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        <title><![CDATA[Expresso das Ilhas]]></title>
        <description><![CDATA[Notícias de Cabo Verde]]></description>
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        <pubDate>Thu, 02 Oct 2014 16:44:24 GMT</pubDate>
        <copyright><![CDATA[Expresso das Ilhas on-line. Todos os direitos reservados.]]></copyright>
        <language><![CDATA[pt-pt]]></language>
        <item>
            <title><![CDATA[Praia: Uma varanda sobre o Atlântico]]></title>
            <description><![CDATA[<p align="right"><strong>A capital de Cabo Verde é uma cidade em ebulição, feita de contrastes e diferentes ritmos. Balançando entre o desejo manifesto de ser uma polis moderna e cosmopolita e uma certa ruralidade entre desequilíbrios estruturais e sociais, congrega o melhor e o pior de Cabo Verde. Mais do que uma cidade é um porto onde confluem gentes de vários pontos do país e do globo, que trazem e deixam ficar um pouco de si. É também cidade de recantos a descobrir, pequenas surpresas ao virar da esquina (boas e más, em igual medida) e uma agenda cultural cada vez mais internacional.</strong></p>

<p align="right"> </p>
<p>A esta altura da sua vida, é provável que já tenha vindo à Praia algumas vezes. No entanto, a capital é uma cidade em constante mutação que permite sempre novos olhares. Pessoas que vêm, pessoas que partem. Espaços que abrem, espaços que fecham. Casas que aparecem da noite para o dia (ok, geralmente em locais muito pouco turísticos que não deve querer ver) e que mudam o recorte da paisagem urbana. Intervenções que vão melhorando e construindo uma Praia melhor arranjada. E um cartaz cultural cada vez mais apelativo – se vier na altura certa.</p>
<p>Seja qual for o motivo que cá o/a traz, seja bem-vindo/a e aproveite para (re)descobrir esta cidade a mil compassos.</p>
<p>Pronto. Chegou à Praia. E agora? O que ver e aonde ir? Comecemos pelas panorâmicas, voltadas para este Atlântico que nos une – ou não fosse o “<em>mar purlongamentu di tera, em forma di modjadu</em>”, como canta Princezito.</p>
<p>Há vários lugares, à proa das diferentes achadas (planaltos) que compõe a Praia, que permitem vistas fabulosas. O miradouro mais conhecido é o Miradouro Diogo Gomes (o navegador que descobriu Santiago), no Plateau, que proporciona uma vista privilegiada sobre o Ilhéu de Santa Maria. Na Achada  Santo António, o bairro mais populoso e, provavelmente, o que maiores contrastes apresenta, há o Cruz di Papa, um pequeno e agradável espaço de passeio e lazer, para miúdos e graúdos (um dos poucos da cidade). Daí, vê-se a praia de Quebra-Canela e os agradáveis barzinhos ao seu redor.</p>
<p>Da nossa parte, aconselhamos que se meta no táxi, e siga para o bairro periférico de Achada Grande Frente, onde fica situada também a zona industrial. Não vai encontrar um miradouro referenciado e composto, mas do promontório em bruto e sujo encontra uma das melhores vistas sobre a baía e a cidade. A visão abarca toda a orla costeira, do Porto da Praia, recentemente ampliado, ao Farol de D. Maria Pia – ilhéu ao centro, Gamboa espraiada aos pés dos vales e achadas, mais à direita, a (destruída) Praia Negra.</p>
<p>Agora que já “tirou” a panorâmica vamos ao plano geral dos bairros. E para começar o Platô.</p>
<p>O Platô começou a ser povoado em 1515 (pois, há uma data de anos) e durante a época colonial era considerado o único bairro da cidade. Na verdade, ainda mantém o estatuto de centro económico e histórico (basta ver os ministérios que se espalham pelas suas ruas, ou a sede do Banco Central), mas hoje o centro da capital é, essencialmente, um óptimo lugar de lazer.</p>
<p>O Platô começa no fim da subida da praia da Gamboa. Logo à direita (ora, espreite lá) está o Palácio Presidencial, construído no final do século XIX para ser a residência do governador português. Continuando, chega-se à Praça Alexandre Albuquerque. Mais uma paragem. Olhe à volta. Se estiver em frente à esplanada Morabeza, tem a Câmara Municipal atrás (prédio de fachada clássica e com uma torre central quadrada), à direita está a igreja da Nossa Senhora da Graça (também em estilo classicista) e à esquerda o Palácio da Cultura Ildo Lobo.</p>
<p>Continuemos pela Avenida Amílcar Cabral (sim, essa grande mesmo à sua frente). Seja qual for o dia, o que não falta é movimento na artéria. Pode parar e entrar no mercado municipal, regatear com as vendedoras de frutas e legumes e comprar qualquer coisa para ter forças para o caminho. Reparou na quantidade de cores e cheirou os diversos aromas? Óptimo!  </p>
<p>Ao fundo da avenida, à direita, está o Quintal da Música, um dos lugares de culto para quem gosta de comer e ouvir alguns dos sons mais tradicionais de Cabo Verde. Bem jantado? Vamos lá então começar a noite. Saindo do Quintal da Música e contornando à direita entramos na menina dos olhos do Platô – a Rua Pedonal. Faça o favor de entrar. Meia dúzia de passos e temos o Copacabana à esquerda. Pode lá ir a qualquer dia da semana (fecha ao domingo), mas à sexta e sábado costuma ter Karaoke. Sente-se, peça uma cerveja, encha-se de coragem e cante (a sério, cante mesmo, porque se não cantar, o Luís, o dono, assume o microfone, e ele é, digamos, ligeiramente desafinado).</p>
<p>Cansado de cantar? Não há problema, na porta ao lado fica o bar Silver Jazz, um dos espaços mais recentes da Pedonal e um dos locais da moda da vida nocturna da capital. Pode beber (com moderação), pode comer (sem moderação), pode ouvir quem lá canta, ou, se tiver jeitinho, pode subir ao 1º andar, pegar num dos instrumentos e começar uma jam session (ou participar numa que já esteja a decorrer).</p>
<p>Bem dispostinho? Quer voltar para casa? Não há problema, volte no dia seguinte. O que não falta são restaurantes ao longo da pedonal, ou pode ir até à Pracinha da Escola Grande, onde há a esplanada do Café Sofia. Tome um bom pequeno-almoço, veja bem quem está sentado ao lado porque o nosso Prémio Camões, o escritor Arménio Vieira, costuma estar por lá a jogar xadrez ou apenas a conversar. É o local mais procurado pelos intelectuais e é sossegado (sim, sabemos que é isso que quer depois da noite de paródia anterior).</p>
<p>Gostou? Pois, volte sempre. Apesar dos séculos de existência, o Platô continua a ser das poucas zonas da cidade onde é agradável caminhar e tem sempre mais um segredo para descobrir.</p>
<p>Agora que já visitou o coração da cidade, aventure-se para outras paragens.</p>
<p>Pode descer até à beira-mar e seguir pelo passeio que contorna a orla. Não faça isto depois de anoitecer. Aprecie a praia de Santa Maria, que deu nome à própria cidade e que hoje é mais conhecida por praia da Gamboa. Veja as crianças que costumam andar a brincar nesse areal, o ilhéu tão perto, alguns pescadores na sua faina. Continue a andar. Está em Chã-de-Areia. Chega a uma rotunda. Se subir entrará em Achada Santo António, onde fica a Assembleia Nacional e grande parte dos ministérios. Daqui de baixo já consegue ver o Bairro do Brasil, fundado por pescadores e um dos mais emblemáticos da cidade. Também é considerado, hoje, um dos locais mais perigosos. É que na Praia, mesmo os bairros considerados mais nobres – como Achada Santo António – convivem lado a lado com bolsas de criminalidade que condicionam a mobilidade entre zonas.</p>
<p>Se não quiser subir, e preferir ir em frente, vai chegar à Prainha – provavelmente o bairro mais “caro” da cidade. Aí fica a pequena Praia com o mesmo nome. Pode aproveitar para seguir o braço de ilha que leva ao Farol de D. Maria Pia. Pelo caminho, encontra o seminário de São José, onde estudaram algumas figuras de vulto da sociedade praiense e não só.</p>
