava de uma despesa superior à prevista em cerca de oito mil milhões de escudos (72,6 milhões de euros), tendo acusado o anterior executivo do Movimento para a Democracia (MpD) de ter "ludibriado" o FMI.</p><p>Nesta sexta-feira, durante o debate sobre o Estado da Nação, o primeiro-ministro&nbsp;<a href="https://expressodasilhas.cv/politica/2026/07/30/primeiro-ministro-acusa-antigo-governo-do-mpd-de-ludibriar-o-fmi-sobre-derrapagem-orcamental/103887">reiterou as acusações&nbsp;</a>ao anterior Governo.</p><p>"O FMI foi enganado pelo Governo do MpD, que manipulou as contas, que fique claro. Os técnicos do FMI chegam cá para analisar os dados, mas quando o Governo é irresponsável e esconde as contas, é claro que é o valor que foi apresentado que vão analisar", declarou.</p><p>O líder parlamentar do MpD, Luís Carlos Silva, considerou "gravíssima" e "falsa" a acusação de que o anterior executivo tenha "ludibriado" o FMI.</p><p>"É irresponsável e profundamente lesiva dos interesses nacionais. O primeiro-ministro confundiu mecanismos legais de execução orçamental com práticas ilícitas, ou optou por distorcer deliberadamente esses mecanismos para sustentar uma narrativa política", afirmou.</p><p>Luís Carlos Silva defendeu que as declarações do primeiro-ministro atingem também a credibilidade do Estado cabo-verdiano junto dos parceiros internacionais, investidores e credores.</p><p>"A credibilidade de um país constrói-se ao longo de anos, através de instituições sólidas, contas transparentes e compromissos honrados. Cabo Verde nunca falhou uma única prestação da dívida externa. Este é um legado que lhe é entregue e que vai ter de proteger", disse.</p><p>Segundo Francisco Carvalho, o Orçamento do Estado para 2026, aprovado pelo anterior Governo do MpD e promulgado pelo Presidente da República, José Maria Neves, em dezembro de 2025, previa uma despesa de 95.675 milhões de escudos (868 milhões de euros).</p><p>Quando o atual Governo tomou posse, em junho, após a vitória do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) nas legislativas de 17 de maio, a execução orçamental projetada ascendia a 104.011 milhões de escudos (943 milhões de euros), segundo os dados apresentados pelo primeiro-ministro.</p><p>A missão técnica do FMI decorreu entre 21 e 24 de julho e teve como objetivo estabelecer os primeiros contactos com o novo executivo cabo-verdiano.</p><p>No final da visita, o diretor-executivo do FMI para Cabo Verde, André Roncaglia, manifestou "mais esperança e confiança" na continuidade da cooperação com o país e no compromisso das autoridades cabo-verdianas com a estabilidade macroeconómica e as reformas em curso.</p><p>FOTO:&nbsp;<a href="https://depositphotos.com/pt/photos/fmi.html?qview=219584648">depositphotos</a></p>]]></description>
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            <category><![CDATA[Economia]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Expresso das Ilhas]]></dc:creator>
            <pubDate>Sat, 01 Aug 2026 09:04:02 GMT</pubDate>
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