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        <title><![CDATA[Expresso das Ilhas]]></title>
        <description><![CDATA[Notícias de Cabo Verde]]></description>
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        <pubDate>Tue, 01 Sep 2026 16:33:34 GMT</pubDate>
        <copyright><![CDATA[Expresso das Ilhas on-line. Todos os direitos reservados.]]></copyright>
        <language><![CDATA[pt-pt]]></language>
        <item>
            <title><![CDATA[Sindicato anuncia pré-aviso de greve dos enfermeiros ]]></title>
            <description><![CDATA[<p>Em conferência de imprensa, na cidade da Praia, o presidente do Sindicato da Indústria Geral, Alimentação, Construção Civil e Afins (Siacsa), Gilberto Lima, anunciou que a organização deverá enviar, nos próximos dias, um pré-aviso de greve dos enfermeiros, caso não haja resposta às reivindicações apresentadas ao Ministério da Saúde.</p><p>Entre as questões apontadas pelo sindicato estão o pagamento de horas extraordinárias, a carga horária, o subsídio de risco, o descanso semanal obrigatório, alegadas diferenças salariais entre profissionais, nomeações, colocações e contratos.</p><p>Segundo o dirigente, há enfermeiros com horas extraordinárias por receber há vários meses, com referências a períodos que chegam a oito meses.</p><p>O presidente do Siacsa questionou a situação de profissionais que continuam a cumprir horas extraordinárias sem receber os respectivos valores, apesar da carga horária a que estão sujeitos.</p><p>Outra preocupação apresentada prende-se com alegadas diferenças salariais entre enfermeiros.</p><p>Referiu situações nas ilhas do Fogo e de São Vicente, apontando valores salariais distintos para profissionais que, segundo a sua leitura, desempenham trabalho semelhante.</p><p>“Trabalho igual tem que ser pago também com salário igual”, precisou.</p><p>O sindicato reclama igualmente o pagamento do subsídio de risco aos enfermeiros. </p><p>Segundo Gilberto Lima existe legislação que prevê este subsídio para a classe profissional, mas o pagamento não estará a abranger todos os profissionais.</p><p>O descanso semanal obrigatório constitui outra reivindicação apresentada pelo sindicato, que sustenta que os enfermeiros enfrentam, além da carga horária, dificuldades relacionadas com o cumprimento desse direito.</p><p>A situação das nomeações, colocações e contratos de enfermeiros também integra o conjunto de questões que o Siacsa pretende ver resolvidas pelo Ministério da Saúde.</p><p>Gilberto Lima indicou que já decorreram 12 dias desde uma comunicação dirigida ao Ministério da Saúde e que serão aguardados mais três dias, completando 15 dias, antes do envio do pré-aviso de greve.</p><p>A eventual paralisação surge, segundo o responsável, perante a ausência de resolução das reivindicações laborais apresentadas, incluindo as dívidas relativas às horas extraordinárias.</p>]]></description>
            <link>https://expressodasilhas.cv/pais/2026/09/01/sindicato-anuncia-pre-aviso-de-greve-dos-enfermeiros/104390</link>
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            <category><![CDATA[País]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Expresso das Ilhas]]></dc:creator>
            <pubDate>Tue, 01 Sep 2026 16:33:34 GMT</pubDate>
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        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[Governo prepara programa para responder aos possíveis efeitos da seca 
]]></title>
            <description><![CDATA[<p>A governante falava à margem do Atelier de Validação Técnica do Relatório de Avaliação do Programa Nacional de Investimento Agrícola e Segurança Alimentar (PNIASAN) 2015-2025.</p><p>“Se houver necessidade é claro que estaremos a pôr em  marcha um programa de mitigação dos efeitos das alterações climáticas, que terá impacto na resposta à seca ou não. Vamos ter um programa muito mais integrado, que prevê não só colmatar o défice, sobretudo no que diz respeito ao abeberamento e à alimentação dos animais, mas também programas que devolvam rendimento às famílias em situação de vulnerabilidade”, garante.</p><p>Eveline Ramos lembra que Cabo Verde é altamente vulnerável às mudanças climáticas, pelo que o país tem de estar preparado para diferentes cenários.</p><p>“A nossa condição climática sempre nos coloca em situações  extremas. Podemos ter chuvas abundantes, mas também podemos ter situações de seca. Então, nós temos que nos preparar para esses cenários, tanto de chuvas abundantes, criando medidas de mitigação para fazer face às situações de inundações, mas também temos que nos preparar para o cenário de seca, com medidas também de mitigação para acolher as famílias, sobretudo as famílias rurais.”</p><p>A par dos efeitos das alterações climáticas, a ministra da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas afirma que a falta de mão de obra pode reduzir a área cultivada, devido à saída dos jovens do sector agrícola.</p><p>“Esse é um problema que temos constatado, não é só na agricultura, mas é a todos os níveis. Mesmo na construção, temo-nos deparado com esta situação de falta de mão de obra. É um problema estrutural do país, neste momento, com a saída dos jovens. Sabemos que isso vai ter implicação na área cultivada, vai com certeza haver uma diminuição, mas trabalharemos para que nos próximos anos tenhamos colocado a centralidade no sector da juventude, para ver se conseguimos atrair os jovens também para o sector primário”, afirma.</p><p>Sobre a primeira fase do PNIASAN, a ministra considera que os investimentos feitos entre 2015 e 2025 ajudaram a reduzir a pobreza, reforçar a segurança alimentar e desenvolver o sector agrícola.&nbsp;</p>]]></description>