<p>Volte ao passeio que contorna a orla. Siga em frente até à praia de Quebra-Canela. Se não pretende esticar-se ao sol, nem dar um mergulho nas águas mornas, tome um refresco num dos bares perto da praia e relaxe. Depois apanhe um outro táxi que o leve de volta às artérias interiores da cidade.</p>
<p>Vá, por exemplo, para a Avenida Cidade de Lisboa. À sua esquerda está o imponente e austero Palácio do Governo, à direita, a Biblioteca Nacional e o Auditório, seguidos do memorial a Amílcar Cabral onde o líder surge vestido para enfrentar os ventos siberianos. Está agora a passar pelo Taiti, uma das zonas mais verdes e menos aproveitadas da cidade.</p>
<p>Agora, vê aquela amálgama de gente e cores ao pé de uma rotunda e vários produtos a espreitarem por entre gradeamentos? É sinal que chegou ao Sucupira.</p>
<p>Se veio num domingo nem vale a entrar. Pode ficar pelo mercado que se estende na rua do lado direito da rotunda. Conhecido por “Yá”, aqui vai encontrar essencialmente moda americana ou brasileira, nova ou em segunda mão (geralmente nesta última modalidade) para todos os gostos e feitios. Terá de penar, derrear as costas e vasculhar (com cuidado que as vendedeiras não gostam que se desarrume muito), mas eventualmente conseguirá encontrar a preço de saldo de 98% verdadeiras peças de alta-costura e sapatos que fariam inveja a Imelda Marcos.</p>
<p>Se veio num qualquer outro dia da semana, entre e encontre um pouco de tudo, da máquina fotográfica que anda à procura, a extensões de cabelo, passando por panos africanos. Muita coisa, muitas cores, tudo apertado e concentrado. Ah! E regateie. Sempre!</p>
<p>Já encontrou o que queria (talvez umas havaianas confortáveis que o calor não permite outro calçado)? Tente encontrar uma saída – o mercado de Sucupira é bastante labiríntico – e apanhe um táxi.</p>
<p>Depois de tanto passeio já deve estar com um ratinho no estômago. A boa notícia é que na Praia não faltam bons locais para comer e petiscar. Pode até, por exemplo, comer uma suculenta perna de frango assada na brasa se casualmente encontrar com uma vendedeira informal. Ou escolher um sítio para se sentar e usufruir nas calmas de uma saborosa refeição e ouvir boa música ao vivo. Além dos restaurantes conhecidos há toda uma rede de pequenos cafés e “kioskes” que servem boas bafas e boas refeições. Nada melhor do que perguntar ao seu amigo ou familiar que vive na Praia, que certamente conhece um canto mais ou menos escondido, que tem uma iguaria que vale a pena experimentar. Praia Maria é Sabi!</p>
<p> </p>
<p><strong><img src="images/praia_uma_nova_vida_para_o_plateau.jpg" border="0" alt="" width="518" height="344" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" /></strong></p>
<p style="text-align: center;" align="center"><strong>Turismo Cultural</strong><strong></strong></p>
<p><strong></strong>Sem praias nem montanhas que consigam combater outras paragens como a Boa Vista ou Santo Antão, a cidade da Praia volta-se para o turismo cultural e de negócios.</p>
<p>E a verdade é que tem albergado eventos, cada vez mais conhecidos a nível nacional e internacional que justificam uma visitinha.</p>
<p>Em Abril a cidade entra em ebulição com o Atlantic Music Expo (cuja III edição acontece em 2015) ao qual se segue, imediatamente, o Kriol Jazz Festival (que vai para VII edição e é considerado um dos melhores festivais de world music do, passe-se a repetição, mundo). Ao longo de cerca de uma semana o ambiente muda, fica mais cosmopolita e relaxado. Profissionais da música e da imprensa internacional, gente blasé, de ar bem-disposto e descontraído (o sol tem esse efeito nos nórdicos e não só), inundam o Platô. Mas o melhor mesmo é a música. O dia e as noites são preenchidos por concertos e jam session, combinadas ou improvisadas.</p>
<p>Em Maio, num registo mais popular, chega o festival da Gamboa, inserido nas festas do município. Aí, a música desce do</p>
<p> </p>
<p>Platô à praia que dá nome ao evento e a cidade em peso acorre ao areal.</p>
<p>Entre Junho e Julho segue-se uma catrefada de festivais, todos mais ou menos iguais, mais ou menos diferentes, por vezes à ordem de um por semana.</p>
<p>Fora da área da música, há também outras iniciativas para promover o turismo cultural. Um exemplo é o Festival de Cinema que será realizado, pela primeira vez, no próximo mês de Novembro.</p>
<p>No resto do ano há diversas actividades relacionadas com as diferentes artes, muitas vezes de carácter intimista. Nos muitos bares e restaurantes da cidade também é fácil encontrar animação cultural, seja uma actuação de batucadeiras, seja um concerto com mornas, coladeiras ou talaia baixo.</p>
<p>E a noite da capital também tem uma movida razoável. Depois de aquecer num barzinho, aproveite para dar um pé de dança numa das discotecas da capital.</p>
<p>Por tudo isto, e mais alguma coisa, apesar da insegurança, apesar da desorganização, apesar da sujidade de algumas zonas, quem se atreve a dizer que a Praia não tem o seu encanto?</p>
<p> </p>
<p style="text-align: center;" align="center"><img src="images/kebra.jpg" border="0" alt="" width="578" height="385" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" /><strong>História</strong></p>
<p> </p>
<p>Falar da Praia é também falar da história de Cabo Verde, da sua descoberta e povoamento, da sua luta e finalmente da sua independência. Não foi aqui que “tudo começou” (essa primazia coube à Cidade Velha) mas rapidamente se tornou e afirmou como a capital destas terras do oceano.</p>
<p>A vila da Praia de Santa Maria nasceu por volta de 1615, com o povoamento do planalto (Plateau) situado perto da praia com o mesmo nome.</p>
<p>Com o declínio da Ribeira Grande (Cidade Velha), devido aos constantes ataques de piratas, e consequente fuga da sua população, a localidade foi ganhando importância. Em 1770 deu-se a passagem oficial da capital para a vila da Praia. Quase um século mais tarde, em 1858, a vila foi elevada cidade.</p>
<p style="text-align: center;"> </p>
<p style="text-align: center;"><strong>Como ir</strong></p>
<p> </p>
<p style="text-align: center;"> </p>
<p><strong></strong>Dependendo da ilha onde se encontra, poderá chegar à Praia de barco ou avião. Se vem do Fogo ou do Maio tem as duas opções. Se vem de Santo Antão, primeiro terá de chegar a São Vicente e só aí escolher o transporte. O mesmo se passa com a Brava, onde tem de primeiro dar um saltinho ao Fogo. Tenha atenção que em algumas das ilhas não há ligações diárias pelo que deve planear bem os seus dias de partida e chegada.</p>
<p style="text-align: center;"><strong><br /></strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Onde ficar</strong><strong></strong></p>
<p><strong></strong>Se é cabo-verdiano, certamente terá familiares e amigos a viver na Praia, que o receberão com todo o gosto. Mas se a escapadinha é secreta ou simplesmente não quer acordar com o filho da tia aos berros, tem muitas opções de alojamento por onde escolher, a preços variados. Se pretende um sítio sossegado, mas perto de tudo, com boas condições e bom gosto, o Hotel Santiago, situado em Achada Santo António, é uma boa escolha.</p>
<p style="text-align: center;"><strong><br /></strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Onde comer</strong></p>
<p> </p>
<p style="text-align: center;"> </p>
<p><strong></strong>Também aqui não faltam opções. Quer comida tradicional cabo-verdiana? Tem muito por onde escolher. Quer fast food? Também há. Ou então, que tal, ‘nouvelle cuisine’? Dos restaurantes chiques ao bar da esquina, a aventura gastronómica na Praia é uma experiência que o vai deixar satisfeito.</p>
<p style="text-align: center;"><strong><br /></strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Dicas ao viajante</strong><strong></strong></p>
