Tribunal já ouviu os quatro arguidos da operação Zorro

PorFretson Rocha, Rádio Morabeza,12 mar 2018 20:22

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O Tribunal da Comarca de São Vicente já ouviu todos os quatro arguidos e acusados de tráfico internacional de droga e associação criminosa, no âmbito da operação Zorro. Na primeira sessão do julgamento foram conhecidos mais detalhes sobre o local onde foi encontrada a cocaína apreendida.

No primeiro dia de audições, o tribunal ouviu também a Polícia Judiciária, como testemunha.

Esta tarde, assim como o capitão Olivier Thomas e o velejador Daniel Guerra haviam feito de manhã, Daniel Dantes e Rodrigo Dantes reiteraram que foram contratados pela agência de recrutamento de tripulação "The Yacht Delivery Company”, com sede na Holanda, apenas para levar o veleiro de Natal, Brasil, para Madeira, em Portugal. Ambos os arguidos brasileiros reafirmaram que a viagem seria apenas para adquirir milhas náuticas, não teriam qualquer compensação financeira, e que só pararam em Cabo Verde devido a problemas no motor do barco e por força do estado de saúde de um dos tripulantes.

Ainda na tarde desta segunda-feira, o tribunal ouviu a Polícia Judiciária, autoridade que procedeu à apreensão dos 1157 quilos de cocaína no veleiro de nome Rich Harvest, atracado na Marina do Mindelo, no dia 23 de Agosto de 2017. Durante a sua audição, a PJ reiterou que a apreensão da droga ocorreu na sequência de uma denúncia que terá recebido uma semana antes de a embarcação ter chegado a Cabo Verde.

A embarcação já era, aliás, conhecida das autoridades nacionais, depois de, em Março de 2016, ter passado pelo arquipélago, com destino ao Brasil. Outro dado que a polícia científica referiu durante a audição é que já teria informações sobre Fox, alegado dono do veleiro, mas não de nenhum dos quatro arguidos do processo.

Segundo a polícia, os 1157 quilos de cocaína, acondicionada em 1063 pacotes, estavam escondidos num espaço de difícil acesso. A PJ explicou que foi preciso retirar dois tanques de fibra que continham água, além de rebentar uma estrutura metálica e outra de madeira, para assim se ter acesso ao esconderijo da droga. Esse local ficava no interior do casco do veleiro, debaixo dos camarotes do capitão Olivier Thomas e do velejador Daniel Guerra.

De acordo com as contas do Ministério Público, a droga está avaliada em cerca de seis milhões de contos.

Do lado da defesa, terminado o primeiro dia de julgamento, Osvaldo Lopes, um dos advogados, considera que já foi produzida prova suficiente sobre a inocência dos arguidos.

“Efectivamente, os acusados são inocentes. A prova produzida e toda a declaração prestada até agora, inclusive pelos próprios inspectores da Polícia Judiciária, vai no sentido de concluir que em momento nenhum houve conluio para fazer um crime de tráfico de droga internacional, muito menos se pode falar de associação criminosa”, entende.

Os quatro arguidos, três brasileiros e um francês, estão há cerca de sete meses em prisão preventiva. Osvaldo Lopes não perspectiva um prazo para a sentença, mas acredita que a mesma saia em tempo oportuno.

“Confiamos nessa boa decisão da justiça e que será em tempo oportuno. Nós não podemos adiantar a data precisa [para a sentença] ”, diz.

A segunda sessão do julgamento acontece já amanhã, com audição de testemunhas. A defesa acredita que a audiência de julgamento não termine terça-feira, porque ainda terá que ser feita uma visita ao barco para esclarecimento em relação à localização dos tanques.

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Autoria:Fretson Rocha, Rádio Morabeza,12 mar 2018 20:22

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  19 set 2018 3:22

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