            <link>https://expressodasilhas.cv/pais/2026/09/01/governo-prepara-programa-para-responder-aos-possiveis-efeitos-da-seca/104387</link>
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            <category><![CDATA[País]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Selton Monteiro]]></dc:creator>
            <pubDate>Tue, 01 Sep 2026 16:29:14 GMT</pubDate>
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        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[Iluminação costeira ameaça reprodução e sobrevivência das aves marinhas ]]></title>
            <description><![CDATA[<p>Segundo a organização ambiental, diversas espécies de aves
marinhas utilizam referências naturais, como a luz da Lua e das estrelas, para
se orientarem durante os voos nocturnos.</p><p>A presença de iluminação intensa nas zonas costeiras pode
interferir nesse processo de orientação, aumentando o risco de colisões,
exaustão e mortalidade.</p><p>A Taola+ chama a atenção para o facto de a iluminação
pública, embora frequentemente associada ao desenvolvimento urbano, poder ter
impactos sobre a biodiversidade, particularmente em áreas costeiras onde se
encontram importantes zonas de nidificação de aves marinhas.</p><p>“Reconhecendo esta realidade, o Plano de Ação para a
Conservação das Aves Marinhas de Cabo Verde identifica a poluição luminosa como
uma das prioridades de intervenção. Entre as medidas propostas estão campanhas
de sensibilização, a colaboração com municípios e operadores turísticos e a
implementação de medidas de mitigação nas áreas críticas de nidificação”,
escreveu a organização.</p><p>De acordo com a ONG, a redução da intensidade da iluminação
e o seu direccionamento adequado em locais sensíveis podem contribuir para
diminuir a desorientação das aves e, consequentemente, aumentar a sua
sobrevivência durante a época reprodutiva.</p><p>A organização defende, assim, uma maior atenção ao impacto
da iluminação artificial no planeamento e gestão das zonas costeiras, sobretudo
durante os períodos de reprodução, quando milhares de aves marinhas estão
particularmente vulneráveis.</p><p>A TAOLA+&nbsp; resulta da união das ONG ambientais em Cabo Verde para
ampliar a preservação e conservação, inicialmente focada na conservação das
tartarugas marinhas.</p>]]></description>
            <link>https://expressodasilhas.cv/pais/2026/09/01/iluminacao-costeira-ameaca-reproducao-e-sobrevivencia-das-aves-marinhas/104386</link>
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            <category><![CDATA[País]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Sheilla Ribeiro]]></dc:creator>
            <pubDate>Tue, 01 Sep 2026 13:22:32 GMT</pubDate>
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        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[HUAN apela à doação urgente de sangue dos grupos O+ e O−
 ]]></title>
            <description><![CDATA[<p>Segundo o apelo divulgado pelo hospital, neste momento há
uma necessidade urgente de sangue destes dois grupos, sendo solicitada a
solidariedade das pessoas que reúnam condições para efectuar a doação.</p><p>O hospital apela, por isso, às pessoas com sangue O+ ou O−
que estejam em condições de doar para que se dirijam ao Banco de Sangue e
contribuam para reforçar as reservas.</p><p>Foto:<a href="https://depositphotos.com/photos/doa%C3%A7%C3%A3o-de-sangue.html?filter=all&qview=1855122"> depositphotos</a></p>]]></description>
            <link>https://expressodasilhas.cv/pais/2026/09/01/huan-apela-a-doacao-urgente-de-sangue-dos-grupos-o-e-o/104382</link>
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            <category><![CDATA[País]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Sheilla Ribeiro]]></dc:creator>
            <pubDate>Tue, 01 Sep 2026 10:09:39 GMT</pubDate>
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        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[Novo PCA da Enapor quer posicionar Cabo Verde como plataforma logística regional]]></title>
            <description><![CDATA[<p><strong></strong></p><p style="text-align: justify;">O
responsável considera que a localização do país, por si só, não é suficiente
para garantir benefícios económicos.</p><p style="text-align: justify;">“Durante
décadas, temos afirmado com razão que Cabo Verde possui uma posição geográfica
privilegiada. Mas isso já não basta. A pergunta que hoje devemos colocar é mais
do que exigente. Quanto vale economicamente a posição geográfica de Cabo Verde?