<p><strong></strong>Mesmo os mais desatentos sabem que a Praia não é uma cidade segura, mas isso não é desculpa para se enfiar no Hotel e não usufruir dos seus encantos. A melhor maneira de se deslocar entre zonas é mesmo de táxi. Há imensos, embora por norma se concentrem apenas à volta dos locais de maior movimento. Os próprios taxistas o poderão informar de quais são bairros mais inseguros e, se pretender parar num deles para conhecer o “outro lado” da Praia, peça-lhes que aguardem. Se pretende ficar mais tempo (para comer naquele fantástico restaurantezinho desconhecido que o seu sobrinho lhe recomendou), uma boa ideia é pedir o contacto a um taxista e telefonar-lhe sempre que tenha dificuldade em encontrar um veículo.</p>
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<p> </p>
<p> </p>
<p> </p>
<p> </p>
<p><object style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" width="474" height="357" data="http://fotos.sapo.pt/swf/slideshow/slideshow.swf" type="application/x-shockwave-flash"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="slideMode" value="AlphaFade" /><param name="backColor" value="#000000" /><param name="textColor" value="#FFFFFF" /><param name="UIColor" value="#000000" /><param name="timePerPhoto" value="5000" /><param name="borderWidth" value="0" /><param name="u" value="expresso_2" /><param name="a" value="319" /><param name="server" value="cv" /><param name="limit" value="50" /><param name="flashvars" value="slidemode=AlphaFade&amp;backColor=#000000&amp;textColor=#FFFFFF&amp;UIColor=#000000&amp;timePerPhoto=5000&amp;borderWidth=0&amp;borderColor=#FFFFFF&amp;cornerRound=3&amp;u=expresso_2&amp;a=319&amp;server=cv&amp;limit=50" /><param name="src" value="http://fotos.sapo.pt/swf/slideshow/slideshow.swf" /><param name="allowfullscreen" value="true" /></object></p>
<p> </p>
<p> </p>]]></description>
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            <category><![CDATA[Verao.cv]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Expresso das Ilhas]]></dc:creator>
            <pubDate>Thu, 02 Oct 2014 16:44:24 GMT</pubDate>
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        <item>
            <title><![CDATA[Sal, o Tempero de Cabo Verde]]></title>
            <description><![CDATA[<p><strong>É um grande desafio escrever sobre a ilha que me viu nascer. A mais turística de Cabo Verde onde descansam duas das sete maravilhas do arquipélago, a praia de Santa Maria e as Salinas de Pedra de Lume.</strong></p>

<p> </p>
<p>Das suas águas cristalinas em tons de azul-turquesa, os seus hotéis cinco estrelas que oferecem férias de sonho em modelo tudo incluído, das suas ondas e ventos propícios à prática de desportos náuticos como o kitesurf e o windsurf muito já se falou.</p>
<p>Não faltam brochuras, anúncios em sites de agências de viagens, operadores turísticos e blogueiros convidando a conhecer este oásis flutuando no meio do Atlântico.</p>
<p>Todas estas maravilhas encareceram a ilha, tornando-a cada vez mais fruto proibido para o nacional que deseja fazer férias cá dentro sem ser obrigado a gastar fortunas. Pois aceito o desafio de mostrar um Sal atraente para quem chega das outras ilhas.</p>
<p>Falemos então de um Sal diferente. O roteiro que nós sugerimos não se limita a passeios de barco, banhos de sol e aulas de mergulho. Muito menos à animação programada dos hotéis. Atreva-se a deitar abaixo os muros cinco estrelas e a misturar-se. Venha conhecer o Sal histórico e cultural.</p>
<p>O guia turístico vai com certeza passar por Regona, Buracona, a praia de Santa Maria, Murdeira e as Salinas de Pedra de Lume, sítio histórico e Património Cultural Nacional construído sobre a cratera de um vulcão adormecido. Há mais de cento e cinquenta anos, o sal destas salinas temperou sabores gastronómicos nas mais diversas paragens do mundo. Escritos antigos dão conta de mais de vinte mil toneladas de sal embalado anualmente e transportado a bordo de veleiros alemães para países da Costa Ocidental da África, do Senegal ao Congo belga e francês, passando pela Guiné, Serra Leoa e Camarões.</p>
<p>Mas merece também uma visita o antigo farol em ruinas de Fiura e a planície de Chã de Pedra, onde, a 15 de Agosto de 1939, aterrou o primeiro avião que tocou solo cabo-verdiano. Não deixe também de visitar o Morrinho das Pedras, grande saliência rochosa de quase 40 metros de altura onde rochas míticas produzem som acústico quando em contacto umas com as outras.</p>
<p>Histórica também é a conhecida ‘Casa do Presidente’ nas imediações da Murdeira. Os mais informados contam que diplomatas e políticos cubanos, angolanos, sul-africanos e cabo-verdianos podem ter esboçado a paz em Angola, aqui mesmo, na ilha do Sal. Esta casa que ainda pode ser visitada serviu de cenário para os encontros secretos entre actores internacionais nos anos 80, durante o apogeu da Guerra civil em Angola.</p>
<p>Ruínas da antiga povoação ‘Madama’, que antecedeu o nascimento da cidade de Espargos resistem aos tempos e podem igualmente ser visitados.</p>
<p><strong><br /></strong></p>
<p><strong>A cidade multilingue que nunca dorme</strong></p>
<p>Passeios de barco, aulas de mergulho e banhos de sol. Imperdíveis sim, mas é quando os barcos descansam serenos atracados na praia que a cidade de Santa Maria acorda. Música ao vivo em cada canto, em cada pequeno bar. A cultura feita ao vivo e a mil cores. Esta é a cidade turística que precisa de ser descoberta. A cidade multilingue que nunca dorme.</p>
<p>Um cartaz anuncia Sílvia Medina e Ricardo Castell. Mais à frente o exímio guitarrista Sandro Pimentel dá um show digno das melhores salas de espectáculos. Paramos para ouvir chorar o sax de Beverly Chadwick, a inglesa que adoptou Santa Maria como sua. Entre ‘coks e bafas’, a música que se ouve é crioula, mexicana, brasileira e americana e transporta-nos numa viagem cultural inigualável e sem destino certo.</p>
<p>Santa Maria é a mais cosmopolita cidade de Cabo Verde. Entre as línguas faladas e ouvidas diariamente, o português, o inglês, o alemão, o italiano, o espanhol, o francês. Mas também não estranhe se ouvir um pouco de portunhol, criolês ou italianês. Oficial mesmo é comunicar e no final de contas é só isso que importa.</p>
<p><img src="images/ilha_sal.jpg" border="0" alt="" width="415" height="276" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" /></p>
<p> </p>
<p><em><strong>Como ir?</strong></em></p>
<p><em> A TACV voa todos os dias para a ilha do Sal a partir de ilhas como Santiago e São Vicente e também há barcos que fazem ligações inter-ilhas embora o transporte marítimo esteja a atravessar uma fase menos positiva com menos ofertas. De qualquer modo e se não enjoar não custa tentar já que as viagens de avião encarecem um pouco as férias. Também há voos diários que chegam da Europa através da companhia de bandeira nacional, da TAP e de outras companhias aéreas.</em></p>
<p><em><strong>Onde ficar?</strong></em></p>
<p><em>São inúmeros os hotéis e resorts instalados na ilha do Sal. No próximo mês de Novembro o visitante poderá contar com mais um hotel cinco estrelas, o Melia Dunas também localizado em Santa Maria a juntar-se aos já existentes. Também com condições excelentes há residenciais e pequenos hotéis com serviços de muita qualidade como o Relax, o Paz e Bem, em Espargos, o hotel Da Luz e o Nha Terra.</em></p>
<p><em><strong>Onde comer?</strong></em></p>
<p><em>Quando a fome apertar não desespere porque as ofertas são muitas. Restaurantes dos mais finos estão ao seu dispor e muito bem localizados no centro da cidade de Santa Maria. Se, como nós, não tem muito para gastar a dica é optar pela combinação de um serviço sem muita pompa mas com sabor e qualidade. Em Santa Maria, todos conhecem o pequeno barzinho improvisado do Guste, homem de Santiago que há muito tempo escolheu o Sal para viver. Em Espargos a melhor oferta é o Benvass Restaurante mas também vale a pena provar os petiscos de Mari Lunguinha. E que tal um pôr-do-sol em Palmeira, saboreando uma moreia frita na tradicional Casa dos Pescadores?</em></p>
