Operação Zorro: “Estamos a viver um pesadelo”

PorFretson Rocha, Rádio Morabeza,24 jan 2018 14:37

Télio Guerra, Fátima Guerra, Bárbara Dantes e Aniete Dantes
Télio Guerra, Fátima Guerra, Bárbara Dantes e Aniete Dantes(Rádio Morabeza)

Os brasileiros presos em São Vicente, no âmbito da operação "Zorro", onde foi apreendida mais de uma tonelada de droga, estão inocentes e não sabiam da droga escondida na embarcação. A convicção é dos familiares dos velejadores acusados de tráfico internacional de droga e associação criminosa.

Hoje, em conferência de impressa, em São Vicente, os parentes dos brasileiros detidos, através da sua porta-voz, Bárbara Dantes, explicaram que os acusados só queriam ganhar experiência para comandar embarcações.

“São pessoas inocentes, que tinham o sonho de atravessar o Atlântico. Estavam a fazer uma carreira junto à marinha do Brasil, na área de velejador, e precisavam das milhas náuticas para se qualificar como profissionais. Em momento algum ganharam dinheiro para esse serviço”, diz.

Os três brasileiros, Daniel Dantes, Daniel Guerra e Rodrigo Dantes terão sido contratados pela agência de recrutamento de tripulação "The Yacht Delivery Company”, com sede na Holanda, para levar o barco da cidade de Natal, no Brasil, para os Açores, em Portugal. Os familiares responsabilizam o proprietário do veleiro, conhecido por Fox, e que entretanto não seguiu viagem.

“Esse Fox é o principal culpado desta situação. Foi a pessoa que, junto com a sua tripulação, saiu da Europa para o Brasil com esse fim específico e que em algum momento verificou que já estava a ser monitorado. Tirou a sua tripulação de última hora e colocaram os nossos nessa missão”, entende.

Os três brasileiros saíram do Brasil com destino aos Açores, mas devido a uma avaria no barco tiveram que parar em Cabo Verde. Ao chegarem à Marina do Mindelo, a 23 de Agosto de 2017, a PJ fez uma busca no veleiro de bandeira britânica, tendo sido encontrados 1157 quilos de cocaína, acondicionada em 1063 pacotes escondidos no casco do barco. A tripulação foi presa.

Os familiares, que estão em Cabo verde desde 14 de Dezembro, dizem estar a viver um verdadeiro pesadelo.

“O que depois veio foi um verdadeiro pesadelo que estamos a viver hoje. Não há dinheiro que chegue para provar que uma pessoa é inocente. Estamos praticamente à parte das nossas famílias e das nossas vidas no nosso local de origem e aqui dedicadas para dar um pouco de conforto para os nossos entes queridos que estão lá dentro, completamente assustados e sem entender o que está a acontecer”, acrescenta.

Defesa quer deitar abaixo toda a acusação

João do Rosário, um dos advogados do processo, diz estar em condições de deitar abaixo toda a acusação.

“Nós estamos em condições de deitar abaixo toda a acusação. Quando digo isso é que nós temos prova, ou contraprova, se quiser, que permite, sem margem para dúvidas, confirmar a inocência das pessoas. Designadamente, confirmar o anúncio do concurso para a realização da viagem. Estamos em condições de afastar ponto por ponto”, garante.

A tripulação está em prisão preventiva há cinco meses na Cadeia da Ribeirinha. Segundo a defesa, o processo ainda não foi enviado ao juiz, tendo já ultrapassado o prazo. A data do julgamento não foi marcada.

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Autoria:Fretson Rocha, Rádio Morabeza,24 jan 2018 14:37

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  20 set 2018 3:22

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