Porque geografia sem estratégia é apenas localização. Geografia sem
infraestruturas é apenas mapa. Geografia sem conectividade é distância.
Geografia sem competitividade não cria riqueza. O nosso grande desafio
consiste, portanto, em transformar a extraordinária posição geográfica de Cabo
Verde em posição logística, vantagem competitiva, investimento, negócios e
emprego”, assegura.</p><p style="text-align: justify;">Para
o novo PCA da ENAPOR, o principal desafio passa precisamente por transformar
essa localização estratégica em capacidade logística e vantagem competitiva
para o país.</p><p style="text-align: justify;">“Esta
localização oferece possibilidades, mas possibilidade só se transforma em
oportunidade quando existe capacidade para aproveitar. Cabo Verde tem, por
isso, de aspirar a mais e olhar para os portos não apenas como infraestruturas
nacionais, mas como investimento de uma estratégia regional e internacional.
Pretendemos trabalhar continuamente com o Governo na identificação de um
parceiro estratégico internacional que possa contribuir com escala,
investimento, tecnologia, conhecimento, redes comerciais e capacidade de
atracção de operadores e navios para os portos”, afirma.</p><p style="text-align: justify;">Hamir
Inocêncio defende que o arquipélago deve ambicionar “assumir, de forma
progressiva, funções de rede logística e de distribuição na África Ocidental”.</p><p style="text-align: justify;">“Explorando
complementaridades com os portos da sub-região e transformando a nossa inserção
regional numa verdadeira oportunidade económica (…) A logística internacional
escolhe os seus portos pela eficiência, custo, rapidez, segurança e confiança.
Não basta a Cabo Verde estar bem localizada no mapa. Cabo Verde tem de
tornar-se útil, competitiva e necessária nas rotas”, sustenta.</p><p style="text-align: justify;">Entre
as prioridades estão também a modernização das infraestruturas, a transformação
digital, a redução dos custos logísticos e o aumento da produtividade.</p><p style="text-align: justify;">O
novo Conselho de Administração da ENAPOR é constituído por Hamir Inocêncio, que
substituiu Ireneu Camacho nas funções de presidente, e por Aleida Sofia Delgado
Lima Moreno e Carlos Alberto Alves Delgado, que integram a equipa como
administradores executivos.</p><p style="text-align: justify;">A
cerimónia foi presidida pelo ministro do Mar e dos Transportes, João do Carmo
Soares, que defende uma liderança “visionária e tecnicamente competente” para
responder aos novos desafios dos portos e do transporte marítimo.</p><p style="text-align: justify;">“Vivemos
numa era de mudança acelerada, em que a excelência portuária depende cada vez
mais da eficiência profissional, da modernização das infraestruturas e
equipamentos, digitalização dos processos e da evolução para modelos de
<em>smartports</em>”, indica.</p><p style="text-align: justify;"></p><p style="text-align: justify;">João
do Carmo defende a “continuidade” dos investimentos na modernização do sistema
portuário nacional, com o objectivo de “reforçar a eficiência logística e a
gestão da cadeia de abastecimento, aumentar a produtividade e promover a
inovação”.</p>]]></description>
            <link>https://expressodasilhas.cv/pais/2026/08/31/novo-pca-da-enapor-quer-posicionar-cabo-verde-como-plataforma-logistica-regional/104376</link>
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            <category><![CDATA[País]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Lourdes Fortes]]></dc:creator>
            <pubDate>Mon, 31 Aug 2026 22:36:00 GMT</pubDate>
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        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[Praia: Mulher detida pela PJ por tráfico de droga fica em prisão preventiva]]></title>
            <description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">De acordo com um comunicado da Polícia Judiciária (PJ), a detenção ocorreu