<p><em><strong>Dicas ao viajante</strong></em></p>
<p><em>Qualquer época do ano é boa para conhecer a ilha do Sal, mas a partir de Novembro começa a verdadeira época alta na ilha que coincide com os meses de Inverno rigoroso na Europa. Nesta altura aumenta o movimento de visitantes que chegam de fora. No entanto, se está no arquipélago aconselhamos os meses de Agosto a Outubro. Com sorte vai poder participar do carnaval de verão do Trio Babel e do road trip Salfari, eventos criados por locais e que se traduzem numa forma divertida e radical de conhecer o Sal.</em></p>]]></description>
            <link>https://expressodasilhas.cv/verao-cv/2014/09/25/sal-o-tempero-de-cabo-verde/43077</link>
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            <category><![CDATA[Verao.cv]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Alexis Cardoso]]></dc:creator>
            <pubDate>Thu, 25 Sep 2014 15:47:13 GMT</pubDate>
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        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[Djarmai: Um tesouro por descobrir]]></title>
            <description><![CDATA[<p><strong>Dizer que o Maio é a jóia da coroa é mais do que uma metáfora. Vista do ar (e se nunca reparou, preste mais atenção da próxima vez que voar para lá) a ilha parece mesmo uma peça de ourivesaria, com as areias cor de ouro e o mar que varia de tonalidade, entre o verde-esmeralda e o azul safira. Em terra, todos estes matizes podem ser confirmados e explorados.</strong></p>

<p> </p>
<p class="ecxmsonormal">O compositor maiense, Adalberto Silva (Betú) cantou-a como mais ninguém: “Maio nha terra sabi, nha gente ca conche nenhum maldade”. O Maio, faz parte do conjunto das ilhas mais orientais do arquipélago, juntamente com o Sal e a Boa Vista, e, tal como as ‘irmãs’, foi amaciada pelos ventos alísios. Assim surgiram as paisagens que pintam o território, as areias brancas, as praias quase nunca frequentadas e a infinidade de lugares secretos que urge descobrir. </p>
<p>A ilha do Maio é uma jóia, mas uma jóia ainda em bruto no espectro do turismo em Cabo Verde. Foram construídos alguns pequenos hotéis e, segundo as últimas informações, prepara-se para acolher e desenvolver alguns projectos hoteleiros ou de imobiliária turística.</p>
<p>Por outro lado, muito do charme do Maio está também nesta fase quase que inexplorada. Por isso vale mesmo a pena a viagem, mesmo que por alguns dias, para ficar a conhecer ao vivo a qualidade da paisagem, com as suas salinas, as pequenas mas deliciosas enseadas, a sua floresta de acácias, a mais compacta de todo o arquipélago e, naturalmente, as suas gentes, sempre animadas e acolhedoras.</p>
<p>O Maio tem cerca de sete mil habitantes, espalhados pelos seus 265 km2. Da Praia, chegamos a Porto Inglês em cerca de 10 minutos, de viajarmos de avião. De barco demora-se mais ou menos uma hora.</p>
<p style="text-align: center;"><img src="images/img_3312.jpg" border="0" alt="" width="359" height="239" /></p>
<p class="ecxmsonormal">A Igreja de Nossa Senhora da Luz é o cartão-de-visita da ilha, que espelha a fé e devoção da sua gente à santa padroeira. Para além de cidade do Porto Inglês, a ilha é formada por vários povoados de Norte a Sul, cada um com as suas características próprias.</p>
<p class="ecxmsonormal">No passado, a ilha viveu da remessa dos imigrantes, que saíram à procura de vida melhor noutras latitudes. A pecuária foi outra fonte de renda de algumas famílias, hoje, tenta-se fazer do turismo um modo sustentável de obter rendimentos.</p>
<p class="ecxmsonormal">As extensas praias de areia branca oferecem excelentes condições para os turistas, mas também para as tartarugas durante a época de desova. Sendo uma espécie muito ameaçada, vários ambientalistas trabalham na sua protecção, sobretudo contra o seu maior predador, o homem. De igual modo vão sensibilizando as pessoas que a tartaruga viva vale mais do que a morta, é mais um atractivo para atrair visitantes.  </p>
<p class="ecxmsonormal" align="center"><strong>Uma visita ao Maio</strong><strong></strong></p>
<p class="ecxmsonormal">Vamos lá à parte prática. Para se deslocar ou chegar à cidade do Porto Inglês, chegando de avião, o visitante tem à disposição as carrinhas de caixa aberta ou os ligeiros hiaces. Escusa de procurar táxis, não há. Aliás, tratando-se de uma das ilhas mais pequenas do arquipélago, o porto e o aeroporto não ficam muito longe da cidade. Já a distância do porto para as residenciais ou hotéis da cidade pode ser feita a pé, e aproveite para disfrutar a orla marítima da cidade, porque a avenida é sempre percorrida tendo o areal e o mar ao lado.</p>
<p>Maio guarda ainda a calma dos tempos antigos e por isso é a ilha ideal para quem queira tirar umas curtas férias para relaxar, disfrutar o sol e o mar na companhia de um bom livro, mas, de preferência, com o seu parceiro ou parceira: se é isso que procura, não vai arrepender-se de lá ter ido. A ilha tem a ‘habilidade’ de o fazer sentir-se único no mundo, pois quem por aqui passa vê-se rodeado, horas a fio, de tranquilidade e exclusividade nestas praias de excepcional beleza.</p>
<p class="ecxmsonormal">Na verdade, Maio ostenta uma beleza singular e uma paisagem natural que têm atraído os mais diversos visitantes desde do seu povoamento. Até mesmo corsários e piratas como Hawkins e Drake (muito gostava esta malta do arquipélago). A ilha era estratégica para as emboscadas aos barcos mais incautos, permitindo ainda a chamada aguada (abastecimento) devido à abundância de gado e, naturalmente, a possibilidade de carregamentos de sal! A sua presença no Maio foi tal que em certa ocasião do séc. XVI, chegaram aqui a contar-se quarenta e sete destes navios. Com esta histórica incursão não foi nosso propósito assustar o leitor, mas recordar um pouco o glorioso passado da ilha do Maio, na época áurea da sua economia assente no binómio gado-sal. Até porque, piratas e corsários só existem hoje no cinema ou nos "Apontamentos da História da Ilha do Maio" da autoria de Adalberto Silva. É um livro cuja leitura recomendamos aos que visitam a ilha pela primeira vez e queiram também empreender uma viajam através do seu passado, altura em que o sal surge como elemento marcante de toda a sua história. Fica-se a saber que “logo a seguir a Santiago, Maio já foi a ilha que maiores receitas públicas proporcionava ao arquipélago”, e que “no período áureo do comércio do sal, Maio foi uma das ilhas de maior rendimento económico do país”.</p>
<p class="ecxmsonormal">Se é verdade que a viagem pela história pode ser feita com o livro referido acima, sentado comodamente numa cadeira de um dos bares ou hotéis da ilha, ou aconchegado numa das suas vastas praias de areia branca, o melhor mesmo é fazer-se ao caminho e ver esta história pelos seus olhos, afinal, não estamos aqui a elogiar as belezas da ilha para passar o tempo todo sentadinho. Para trilhar a ilha e desfrutar de todas as suas excelências naturais, recomenda-se uma carrinha, que pode ser alugada nos operdores da Ilha. Djarmai pode ser percorrida num único dia, mas as zonas ficam dispersas umas das outras – andar a pé só mesmo dentro da cidade.</p>
<p class="ecxmsonormal">Bem, mas todas estas recomendações servem para quem tem mais tempo. Para quem vai lá passar apenas um fim-de-semana, o melhor é, depois de check in, vestir um biquíni, ou fato de banho, colocar o protector solar na mochila e ir tomar banho na praia de Beach Rotcha, a estonteante e extensa praia de areia branca, uma verdadeira dádiva da natureza, a escassos minutos do centro da cidade. E como estamos aqui mesmo ao lado, repita a experiência nos fins-de-semana posteriores.</p>
