Zorro: Arguidos não sabiam da droga no veleiro, insiste defesa. "Não cabe na cabeça de ninguém", diz Ministério Público

PorFretson Rocha, Rádio Morabeza,15 mar 2018 18:07

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O Ministério Público pediu quinta-feira a condenação dos arguidos acusados de tráfico internacional de droga e associação criminosa, no âmbito da Operação Zorro.

Concluído o julgamento, aguarda-se a leitura da sentença, marcada para dia 29.

Nas alegações finais do julgamento, a acusação pediu que os quatro arguidos sejam condenados pelos dois crimes de que são acusados, por considerar que não ficou qualquer facto por provar. O Ministério Público entende que apenas ficou por saber quem ajudou os arguidos a traficar a droga. 

O procura Espírito Santo afirma que dois dos arguidos foram mesmo presos em "flagrante delito", por se encontrarem a bordo do veleiro quando a Polícia Judiciária realizou as buscas que levaram à apreensão dos 1.157 quilos de cocaína que se encontravam escondidos na embarcação proveniente do Brasil. A acusação disse mesmo que “não cabe na cabeça que alguém confia mais de uma tonelada de cocaína (...) a uma tripulação que não conhece”.

“A estrutura estava muito bem montada”, disse o procurador.

Defesa pede absolvição por “falta de prova”

Já a defesa, que pediu a absolvição dos três brasileiros e do francês, entende que tecnicamente o processo foi mal instruído e que da prova produzida não há nada que possa sustentar a acusação. Durante as alegações finais, Félix Cardoso, um dos três advogados do processo, fez saber que, depois da recusa do tribunal em ouvir, por video-conferência, cinco testemunhas que se encontram no Brasil e depois da não-aceitação do inquérito enviado pelas autoridades brasileiras, vai requerer a nulidade do processo.

“O processo vai ser declarado nulo, porque foi vedada a audição das testemunhas”, disse.

Félix Cardoso defende que o Ministério Público não fez as investigações necessárias, tendo em conta que o caso também está a ser investigado no Brasil, onde o processo estará “muito avançado”.

“Houve erro e má estratégia de investigação. O processo decorreu rápido, mas depois ficou sem nada. A acusação é infundada”, considerou.

Para o advogado João do Rosário, “o que interessa para o Ministério Público é a condenação a todo o custo”.

Em entrevista à Rádio Morabeza, depois de quatro dias de julgamento, o também advogado de defesa, Osvaldo Lopes, reforçou a ideia de uma acusação "fraca" e "sem qualquer prova".

“Para não dizer fraquíssima, sem provas, sem qualquer prova documental, sem qualquer prova testemunhal que pudesse sustentar a tese do Ministério Público de que os arguidos tinham conhecimento da droga”, considera.

“Este não é um processo com muita complexidade. Resume-se no seguinte: os arguidos teriam ou não conhecimento da droga? É apenas isso. Outra questão no processo tem a ver com a quantidade de droga, que cria uma pressão enorme sobre o processo, sobre o Ministério Público”, acrescenta.

Os três brasileiros e o cidadão francês foram presos, em São Vicente, a 23 de Agosto de 2017, após uma busca no veleiro de nome Rich Harvest, proveniente de Natal, Brasil. O barco teria como destino Madeira, Portugal, mas alegadamente, devido a avaria, tiveram que parar em Cabo Verde. Em prisão preventiva, os arguidos começaram a ser julgados na segunda-feira.

A leitura da sentença está marcada para o dia 29 de Março, tendo o juiz Antero Tavares dito que precisa de tempo para estudar “as duas teses muito fortes [da acusação e da defesa] que tem em mãos”.

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Autoria:Fretson Rocha, Rádio Morabeza,15 mar 2018 18:07

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  24 set 2018 3:22

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