no cumprimento de um Mandado de Busca e Apreensão Domiciliária, promovido pelo
magistrado do Ministério Público titular do processo e emitido pelo Juízo de
Instrução Criminal do Tribunal Judicial da Comarca da Praia.</p><p style="text-align: justify;">A operação permitiu, além da detenção da suspeita, de 45 anos,  a apreensão de elementos com relevância
probatória para a investigação.</p><p style="text-align: justify;">No âmbito da busca, a PJ apreendeu 18 doses individuais de cocaína e 15,728
gramas de cannabis, prontas a serem comercializadas no circuito de venda
ilícita, bem como produtos de corte, usados na preparação e confecção de
estupefacientes, e materiais utilizados no consumo de drogas.</p><p style="text-align: justify;">Foram apreendidos, ainda, um telemóvel e uma quantia em dinheiro, no valor de
6.530$00, entre outros objectos com relevância probatória.</p>]]></description>
            <link>https://expressodasilhas.cv/pais/2026/08/31/praia-mulher-detida-pela-pj-por-trafico-de-droga-fica-em-prisao-preventiva/104373</link>
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            <category><![CDATA[País]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Anilza Rocha]]></dc:creator>
            <pubDate>Mon, 31 Aug 2026 16:37:00 GMT</pubDate>
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        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[Governo quer tirar Centro Orlando Pantera do sistema prisional e criar nova estrutura socioeducativa para menores]]></title>
            <description><![CDATA[<p>A intenção foi manifestada por Clóvis Silva em declarações à imprensa após a abertura de uma acção de formação promovida pela Fundação Garah, destinada a pessoas em processo de recuperação de dependências.</p><p>Na ocasião, o governante defendeu uma mudança profunda no modelo de atendimento às crianças dos 12 aos 16 anos em confronto com a lei.</p><p>“Eu não quero cadeia para crianças entre 12 e 16 anos de idade. (…) Preciso de um centro que trabalhe com crianças para educá-las e reeducá-las, não para as manter presas e entregar-lhes comida abrindo uma porta de ferro”, afirmou o ministro.</p><p>Para concretizar a medida, Clóvis Silva revelou que o processo começará pela alteração da lei orgânica do Ministério da Justiça, desvinculando o Centro Orlando Pantera da Direcção-Geral dos Serviços Prisionais por considerar que o atendimento a menores não se enquadra na lógica carcerária.</p><p>Paralelamente, a reforma prevê a criação de uma direcção específica para tutelar o sistema socioeducativo e a construção de um novo centro concebido como um espaço familiar e acolhedor, onde os jovens com trajectórias de insucesso escolar ou exclusão tenham acesso a formação adaptada.</p><p>“Eu tenho um sonho de construir um centro socioeducativo que, se eu pudesse, nem teria paredes, que fosse uma casa”, disse o ministro.</p><p>Clóvis Silva informou ainda já ter apresentado o projecto a parceiros internacionais, como a União Europeia, agências das Nações Unidas e missões diplomáticas, visando a mobilização de apoios.</p><p>A estratégia inclui a colaboração de cidadãos em processo de recuperação de dependências para acções de sensibilização e apoio comunitário, promovendo a intervenção preventiva precoce antes da ocorrência de ilícitos criminais.</p>]]></description>
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            <category><![CDATA[País]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Expresso das Ilhas]]></dc:creator>
            <pubDate>Mon, 31 Aug 2026 12:26:26 GMT</pubDate>
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        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[45 anos do 31 de Agosto 1981 - Quando o Estado esmagou os direitos individuais ]]></title>
            <description><![CDATA[<p>A violação sistemática de direitos, consagrados na
Carta Universal dos Direitos Humanos, pode ser desencadeada a qualquer momento