<p class="ecxmsonormal">Se tiver que escolher, uma das melhores alturas para visitar a ilha é a época das festividades, que se celebram no mês de Setembro. E aí sim, verá a ilha a movimentar-se à volta das praias e dos festivais. Paródia até mais não. E no dia seguinte, logo de manhãzinha, vá até ao areal mais próximo, sinta o cheiro da maresia e declame, alto e bom som, o poema de Jorge Barbosa:</p>
<p class="ecxmsonormal"><em>O Mar!</em><em><br /> <em>Cercando prendendo as nossas Ilhas!</em><br /> <em>Deixando o esmalte do seu salitre nas faces dos pescadores,</em><br /> <em>roncando nas areias das nossas praias, batendo a sua voz de encontro aos montes,</em><br /> <em>… deixando nos olhos dos que ficaram a nostalgia resignada de países distantes …</em><br /> <em>… Este convite de toda a hora que o Mar nos faz para a evasão!</em><br /> <em>Este desespero de querer partir e ter que ficar! …</em></em></p>
<p class="ecxmsonormal"><strong><strong><br /></strong></strong></p>
<p class="ecxmsonormal"> </p>
<p style="text-align: center;"><object width="400" height="300" data="http://fotos.sapo.pt/swf/slideshow/slideshow.swf" type="application/x-shockwave-flash"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="slideMode" value="AlphaFade" /><param name="backColor" value="#000000" /><param name="textColor" value="#FFFFFF" /><param name="UIColor" value="#000000" /><param name="timePerPhoto" value="5000" /><param name="borderWidth" value="0" /><param name="u" value="expresso_2" /><param name="a" value="318" /><param name="server" value="cv" /><param name="limit" value="50" /><param name="flashvars" value="slidemode=AlphaFade&amp;backColor=#000000&amp;textColor=#FFFFFF&amp;UIColor=#000000&amp;timePerPhoto=5000&amp;borderWidth=0&amp;borderColor=#FFFFFF&amp;cornerRound=3&amp;u=expresso_2&amp;a=318&amp;server=cv&amp;limit=50" /><param name="src" value="http://fotos.sapo.pt/swf/slideshow/slideshow.swf" /><param name="allowfullscreen" value="true" /></object></p>
<p> </p>
<p class="ecxmsonormal"><strong><strong>Como ir</strong></strong></p>
<p class="ecxmsonormal"><strong><img src="images/tacv_2a.jpg" border="0" alt="" width="166" height="104" /><img src="images/navio sotavento.jpg" border="0" alt="" width="139" height="104" /></strong></p>
<p class="ecxmsonormal">Pode chegar à ilha do Maio de avião ou de barco. Se pretende fazer uma viagem mais turística e mais barata é melhor ir de barco. O navio Sotavento (pertencente a Agência Polar) é a única embarcação que faz a ligação entre Praia/Maio/Praia. Há duas ligações semanais, às quartas e sextas-feiras. De avião a viagem dura menos tempo, como se diz em jeito de anedota, quando se descola da Praia os comandantes costumam dizer: ‘senhores passageiros, não tirem o cinto que vamos já aterrar’. Há três voos semanais (segundas, quartas e sextas-feiras,)</p>
<p class="ecxmsonormal"><strong><br /></strong></p>
<p class="ecxmsonormal"><strong>Onde ficar</strong><strong></strong></p>
<p class="ecxmsonormal"><img src="images/maio casa1.jpg" border="0" alt="" width="154" height="115" /><img src="images/stelamaris.jpg" border="0" alt="" width="180" height="116" /></p>
<p class="ecxmsonormal">As ofertas não são muitas, mas pode escolher alojar-se num hotel, numa residencial ou mesmo em casa de amigos, pois as pessoas são muito acolhedoras. Caso opte passar um fim-de-semana na ilha, os preços variam entre 5.500, e 3970 por noite. O Stella Maris Village (<a href="http://www.maiocasa.com/" target="_blank"><span style="text-decoration: underline;"><span style="color: #0000ff; text-decoration: underline;"><em>www.maiocasa.com</em></span></span></a>) é a melhor opção.</p>
<p class="ecxmsonormal"><strong><br /></strong></p>
<p class="ecxmsonormal"><strong>Onde comer</strong></p>
<p class="ecxmsonormal"><strong><img src="images/atum grelhado.jpg" border="0" alt="" width="181" height="121" /><img src="images/moreia.jpg" border="0" alt="" width="181" height="121" /><img src="images/cabrito_cozido.jpg" border="0" alt="" width="182" height="121" /></strong></p>
<p class="ecxmsonormal">Para comer pode escolher os vários restaurantes da ilha, nos quais poderá saborear o inevitável atum grelhado, uma garoupa, a deliciosa moreia frita ou mesmo o petisco de búzio, sem falar numa suculenta cabritada com mandioca.  </p>
<p class="ecxmsonormal"><strong><br /></strong></p>
<p class="ecxmsonormal"><strong>Dicas de viajem</strong></p>
<p class="ecxmsonormal"><strong><img src="images/bloqueador-solar.jpg" border="0" alt="" width="167" height="110" /><img src="images/como-usar-o-protetor.jpg" border="0" alt="" width="168" height="110" /></strong></p>
<p class="ecxmsonormal">Tendo em conta que a ilha é muito quente, é importantes que leve um protector solar, água e um chapéu (nunca é demais repetir). As pessoas do Maio são hospitaleiras, por isso vai se sentir em casa: pode andar de um sítio para outro, fará muitas amizades, e quando chegar o dia da partida, já estará a sentir-se um(a) maiense.</p>]]></description>
            <link>https://expressodasilhas.cv/verao-cv/2014/09/17/djarmai-um-tesouro-por-descobrir/43028</link>
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            <category><![CDATA[Verao.cv]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Dulcina Mendes]]></dc:creator>
            <pubDate>Wed, 17 Sep 2014 17:04:00 GMT</pubDate>
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        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[Boa Vista: ‘Cabrer’ com orgulho]]></title>
            <description><![CDATA[<p><strong><em>‘Cabrer’</em></strong><strong> com orgulho</strong></p>
<p><strong>Grande parte do encanto da Boa Vista é estar rodeado por uma imensidão de areia branca e mar azul que nada ficam a dever a qualquer paradisíaca ilha do mundo. Mas, ‘Bubista’ é muito mais do que as suas belas praias. Terra de mulheres rendeiras e de exímios instrumentistas. Terra de ‘cabrers’ onde o ingrediente secreto do turismo é a simplicidade das suas gentes. Por todo o lado edificações visivelmente recentes provam que a Boa Vista é quiçá a ilha do arquipélago que melhor soube aproveitar o ‘boom’ do desenvolvimento turístico e que vai sobrevivendo à crise, renovando-se.</strong></p>

<p>Construções bem avançadas e projectos modernos dão conta do nascimento para breve do cine-teatro de Sal Rei e de um centro de artes e cultura bem no coração da cidade demonstrando a aposta nas economias criativas e no turismo cultural. Mas também não faltam vivendas, condomínios fechados, grandes hotéis e resorts de luxo para provar que Boa Vista cresceu imenso nos últimos anos.</p>
<p>Quase que diariamente aterram no aeroporto internacional Aristides Pereira voos charter e low cost trazendo centenas de turistas que de todo o mundo chegam para conhecer esse pequeno oásis.</p>
<p>Engana-se contudo quem pensa que desfrutar desta ilha paradisíaca é cada vez mais um luxo para poucos bolsos. O que não faltam são pensões e residenciais adaptados de casas de família e que por isso herdaram a simpatia e hospitalidade das suas gentes onde muito dificilmente o viajante não se sentirá em casa. Acomodações bem mais em conta e uma alternativa para quem gosta de viajar mas não tem muito para gastar.</p>
<p>Visitamos a Boa Vista numa das melhores alturas do ano. Precisamente no fim-de-semana em que acontece o Festival de música da Praia de Cruz, conhecido por ser um palco de excelência e que escolhe a dedo os músicos que por aí passam. A edição deste ano celebra trinta anos deste festival e também não foge à regra. Mas além da música de qualidade, assistimos a um festival de cores, de culturas e de vozes que ecoam em várias línguas e sotaques cumprimentando velhos amigos ou fazendo novos.</p>
