Familiares querem provar inocência de brasileiros presos no âmbito da "Operação Zorro"

PorRádio Morabeza,16 jan 2018 8:55

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Rodrigo Dantas, um dos acusados da "Operação Zorro"
Rodrigo Dantas, um dos acusados da "Operação Zorro"(Globo)

Os familiares dos três brasileiros presos em São Vicente, no âmbito da Operação “Zorro”, acreditam que os mesmos não tinham conhecimento da carga que transportavam no veleiro. Os parentes garantem que os acusados de tráfico internacional de droga queriam apenas atravessar o Oceano Atlântico e ganhar experiência para comandar grandes embarcações.

A revelação foi feita este domingo pelo programa “Fantástico”, da Rede Globo.

A investigação refere-se à operação de 23 de Agosto de 2017, na qual a Polícia Judiciária (PJ) apreendeu 1157 quilos de cocaína, na sequência de uma busca efectuada a um veleiro de bandeira britânica, atracado na Marina do Mindelo. A embarcação, de nome Rich Harvest era proveniente de Natal, Brasil. A droga estava acondicionada em 1063 pacotes escondidos no casco do barco.

Durante a operação, foram presos quatro indivíduos do sexo masculino, com idades compreendida entre os 25 e 49 anos, três dos quais de nacionalidade brasileira e um francês.

O francês e o brasileiro Daniel Guerra foram detidos em flagrante delito. Já Daniel Dantes e Rodrigo Dantes foram presos numa pensão no Mindelo e, segundo a polícia, no seu quarto, foram encontradas 22 gramas de Haxixe e sete gramas de canabis.

Segundo os familiares ouvidos pelo “Fantástico”, os três brasileiros, Daniel Guerra, 36 anos, formado em relações internacionais, Rodrigo Dantes, 25 anos, estudante de engenharia mecânica e Daniel Dantes, de 43 anos, corrector de imóveis, tinham um sonho em comum: serem navegadores profissionais e atravessar o Oceano Atlântico para ganhar experiência.

“Você vê que o sonho do teu filho está se tornando um pesadelo tanto para ele, como para os pais e para todas as pessoas à sua volta. É muito triste”, diz Télio Guerra, pai de Daniel Guerra.

“Jamais imaginei o que estava a acontecer”, acrescenta Bárbara Santos, irmã de Daniel Santos.

“Tenho certeza na inocência dele [Rodrigo Santos] a 1000% e todos os seus amigos têm certeza disso”, acredita João Santos, pai de Rodrigo Santos.

“Nem ele [Daniel Dantes], nem Rodrigo, nem o Daniel Guerra iam ganhar nada. Todos eles estavam atrás das milhas náuticas”, afirma Bárbara Dantes, irmã de Daniel.

Segundo a investigação feita pelo programa televisivo da Rede Globo, a história de viagem começa num curso de navegação marítima. Os três brasileiros teriam feito a formação e terá sido o dono da escola que avisou que “uma empresa holandesa de navegação chamada “Companhia de Entrega de Iate” estava à procura de dois tripulantes para levar o veleiro de Salvador para Natal e de lá para o arquipélago dos Açores, em Portugal.

Rodrigo e Daniel Guerra candidataram-se e foram escolhidos.

Em 2004, o mesmo veleiro, que na altura era de um inglês, foi apanhado a vender bebidas e cigarros em alto mar, sem pagar ou cobrar impostos. O homem não foi processado, mas as autoridades proibiram as vendas.

Em Junho de 2016, a embarcação chegou a Salvador (Brasil) com um novo dono, um outro cidadão inglês, conhecido como Fox. O barco entrou na mira da Polícia Federal. Então, o veleiro terá passado um ano a ser reformado num estaleiro em Salvador.

“Havia informações de que o mesmo poderia ser utilizado para tráfico de estupefacientes. Não se presenciou crime algum, porque um simples reparo de um barco, uma simples instalação de um local para transportar algo não é crime”, disse o delegado de polícia Fábio Muniz ao “Fantástico”, da Globo.

Depois da reparação, o iate terá feito duas viagens para o sudeste brasileiro: uma para o Rio de Janeiro e outra para Espírito Santo. A suspeita é que esta última viagem teria sido feita para carregar a cocaína na região de Vitória.

Os três brasileiros não estariam nessa viagem. O barco terá voltado a Salvador e foi lá que Rodrigo Dantes e Daniel Guerra se apresentaram. Juntamente com o dono do barco, Fox, e o mecânico que trabalhou na reforma do navio saíram rumo a Natal, no dia 8 de Julho do ano passado.

Ao chegarem a Natal, três dias depois, o inglês, Fox, dono do barco disse que não ia para os Açores no veleiro, e contratou um comandante francês. Rodrigo indicou Daniel Dantes para se juntar ao grupo. Também o mecânico não seguiu viagem.

“Ele [Fox] explicou que tinha compromissos de família e que precisava voltar para a Europa, tendo em conta que também já tinha realizado o sonho dele de fazer a travessia. Então ele estava a contratar uma tripulação experiente para levar o barco de volta”, diz Aniete Dantes, mãe de Rodrigo Dantes.

O barco ficou 23 dias em Natal, onde passou por uma inspecção da Polícia Federal que terá usado, inclusive, cães farejadores treinados para localizar droga escondida. Não foi encontrado nada.

A partida para os Açores foi no diz 3 de Agosto, tendo, a embarcação mostrado alguns problemas com o motor. A viagem durou 18 dias e acabou com uma paragem não prevista em São Vicente.

“Eles estavam no final somente contando com a vela. Quando tinha vento navegava e quando não tinha paravam. Não conseguindo chegar a Açores pararam em Mindelo”, afirma Bárbara Dantes.

Ao chegarem a São Vicente, a PJ fez uma inspecção ao iate, tendo encontrado a droga no interior do casco. Os tripulantes foram presos e aguardam julgamento na cadeia da Ribeirinha.

“Eles vieram de corpo e alma, sentimento puro para navegar, para surfar e para levar esse barco, mas eles não sabiam o que tinha ali dentro”, acredita Fátima Guerra, mãe de Daniel Guerra.

Daniel Guerra (Globo)
Daniel Guerra (Globo)

Como é que a droga não foi encontrada nas buscas feitas pela Polícia Federal no Brasil?

“Não houve, infelizmente, da nossa parte, talvez uma atenção em determinado local. Pode ser que a polícia de Cabo Verde tivesse um pouco mais de informação ou eles foram melhores que a gente na busca”, diz Rubens Alexandre de França, delegado de Polícia Federal.

“Em algum momento nós falhamos. Nós erramos em algum ponto”, assume.

Para o responsável policial, o barco chegou a Natal já carregado.

“Pelas fotos que vemos, a droga estava escondida, é pouquíssimo provável que ela tenha sido colocada em alto mar”, comenta.

Osvaldo lima Lopes, advogado de dois dos brasileiros e do capitão francês disse que um dos argumentos da defesa é justamente a vistoria feita em Natal pela Polícia Federal.

“Eles vieram na total convicção de que não haveria qualquer ilegalidade a bordo. Fizeram uma viagem que era a viagem de sonho deles - atravessar o Atlântico. Vamos provar no processo que eles estão inocentes", acredita.

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Autoria:Rádio Morabeza,16 jan 2018 8:55

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  15 nov 2018 3:23

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