e por qualquer razão, como se verificou em Santo Antão, no dia 31 de Agosto de
1981. Homens e mulheres, famílias inteiras, foram apanhados num redemoinho em
que ficaram completamente indefesos perante um Estado todo-poderoso.</p><p>Nesse dia, e nos dias, semanas, meses e anos que se
seguiram, direitos que hoje se têm como garantidos foram negados aos
cabo-verdianos: direito de expressão do pensamento (art. 47 da Constituição),
direito de reunião e de manifestação (art. 52 da Constituição), direito à vida
e à integridade física e moral (art. 27 da Constituição), direito à liberdade e
segurança pessoal (art. 29 da Constituição), direito à inviolabilidade do
domicílio, particularmente durante a noite (art. 42 da Constituição), direito às garantias penais de defesa
(presunção de inocência, presença do advogado nos interrogatórios, não
submissão a torturas para extracção de provas, etc.) (art. 34 da Constituição).</p><p>O que ficou claro foi que o regime do PAIGC/PAICV
tinha construído um aparelho legal e institucional de repressão que, a qualquer
momento, podia ser lançado contra qualquer cidadão sem que este tivesse o
mínimo de defesa possível. Os principais pilares desse aparelho eram: o Decreto-Lei
n.º 96/76, que permitia às forças de segurança prender pessoas durante três
meses sem as apresentar a um juiz e por mais dois meses, além dos três, com
autorização judicial; o Decreto-Lei n.º 121/77, que estabelecia tribunais militares para civis acusados de crimes
contra a segurança do Estado. Em relação aos militares e equiparados, polícias
e milícias, o mesmo decreto-lei determinava que não podiam ser perseguidos em
tribunais civis e, portanto, só podiam ser julgados pelos seus pares.</p><p style="text-align: center;"><strong>O
antes</strong></p><p>Depois do golpe de Estado de 14 de Novembro de 1980,
na Guiné-Bissau, os dirigentes cabo-verdianos encontram nessa ruptura uma fonte
privilegiada de exaltação do patriotismo islenho e de louvação do peso
específico da participação dos nacionalistas ilhéus na saga libertária da
Guiné-Bissau, como escreveu José Luís Hopffer C. Almada no ensaio <em>Das
tragédias históricas do povo cabo-verdiano e da saga da sua constituição e da
sua consolidação como nação crioula soberana</em>. Nesse contexto, acelera-se o
processo de procura de uma nova localização, exclusivamente cabo-verdiana, das
fontes de legitimação do poder dos dirigentes do regime de partido único e
assiste-se a uma aceleração do “processo revolucionário em curso”.</p><p>A implementação da reforma agrária foi entendida
como essencial para a emergência da justiça social nos campos do Sahel insular
e para a superação definitiva dos entraves socioeconómicos ao desenvolvimento
agrário de Cabo Verde, bem como ao florescimento de uma democracia social e
económica.</p><p>O objectivo programático da Reforma Agrária, várias
vezes antes adiada, foi assim retomado para conseguir o apoio da população
rural. Olívio Pires declara que “a Reforma Agrária é um acto eminentemente
político” e continua: “vamos confirmar a total identificação do Partido e Governo com as
massas e vamos também provar quem são os verdadeiros amigos do nosso povo, os
defensores dos seus interesses mais profundos”. “A Reforma Agrária situa-se na
luta de classes**.**” (<em>Voz di Povo</em>, 5/8/81).</p><p>O certo é que a reforma agrária não foi bem recebida
em Santo Antão. Fosse por desconhecimento dos laços estreitos que uniam
proprietários e agricultores, fosse pelo objectivo político – tentou impor-se
uma ideia que não se coadunava com aquilo que os santantonenses tinham em
comum: as relações com a terra. No fundo, o meeiro, como era chamado quem
trabalhava a terra do proprietário, era quem mandava na terra.</p><p><img src="https://static.expressodasilhas.cv/media/2026/08/1787935435648.normal.jpeg"></p><p>Muitos trabalhadores rurais entregaram as terras aos donos, dizendo que não queriam