<p>É boa a sensação de caminhar por entre as barracas de comes e bebes numa agradável noite de sexta-feira. São turistas, emigrantes ou gente como nós que resolveram matar as saudades da ilha que reivindica para si o nascimento da morna, expoente máximo da nossa identidade musical.</p>
<p>No curriculum esta ilha, a primeira a ser descoberta, também carrega a responsabilidade histórica de ter editado o primeiro Boletim Oficial do país em Agosto de 1842.</p>
<p>Por mais que nos agrade falar da Boa Vista temos que assumir que o melhor será ver e sentir. Ainda há tempo para colocar a mochila às costas e revisitar Bubista. Um banho nas águas calmas de Estoril ou o espectáculo natural de mergulhar perto de um dos quarenta navios encalhados nas suas águas. Um passeio de moto quad pelas dunas de Chaves ou o prazer de ir até Rabil saborear um queijinho branco e um copo de leite fresco de cabra. É só escolher.</p>
<p>Ainda que por uns dias apenas. Quem sabe no próximo final de semana? O peso da mochila será provavelmente, o único que irá sentir sobre os ombros.</p>
<p style="text-align: center;"> </p>
<p><strong>Como ir?</strong></p>
<p>Com a inauguração do Aeroporto internacional Aristides Pereira chegar à Boa Vista é cada vez mais fácil. Os voos low cost chegam diariamente da Europa e os bilhetes podem ser comprados através da internet. A TACV também tem voos quase todos os dias e há barcos que fazem ligações a partir de ilhas como São Vicente, Sal e Santiago com preços que variam dos 1500 aos 3500 escudos.</p>
<p><strong>Onde ficar?</strong></p>
<p>As ofertas são muitas e variam desde hotéis e resorts cinco estrelas até pequenas pensões e guest houses. Ou seja, uma noite na Boa Vista pode custar 1200 ou ultrapassar os 7000 escudos por pessoa dependendo da sua escolha e disponibilidade financeira.</p>
<p><strong>Onde comer?</strong></p>
<p>Assim como sítios para ficar, comer não é um problema na Boa Vista.  Aconselhamos a saborear peixe fresco e marisco. Uma opção agradável quando estiver muito calor. Há pequenos restaurantes e esplanadas nas diversas localidades onde o cardápio é variado e os preços não são exagerados.</p>
<p><strong>Dicas ao viajante</strong></p>
<p>Se vai para a Boa Vista aconselhamos a esquecer o bronzeador e optar sempre pelo protector solar. A ilha é muito árida com poucas árvores para sombra e o sol a pique tende a queimar muito a pele. Faça amizade com locais. Por ser uma ilha turística alguns preços são claramente mais elevados mas os moradores podem aconselha-lo quanto a opções mais económicas. Se gosta de desporto experimente surf ou outro desporto náutico. Uma semana de aulas para adulto ronda os oito mil escudos e são duas horas por dia.</p>
<p><object width="513" height="437" data="http://fotos.sapo.pt/swf/slideshow/slideshow.swf" type="application/x-shockwave-flash"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="slideMode" value="AlphaFade" /><param name="backColor" value="#000000" /><param name="textColor" value="#FFFFFF" /><param name="UIColor" value="#000000" /><param name="timePerPhoto" value="5000" /><param name="borderWidth" value="0" /><param name="u" value="expresso_2" /><param name="a" value="316" /><param name="server" value="cv" /><param name="limit" value="50" /><param name="flashvars" value="slidemode=AlphaFade&amp;backColor=#000000&amp;textColor=#FFFFFF&amp;UIColor=#000000&amp;timePerPhoto=5000&amp;borderWidth=0&amp;borderColor=#FFFFFF&amp;cornerRound=3&amp;u=expresso_2&amp;a=316&amp;server=cv&amp;limit=50" /><param name="src" value="http://fotos.sapo.pt/swf/slideshow/slideshow.swf" /><param name="allowfullscreen" value="true" /></object></p>]]></description>
            <link>https://expressodasilhas.cv/verao-cv/2014/09/11/boa-vista-cabrer-com-orgulho/42977</link>
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            <category><![CDATA[Verao.cv]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Expresso das Ilhas]]></dc:creator>
            <pubDate>Thu, 11 Sep 2014 10:27:00 GMT</pubDate>
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        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[São Domingos: É verde que te quero ver]]></title>
            <description><![CDATA[<p><strong>São Domingos tem potencialidade turística, como quase todos os recantos de Cabo Verde, mas o concelho não quer ser conhecido apenas pela oferta de sol e mar. Quer mais. Quer apostar num turismo de montanha e na vertente ecológica. Uma das jóias da coroa do município é a reserva natural de Monte Tchota. E foi exactamente o ponto mais alto de Santiago que o Expresso das Ilhas quis conhecer. O jornalista nem imaginava no que estava a meter-se.</strong></p>

<p> </p>
<p>Em meados dos anos 70, um inglês maluco (o senhor Bruce Chatwin) despediu-se do jornal onde trabalhava por telegrama (o Sunday Times Magazine) e embarcou para uma viagem de meses pela Argentina e o Chile, a pé ou com boleias ocasionais, levando nas costas uma mochila com dezenas de cadernos moleskine. Dessa peregrinação pela América do Sul nasceu um dos mais extraordinários livros de viagens algum dia escrito – Na Patagónia (publicado em 1977). Os críticos disseram que ele tinha embelezado demasiado a realidade.O seu biógrafo, Nicholas Shakespeare, respondeu-lhes: “ele não escreveu meia verdade, mas sim verdade e meia”.</p>
<p>Chatwin era um andarilho (como o próprio disse: “a verdadeira casa de um homem não é uma habitação, mas a estrada, e a vida em si é uma viagem que deve ser caminhada a pé”) e para conhecermos São Domingos também temos de andar. Ora, o primeiro segredo para uma caminhada é a escolha da hora. Por favor, não se metam a subir o Monte Tchota ao início da tarde, pelas 14h, como fez aqui este vosso escriba.</p>
<p>É fácil começar. A seguir à Câmara Municipal de São Domingos, vira-se na primeira rua à esquerda. Numa mercearia pergunto se estava no caminho certo e perante a anuência continuo a jornada. Quando se olha para a subida, uma estrada inclinada em paralelo sem fim à vista, começa a passar ligeiramente a vontade de dar o passo seguinte. Mas, trabalho é trabalho. Começo a ascender e quando já estava quase a deixar a zona habitada e a mergulhar no vale que se adivinhava para lá do cimo da calçada ouço: “Hey! Monte Tchota não é por aí”. Belo início. O verdadeiro caminho não fica longe, cometi o erro de ir em frente quando devia virar à direita.</p>
<p>Há um preço a pagar para subir a pé até ao Monte Tchota em pleno Agosto e ao início da tarde: em cinco minutos estamos encharcados em suor (nota para os leitores: façam-no logo pela manhã e não se esqueçam de levar t-shirts suplentes). A mochila com as duas garrafas de água (obrigatório levar), a máquina fotográfica, o moleskine (só levei um) e um livro (nem me perguntem porque levei um livro) começa a pesar. À volta é o verde e o silêncio, cenário perfeito para quem quer pensar durante um bom bocado (pensar, por exemplo: mas que raio de ideia foi esta de subir até lá ao cimo?). A meio do caminho está um Land Rover dos anos 80 parado numa das bermas. Será que, como nos filmes, seria capaz de fazer uma ligação directa? Claro que iria devolver o jipe ao dono, só queria mesmo era um transporte para chegar ao cume. Mas, mais à frente vejo uma senhora ainda jovem, a subir com dois bidões de água. Bem, se ela consegue, eu também.</p>
<p>Apesar do calor e do cansaço que começa a abater-se sobre as pernas de um fumador que não faz exercício físico há quase duas décadas, a paisagem que nos rodeia é mesmo sublime. Pinheiros, arbustos, flores pequenas e brancas, outras roxas e umas amarelas grandes que parecem pinhas ao contrário (lamento, não sei os nomes, nem tinha um botânico à mão de semear). Mas, nem tudo é pacífico. No caderninho, em letras garrafais, escrevi a frase MOSCAS CHATAS. E o calor ainda se sente. Ouvem-se os cantos dos pássaros. A t-shirt cola-se às costas. Passa uma hiace e, confesso, tenho quase a vontade de descer com ela. Mais cinco minutos e passa outra hiace, caramba, se isto não é o diabo a tentar não sei o que será.</p>
