Arguidos da Operação Zorro condenados a dez anos de prisão

Os quatro arguidos da Operação Zorro foram hoje condenados a penas de dez anos de prisão, considerados culpados pelo crime de tráfico de droga em co-autoria.

No tribunal de São Vicente, o juiz Antero Tavares considerou ter ficado provada a prática de um dos dois crimes pelos quais os três brasileiros e o francês eram acusados.

Condenados a dez anos de prisão, os arguidos têm como pena acessória a expulsão do país após o cumprimento da pena e a proibição de reentrada durante cinco anos. Os bens apreendidos pelas autoridades foram declarados perdidos, a favor do estado. 

Por provar ficou o crime de associação criminosa, que constava da acusação do Ministério Público.

Durante a leitura da sentença, Antero Tavares disse que todos os quatro arguidos agiram com dolo, porque sabiam da droga, e que os mesmos foram contratados por Fox, alegado dono do veleiro, para fazerem o transporte dos 1.157 quilos de cocaína, em troca de uma "avultada compensação remuneratória". Neste caso, a empresa de recrutamento de tripulações The Yacht Delivery Company,  com sede na Holanda, através da qual os arguidos dizem que tiveram conhecimento da viagem, teria funcionado apenas como um álibi. 

O tribunal acredita que a droga foi carregada no Brasil, apenas depois da fiscalização da Polícia Federal, motivo pelo qual as autoridades brasileiras não encontram nada no veleiro. 

Os três brasileiros - Daniel Guerra, Rodrigo Dantes e Daniel Dantes - e o cidadão francês - Olivier Thomas - foram presos, em São Vicente, a 23 de Agosto de 2017, após uma busca no veleiro de nome Rich Harvest, proveniente de Natal, Brasil. O barco teria como destino Madeira, Portugal, mas alegadamente, devido a avaria, tiveram que parar em Cabo Verde. Em prisão preventiva, os arguidos começaram a ser julgados na segunda-feira.

A defesa sempre clamou a inocência dos arguidos. À saída da sala de audiências, os advogados dos quatro arguidos garantiram que vão interpor recurso da decisão da primeira instância, além de não excluírem um eventual pedido de nulidade do processo. João do Rosário acusa mesmo o juiz Antero Tavares de ter feito tábua rasa de tudo o que foi produzido durante as sessões de julgamento, há duas semanas.

“É de se chegar a conclusão de que nós não estivemos aqui a fazer nada durante os dias de julgamento. Ele [o juiz] agarra-se naquilo que acha que aconteceu, mas que não está provado e decide pela condenação. Nós vamos recorrer, obviamente, mas cientes de que vamos conseguir, no tribunal de recurso, fazer reverter a situação, porque a sentença é toda ela injusta e infundamentada”, entende.

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Autoria:Nuno Andrade Ferreira, Fretson Rocha, Rádio Morabeza,29 mar 2018 10:47

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  22 set 2018 3:22

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