saber da história da reforma agrária. Sentiam que iam ser prejudicados e que
podiam perder um compadre e um amigo. Estes sentimentos começaram a fervilhar e
acabaram por desembocar no 31 de Agosto.</p><p style="text-align: center;"><strong>O
durante</strong></p><p>No dia anterior, 30
de Agosto, houve uma reunião do partido em Figueiral, onde surgiu uma
manifestação que gritava contra o partido. Essas pessoas foram presas. No dia
31, a intenção era fazer outra manifestação para pedir a libertação desses
homens. O objectivo era ir até à Ribeira Grande, mas os manifestantes são
barrados pelos militares, armados até aos dentes, em Boca de Figueiral. O povo
não arredou o pé. Ficou lá a gritar: “não à reforma agrária”, “libertação dos
presos”. A certa altura, os soldados disparam, matam Adriano Santos e ferem outros.</p><p>Como resumiu Epifânio Ferreira, anos depois, em
2000, num discurso proferido no local: “Nas nossas rochas que ladeiam este
vale, soavam os estampidos e uma densa nuvem de fumo toldava os ares na zona de
Boca de Figueiral. Balas perdidas cravaram-se nas paredes de algumas casas. O
partido da força, luz e dia que como força trouxe-nos a prepotência, como luz a
da metralha e como guia a PIDE CV, que nos atirou para o fundo do abismo, quis
mostrar aos santantonenses que eram fortes em combates mesmo lutando contra
homens que como armas traziam alguns cigarros nos seus bolsos”.</p><p>Casas ficaram com balas nas paredes. Havia crianças,
mulheres grávidas. Num raio de uns dez metros, Epifânio Ferreira enche um boné
com invólucros de bala. Mostra-o aos responsáveis e diz que não era preciso
disparar daquela maneira contra o povo. Nessa noite começam as prisões.</p><p style="text-align: center;"><strong>O
depois</strong></p><p>A madrugada de 31 foi um corrupio de portas
arrombadas a meio da noite**;** homens semidespidos são arrastados para fora da
cama, seguem-se espancamentos, coronhadas, pontapés, murros. Agressões
praticadas sem uma única palavra. Sem uma única explicação.</p><p>Os homens aprisionados são levados para o Externato
de Ribeira Grande. Se caíam no chão, devido às agressões, eram
pisados pelos militares. Nessa noite sofrem maus-tratos durante horas: murros
na cara, na boca, na cabeça, pontapés, coronhadas. Depois chegaram os camiões,
Volvos altos, onde era preciso dar um salto para conseguir agarrar a borda. Os militares fizeram duas
filas; os prisioneiros passavam no meio e continuaram a ser castigados com
pontapés e coronhadas.</p><p>São transportados para Porto
Novo, acocorados em cima de lascas de pedras cortantes. Em Porto Novo, são
atirados para cima do cais e metidos num navio. Um tubo é ligado do escape do
barco para o salão onde estavam os prisioneiros, que começa a encher-se com o
fumo do motor. Quase todos começam a vomitar, outros caem, sem forças. Quando finalmente chegam a São
Vicente, recebem o mesmo tratamento: sair do navio em fila indiana, passando
por entre os soldados. As agressões continuaram. São postos em celas com
pavimento de cimento; os colchões eram areia de vulcão e o travesseiro, uma
pedra. As necessidades eram feitas dentro do cubículo, num canto. De
noite, os militares passavam junto às
portas e disparavam rajadas para impedir que os presos dormissem. Seguiram-se
os interrogatórios. Diários. Acompanhados de torturas.</p><p><img src="https://static.expressodasilhas.cv/media/2026/08/1787935413026.normal.jpeg"></p><p>Passavam mais de doze horas de pé, num calor
insuportável, e isso quando tinham sorte. Quando eram postos de joelhos, os
militares batiam-lhes nas solas dos pés. Por horas e horas e horas.</p><p>Um mês de interrogatórios seguidos, de dia e de
noite, sem hora marcada. Os interrogadores, cansados, eram substituídos. Um dia
começam os choques eléctricos, em João Ribeiro. O flagelo durava horas,
dependendo do interrogador. Se tivessem pressa, durava entre uma e duas horas.