<p>Já disse que não devemos subir o Monte Tchota no pico do sol? Pois, nunca é de mais recordar esse ponto. Quase a meio da subida sento-me num muro simpático para ganhar fôlego e decidir se aguento até lá ao cimo. Passa uma senhora (salto alto com uns bons 8 centímetros) “nu bai, nu bai” encoraja-me. E eu sigo. Durante uns bons minutos somos companheiros de subida, depois corta à direita para a sua localidade e eu continuo. Como a vida de um jornalista é também feita de sorte, quando a subida começa a ficar mais íngreme pára um bom samaritano ao meu lado.</p>
<p>- Para onde vai?</p>
<p>- Tento chegar ao cimo do Monte Tchota.</p>
<p>- Não vou tão longe, mas posso dar uma boleia nos próximos 2 quilómetros, que são os mais chatos.</p>
<p>Se não fosse esta simpática boleia desconfio que não conseguiria fazer a subida com muita facilidade. Desço do carro e o caminho à minha frente é agora mais plano. O tempo é também mais fresco. A temperatura baixou uns bons dez graus. Está bom para continuar. Nas bermas ouve-se um restolhar contínuo. Descobre-se a seguir o porquê: gafanhotos, dezenas e dezenas deles. Mas, pode-se caminhar perfeitamente pelo meio da estrada. Praticamente não há trânsito e o que passa ouve-se bem à distância.</p>
<p>A paisagem é mesmo de cortar o fôlego. Olhando para trás, ao fundo, vê-se Várzea da Igreja banhada pelo sol. Dos lados, o verde e o castanho das árvores rodeados pelas cores das flores, em frente, vêem-se recortados os cumes das várias montanhas. O silêncio é tanto que se ouvem as vozes dos agricultores nas encostas e o som do ferro da enxada a bater na terra. Há um vento fresco mas agradável que restitui a energia do caminhante.</p>
<p>Um cão vadio desce não sabe de onde e vem ver quem é o forasteiro suado. Aparece um segundo cachorro, ambos mais curiosos do que ameaçadores. Aproximam-se, cheiram, abanam as caudas, levam uma festa atrás da orelha e seguem caminho. Do fundo do vale as pessoas a sobem até à estrada, transportando as colheitas ou água na cabeça. Passa mais uma hiace, ‘Vá com Deus’ pode ler-se no pára-brisas, acredito que esta estrada é óptima para converter o mais acérrimo ateu.</p>
<p>Numa rocha, do lado esquerdo, aparece pintada uma seta e Rui Vaz escrito por cima, as letras desbotadas pelo tempo. Mais à frente, num penedo semelhante, estão meia dúzia de nomes: Jessica, Nenê… coitados, devem ser os que não conseguiram chegar lá cima. Mais uns passos e aparece em branco brilhante a sigla ‘FBI’, malditos serviços secretos, estão em todo o lado.</p>
<p>Distraídos pelo verde, pelos sons da natureza e por pensamentos próprios chega-se ao cimo quase sem dar conta. Sentimo-nos como Sir Hillary quando conquistou o Everest, apetece espetar uma bandeira, fazer uma dancinha da vitória, levantar os braços e gritar ‘I’m the king of the world’. Ou pode optar por respirar apenas o ar puro da montanha em vez de fazer figuras tristes. Começo a pensar em ligar para a minha boleia, o que seria uma ideia brilhante se tivesse rede. No ecrã do telemóvel, nem um tracinho para contar a história. Enquanto fumava um cigarro, pensava nas opções. Na verdade, tinha apenas duas: converter-me no eremita da montanha ou fazer o caminho outra vez. Optei pela segunda, e foi mais fácil porque é quase sempre a descer. Já fiz exercício físico para os próximos três meses.</p>
<p>Com o espírito de Chatwin sempre presente, faltava experimentar a boleia até à Praia, mas isso fica para a próxima, estava com tanta vontade de chegar a casa que apanhei a primeira hiace para a capital, na esperança de ser a mesma onde o André andou há duas semanas e que me transportasse à velocidade da luz. A verdade é que durante o regresso os bancos da Toyota não pararam de tremer (a minha letra no caderno comprova-o) não por causa da velocidade, mas sim devido ao funaná atordoador no interior. Dormi como um anjinho até à paragem em Sucupira.</p>
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<p><strong>História de São Domingos</strong></p>
<p>São Domingos fica mesmo às portas da Praia. Dez minutos de carro e chegamos ao concelho, uma extensão territorial de 134,6 Km², que corresponde aproximadamente a 13,6% do território da Ilha e a 3,3% do território nacional. A população é de aproximadamente 13.800 habitantes, segundo o Censo de 2010, distribuídos em duas Freguesias com 27 localidades.</p>
<p>As localidades de Ribeirão Chiqueiro, Milho Branco e Várzea da Igreja, com maior densidade populacional e com algumas características urbanas, são consideradas o “Espaço Central de São Domingos” pelo respectivo Plano de Desenvolvimento Urbano, sendo as demais comunidades muito dispersas.</p>
<p>O turismo é um dos sectores com potencial de crescimento. As autoridades locais dizem-me que se for promovido de forma sustentável, pode contribuir para o desenvolvimento estratégico do município e na melhoria da qualidade de vida das populações.</p>
<p>Em zonas como Praia Baixo, praia de Mangui ou na Prainha, em S. Francisco, pode-se praticar o turismo de sol e praia, beneficiando, no primeiro e no último caso, daquelas localidades terem infra-estruturas hoteleiras e similares de alguma qualidade.</p>
<p>Já a localidade de Rui Vaz e a Reserva Natural de Monte Tchota, localizada na zona alta da ilha tem excelentes condições para a prática de turismo de montanha e turismo ecológico.</p>
<p>O artesanato e a olaria produzidos localmente são muito procurados pelos turistas e constituem imagem de marca de São Domingos e da ilha de Santiago, apesar de serem actividades pouco expressivas em termos económicos.</p>
<p>Apesar do turismo em S. Domingos se encontrar numa fase embrionária, os poderes locais consideram existem boas condições naturais e ambientais para o seu desenvolvimento.</p>
<p>Existem vários espaços para exploração turística, como são os casos de Ribeirão de Cal, onde se encontra uma gruta com alto valor científico e uma das Maravilhas de São Domingos, ou as achadas Mitra, Vale da Custa, Móia-Móia, locais com condições naturais para a construção de campos de golfe e cadeias de hotéis.</p>
<p>Em Várzea da Igreja, a maior localidade, a oferta turística é também ainda reduzida. Para comer, pode-se optar pela Churrasqueira Xinda, praticamente o único restaurante da vila. Quando lá parei estava com uma certa fome, mas não foi só por isso que a comida me pareceu deliciosa. A carne era tenra e bem temperada por um molho de tomate e pedaços de salsa fresca. A salada era competente e fresca e o arroz estava cozido no ponto certo e com um sabor óptimo. No final, o preço ficou-se por uns simpáticos 800$ (com bebida e café incluído).</p>
<p>Se queremos só petiscar, então a opção deve ficar pelos conhecidíssimos pastéis de milho que podemos comprar logo na entrada da vila. A boa notícia é que a câmara prepara-se para requalificar esse espaço, construindo um quiosque e esplanadas para que todos os fabricantes de pastéis do concelho possam vender os seus produtos em melhores condições para todos. Principalmente para os clientes, que assim ficarão com um local de paragem e descanso.</p>
<p>Outro dos projectos que poderá arrancar em breve é o do Parque de Campismo radical, em Rui Vaz. Neste momento, o estudo já está a ser feito e aguarda-se apenas o parecer do Ministério do Ambiente. Pode vir a ser uma realidade em 2015.</p>
