Advogados dos arguidos da "operação Zorro" satisfeitos após início do julgamento

PorFretson Rocha, Rádio Morabeza,12 mar 2018 13:32

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Droga apreendida no âmbito da "Operação Zorro"
Droga apreendida no âmbito da "Operação Zorro"

Os quatro velejadores presos em São Vicente, no âmbito da Operação “Zorro”, começaram hoje a ser julgados, no Tribunal de comarca de São Vicente. O capitão Olivier Thomas e o velejador Daniel Guerra foram os primeiros a serem ouvidos, esta manhã.

Os outros dois arguidos, Daniel Dantes e Rodrigo Dantes, só devem ser ouvidos durante a tarde. Todos são acusados de tráfico internacional de droga de alto risco e associação criminosa.

Durante a sua audição em tribunal, o francês Oliver Thomas reiterou que foi contratado apenas para levar o barco de Natal, Brasil, para a Madeira, Portugal, e repetiu não ter conhecimento dos 1157 quilos de cocaína escondidos no casco da embarcação.

O capitão disse que quando foi contactado estava em França e que chegou ao local de início da viagem cerca de três dias antes da partida. Quanto a um possível contacto com Fox, alegado dono do veleiro, Oliver Thomas diz que apenas conversou com ele sobre quanto cobraria para levar o barco até à Madeira.

Já Daniel Guerra contou que não sabia da droga escondida no veleiro e disse que foi contratado pela empresa de recrutamento de tripulação "The Yacht Delivery Company”, com sede na Holanda, após ter sido informado pela sua escola sobre o concurso.

Guerra afirmou em tribunal que o contrato não incluía qualquer compensação financeira e que o que queria era atravessar o Oceano Atlântico e ganhar milhas náuticas, para poder concluir os dois últimos cursos que lhe faltam na área da vela.

À saída da sessão da manhã, João do Rosário, um dos advogados do processo, disse que o julgamento está a ser justo e mostrou-se confiante num desfecho favorável.

“A expectativa é sempre a mesma. É que se faça justiça. Para já, o que nós podemos constatar é que os nossos constituintes estão a ser sujeitos a um julgamento válido, justo, em que estão pessoas presentes de outros países que vão poder ver que em Cabo Verde a justiça funciona, que a lei existe e que no fim há-de sair a decisão que se mostrar mais adequada à prova que vai aqui ser produzida, e que esperamos que seja no sentido de provar a inocência dos nossos constituintes”, diz.

“Nós estamos em crer que conseguimos provar a inocência dos arguidos e que, provavelmente, já na quarta-feira poderá haver uma soltura em definitivo desses rapazes”, acredita.

Fátima Guerra, mãe de Daniel Guerra, diz-se tranquila.

“Eu pensei que eu fosse ficar nervosa mas ele me passou essa tranquilidade. O meu filho é muito tranquilo, sincero, transparente e eu me senti bem ouvindo ele falar. Acredito que as autoridades também ficaram tranquilas”, afirma.

O caso remonta a 23 de Agosto de 2017, quando a Polícia Judiciária apreendeu 1.157 quilos de cocaína, na sequência de uma busca efectuada a um veleiro de bandeira britânica, atracado na Marina do Mindelo.

A embarcação era proveniente de Natal, Brasil. A droga estava acondicionada em 1063 pacotes escondidos no casco do barco. Durante a operação, foram presos quatro indivíduos do sexo masculino, com idades compreendidas entre os 25 e 49 anos, três dos quais de nacionalidade brasileira e um francês.

O julgamento está a decorrer hoje no Tribunal de São Vicente, e conta com a presença de país, familiares e amigos dos arguídos.

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Autoria:Fretson Rocha, Rádio Morabeza,12 mar 2018 13:32

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  18 set 2018 3:22

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