Os outros levavam mais tempo. Faziam perguntas; se não tinham a resposta, davam
um choque. Sentavam os prisioneiros encostados à parede; assim que punham a
máquina a funcionar, a cabeça e o corpo batiam no betão.</p><p style="text-align: center;"><strong>O
epílogo</strong></p><p>Em Março de 1982, quase sete meses depois dos
acontecimentos, 15 dos prisioneiros de Santo Antão foram
julgados por um tribunal militar que os condenou a penas de seis meses a dez
anos de prisão pelo crime de tentativa
de alteração da Constituição por rebelião armada.</p><p>Frei Fidalgo escreve no jornal <em>Terra Nova</em> que
estava a decorrer “um novo acto carnavalesco na Ponta do Sol”. Silvestre Évora,
advogado de defesa, quando tem direito à palavra na abertura da audiência,
põe-se de pé e diz: “meus senhores e minhas senhoras, é de bradar aos céus como
esses homens foram torturados”. O juiz suspende a audiência de imediato. Évora
é chamado a outra sala e avisado de que tinha de ter cuidado com o que dizia.</p><p>Quase três anos depois das sentenças, a Cruz
Vermelha Internacional e elementos dos Direitos Humanos visitam a cadeia da
Ribeirinha. Depois de ouvirem as histórias dos detidos, dirigem-se à Praia e
dizem ao governo que não havia razão para os manter presos. O regime cria uma
série de malabarismos para não ficar mal visto pelas entidades internacionais e
os homens vão saindo da prisão. As libertações não significaram o fim das pressões
e das perseguições. Recebem avisos indirectos: se não calassem a boca, alguém lha calaria definitivamente. Alguns resolvem
sair de Cabo Verde e passam a ser exilados políticos.</p><p>Em vários momentos, e em todas as ilhas, ao longo
dos 15 anos da ditadura do Partido Único, houve situações em que o regime teve
a oportunidade de mostrar o rosto repressivo. Os mais conhecidos e traumáticos
foram os casos de São Vicente em 1977, da Brava em Setembro de 1979, da Praia
em Novembro de 1980 e novamente de São Vicente em 1987. O 31 de Agosto em Santo
Antão é o mais completo, porque envolveu tribunal militar e penas prolongadas
de prisão.</p><p>O regime, ainda hoje visto por alguns como tendo
sido benevolente e até paternalista, na verdade escondia, atrás dessa fachada,
um aparato jurídico-institucional repressivo construído desde os princípios da independência nacional.</p><p>As leis que legitimavam a máquina repressiva do
regime só começaram a ser desmanteladas a partir de Maio de 1990, quando a
então Assembleia Nacional Popular anulou disposições legais “restritivas dos
direitos, liberdades e garantias” que, segundo o presidente da ANP, “perderam
actualidade”<strong>,</strong> designadamente a Lei do Boato (Decreto-Lei n.º
37/75, de 1975) e a lei de prisão preventiva (Decreto-Lei n.º 95/76).</p><p>Os acontecimentos do 31 de Agosto de 1981 mostram do
que são capazes os regimes políticos que não têm como base o princípio do
respeito pela dignidade humana. Os presos do 31 de Agosto e os restantes
milhares de cabo-verdianos não beneficiavam, na época, da plenitude dos seus
direitos civis e políticos. Vieram a tê-los mais tarde, com a Constituição de
1992.</p><p><em><strong>Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1291
de 26 de Agosto de 2026.</strong></em></p>]]></description>
            <link>https://expressodasilhas.cv/pais/2026/08/31/45-anos-do-31-de-agosto-1981-quando-o-estado-esmagou-os-direitos-individuais/104337</link>
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            <category><![CDATA[País]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Jorge Montezinho]]></dc:creator>
            <pubDate>Mon, 31 Aug 2026 08:41:07 GMT</pubDate>
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        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[Cerca de 120 voluntários participam em campanha de limpeza na Boa Esperança e João Questão]]></title>
            <description><![CDATA[<p>A iniciativa de serviço comunitário da Igreja Adventista do Sétimo Dia (IASD) insere-se no programa do I Campori dos Desbravadores da 4.ª Região, Sal e Boa Vista, evento que se iniciou no dia 28 e decorre até 31 de Agosto, na localidade de Ribeira d’Água, sob o lema “Ancorados em Cristo”.</p><p>O evento reúne perto de 200 participantes, incluindo crianças, jovens e adultos das delegações de Santiago e São Nicolau.</p><p>Em declarações à imprensa durante a campanha, o director nacional do Ministério Jovem da IASD, pastor Rafael Fernandes, destacou que a escolha dos locais se deveu à necessidade de actuar em zonas com maior acumulação de resíduos.</p><p>"A campanha é uma forma de consciencializar a população a manter o ambiente mais limpo. Sabemos que alguns lugares são mais críticos e estamos a ir a esses locais para alertar para esta responsabilidade", afirmou Rafael Fernandes, frisando a necessidade de os jovens entenderem “a importância de cuidar da comunidade".</p><p>A acção no terreno, que exigiu o uso de máscaras e equipamentos de protecção devido ao estado crítico de alguns pontos, contou também com a participação de moradores locais.</p><p>Elisangela Vieira, moradora do bairro de Boa Esperança e participante na recolha de lixo, fez um apelo directo à vizinhança para uma mudança de atitude, tendo em vista uma melhor saúde pública.</p><p>"Se cada um de nós contribuir para ter uma zona limpa ao redor da nossa casa, contribui para a saúde da nossa família. Não esperemos só pela câmara municipal, por associações ou por grupos que organizam campanhas", apelou a moradora, afirmando que o esforço conjunto pode manter a comunidade em condições dignas.</p><p>A campanha de limpeza constituiu uma das principais acções de impacto social do I Campori da 4.ª Região. O acampamento inclui ainda formação prática em resgate básico, segurança na água, cozinha ao ar livre e investiduras.</p><p>O Clube de Desbravadores é um ministério da Igreja Adventista do Sétimo Dia vocacionado para a formação integral de crianças e adolescentes dos 10 aos 15 anos, promovendo valores de cidadania, disciplina e serviço ao próximo.</p>]]></description>
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            <category><![CDATA[País]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Expresso das Ilhas]]></dc:creator>
            <pubDate>Sun, 30 Aug 2026 16:02:00 GMT</pubDate>
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        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[Associação Ponta de Cinta quer levar maçã e marmelo de Corda a outros mercados]]></title>
            <description><![CDATA[<p>A presidente da associação, Maria do Rosário, disse sábado à impressa que este é um dos principais propósitos da primeira edição do Festival da Maçã e do Marmelo, que decorre este fim-de-semana, 29 e 30 de Agosto, naquela localidade do concelho da Ribeira Grande.</p><p>Segundo a responsável, Corda dispõe de produção de maçã e marmelo que pode ganhar maior valor através da transformação, sobretudo quando a fruta não consegue ser comercializada em fresco.</p><p>“O que não conseguimos escoar como fruta transformamos”, explicou.</p><p>Maria do Rosário apontou as compotas, geleias, doces e outros derivados como alternativas para aproveitar a produção e evitar que parte dela se perca.</p><p>A dirigente explicou que a realização do festival surgiu na sequência de uma formação em transformação agroalimentar, precisamente centrada na maçã e no marmelo, e do trabalho desenvolvido pela associação no âmbito da sua unidade de produção agrícola.</p><p>“Pensámos neste festival para valorizar este produto precioso que temos em Corda, e a intenção é também dinamizar a economia local e criar condições para que os produtos possam chegar a outros pontos da ilha e, futuramente, a outras ilhas do país”, salientou.</p><p>A primeira edição reuniu cerca de dez expositores provenientes dos três municípios de Santo Antão, com produtos agrícolas e transformados, numa iniciativa que pretende igualmente promover a troca de experiências entre produtores.</p><p>O programa do evento encerra hoje, com a realização de uma mesa-redonda entre todos os participantes, na qual será debatida a criação de um comité de expositores para articular futuras acções conjuntas e reforçar a rede de partilha de experiências entre os produtores locais.</p><p>A iniciativa conta com financiamento da Cooperação Espanhola, através da Embaixada de Espanha em Cabo Verde e da Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento, e com o apoio dos projectos AgroEcoSol e Lidera Rural, da Associação dos Amigos da Natureza (AAN Cabo Verde), do Centro de Estudos Rurais e de Agricultura Internacional (CERAI) e da Câmara Municipal da Ribeira Grande.</p>]]></description>
            <link>https://expressodasilhas.cv/pais/2026/08/30/associacao-ponta-de-cinta-quer-levar-maca-e-marmelo-de-corda-a-outros-mercados/104354</link>
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            <category><![CDATA[País]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Expresso das Ilhas]]></dc:creator>
            <pubDate>Sun, 30 Aug 2026 08:02:35 GMT</pubDate>
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