<p>Mas, Sâo Domingos é também um concelho de música e de músicos: é o local de origem de Anu Nobu, compositor de funanás, mas também de morna, coladeira e ainda merengue, cúmbia e samba; e é também o lugar de nascimento de Codé di Dona, exímio acordeonista e autor de clássicos como "Febri Funaná", "Fomi 47", "Praia Maria", "Yota Barela", "Rufon Baré" e "Pomba". Hoje, em Água de Gato, a cinco minutos de Várzea da Igreja, os jovens músicos de São Domingos, que se chamam a si mesmos de ‘Herdeiros’, juntam-se quase todos os fins de semana para tocar. Vale a pena ir lá desenferrujar as pernas.</p>]]></description>
            <link>https://expressodasilhas.cv/verao-cv/2014/09/04/sao-domingos-e-verde-que-te-quero-ver/42930</link>
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            <category><![CDATA[Verao.cv]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Jorge Montezinho]]></dc:creator>
            <pubDate>Thu, 04 Sep 2014 11:03:00 GMT</pubDate>
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        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[Sentonton: mut mej kum bom grog]]></title>
            <description><![CDATA[<p><strong>Ora bem, para início de conversa, diga-me lá como é que estão essas pernas? Em forma? Ou cheias de preguiça? Não me leve a mal, mas é que o nosso destino desta semana não espera de si menos do que muita vontade de caminhar.</strong></p>
<p>Um fim-de-semana é coisa pouca para se conhecer Santo Antão. A cada visita, vai descobrir um novo recanto preferido, um outro lugar indescritível, uma paisagem capaz de o deixar sem fôlego. A Natureza foi generosa com a “ilha das montanhas” e, por isso, não é possível ir, sem querer voltar.</p>

<p> </p>
<p>Em rigor, não é só a experiência natural que cativa. Santo Antão tem nas suas gentes outro recurso valioso. A sua genuinidade, que se revela nos pequenos gestos, tanto como na gradeza de carácter, fazem deste local um ponto de passagem obrigatório. Quer conhecer essa coisa da morabeza? Venha cá.</p>
<p>A proximidade com São Vicente – a menos de uma hora de barco – transforma a ilha montanhosa num destino privilegiado para escapadinhas de fim-de-semana (mas mesmo se está mais longe, acredite que vale a pena). A ilha do Monte Cara e a vizinha mais a norte têm uma relação antiga e a sua história confunde-se, mas faça o favor de não achar que é tudo a mesma coisa. O santantonense tem muito orgulho na sua origem.</p>
<p>Os caminhos vicinais, mesmo quando pouco ou nada cuidados, e ainda menos assinalados, são diariamente percorridos por dezenas de amantes deste tipo de experiência. Que o digam os turistas – cada vez em maior número – que procuram em Santo Antão umas férias diferentes. O turismo de natureza é, entre nós, um nicho em crescimento.</p>
<p>Se lhe apetecer apenas uns dias de sol e mar, esqueça. Claro que também há praias e sol é coisa que não falta, mas a visão é demasiado redutora. Se a ideia é passar a tarde inteira de ‘papo para o ar’, há destinos mais adequados. Santo Antão precisa de tempo e desprendimento. Esqueça o supérfluo e concentre-se no essencial, na relação do homem com a terra. É disso que deve vir à procura: do reencontro com o princípio das coisas, mesmo que o seu história em nada se confunda com o desta ilha imponente.</p>
<p>Acredite quando lhe digo que, a espaços, vai ficar sem fôlego. Vai olhar em frente e dizer “uouuu”. Aí, meu amigo, o melhor é abrir a mochila, tirar discretamente a garrafinha de grogue que lá tem ‘gatchod’ e sossegar o espírito até ao próximo espanto (nada de exageros, pois sabe perfeitamente que aguardente em excesso condena o corpo e não salva a alma).</p>
<p>Em Santo Antão, o truque é admirar o imenso e procurar o detalhe. Percorra as montanhas com um olhar atento e pergunte-se: “mas como é que aquela gente foi ali parar?”. Há casas e povoações nos sítios mais inacreditáveis. Na ilha de Roberto Duarte Silva, mas também de Ize, Menel, Meria , Nhô Antoninha, Polina e Jonzim, a vida ainda é um desafio. Para nós, há-de ser uma lição.</p>
<p> </p>
<p> </p>
<p style="text-align: center;"><strong>Um fim-de-semana para tonificar os glúteos</strong></p>
<p align="center"><em><br /></em></p>
<p align="center"><em><img src="images/sa2.jpg" border="0" alt="" width="605" height="402" /></em></p>
<p align="center"><em>Ponta do Sol, concelho da Ribeira Grande</em><strong><em></em></strong></p>
<p>A ideia é esta: depois deste fim-de-semana, pode cancelar a inscrição no ginásio ou suspender as caminhadas no calçadão. Das duas uma, ou está em forma e nem vai notar o esforço, ou andou a molengar nas últimas semanas e na segunda-feira não vai conseguir carregar nem a sua própria existência.</p>
<p>Chegar a Santo Antão implica uma viagem de barco a partir de São Vicente e até Porto Novo. Se não tem um espírito marinheiro, passe na farmácia e compre Vomidrine. Às vezes, o mar está agitado, mas como não o quero desencorajar, imagine que faz parte da experiência.</p>
<p>Compre bilhete para uma das ligações da tarde. À chegada, repare no porto, recentemente remodelado. O velhinho terminal de passageiros foi substituído por um edifício novo, cheio de vidro, como agora é moda. Nos dias de muito calor, além de sala de espera, funciona também como sauna, mas isso é apenas um detalhe. É moderno, e isso é que conta.</p>
<p>Saindo do terminal, vai encontrar várias Hiaces, com destinos diferentes. Os condutores são bastante pró-activos na prospecção de mercado, mas não ao ponto de um jornalista espanhol se sentir assaltado (piada que exige a leitura prévia de um certo texto da concorrência).</p>
<p>Hoje dormimos em Porto Novo. Se não tem um primo na cidade, procure uma das residenciais que existem, ou o hotel – um dos melhores do país, dentro do género. Depois do ‘check in’, tem três opções: se ainda estiver enjoado da viagem, deitar-se e recuperar; sair e passear pela cidade; procurar um carro e subir até Lajedos.</p>
<p>Todo o Planalto Norte merece atenção (eu avisei que isto não ia lá com um fim-de-semana), mas se conseguir, depois de Lajedos, siga caminho, pelo menos, até Alto Mira. A vista é maravilhosa.</p>
<p>De regresso a Porto Novo, é hora de procurar um sítio para jantar. À dimensão da cidade, a oferta é relativamente vasta. Procure, mesmo a pé, o restaurante que mais lhe agradar. Tenha alguma paciência – já sabe que o serviço nem sempre é o mais rápido – e relaxe.</p>
<p>O segundo dia começa [cedo] com um regresso ao cais, mas para apanhar uma boleia via estrada velha. Hoje é o dia! Desça na Cova, inspire o ar puro e comece a descida pelo Vale do Paul. Se não tem um bom sentido de orientação, contrate um guia (as agências turísticas locais indicam-lhe um, se necessário). Eu espero por si lá em baixo (que não fiz mal a ninguém).</p>
<p>Vai levar algumas horas a fazer o percurso, mas a descer, já se sabe, todos os santos ajudam. Tenha calma, veja onde põe os pés, vá parando para descansar e mantenha-se hidratado. Santo Antão saboreia-se lentamente.</p>
<p>A Cidade das Pombas, sede do município do Paul, e ponto final na caminhada, é um lugar pitoresco, pequeno, à beira-mar. O barulho das ondas acompanha cada passo. É aqui que almoçamos.</p>
<p>O segundo dia terminará na Ribeira Grande – a partir das Pombas encontra transporte durante praticamente todo o dia. É pena que nos falte tempo, uma ida a Chã de Igreja ou Cruzinha são fundamentais.</p>
<p>A manhã de domingo é dedicada a Ponta do Sol. Sede de município, a dez minutos de carro da Ribeira, Ponta do Sol é um lugar pacato. A cidade (Cabo Verde tem muitas cidades, com se percebe) foi construída de tal forma que todos os caminhos vão dar ao mar. Este é também um daqueles lugares que podia ser muito mais do que aquilo que é.</p>
<p>Almoçamos em Ponta do Sol (eu sou convidado, não vale a pena partir a conta) e preparamo-nos para regressar. Primeiro, à Ribeira Grande e daí, de Hiace, até ao Porto Novo. Não nos despedimos. Ainda nos vamos reencontrar por cá.</p>
<p> </p>
<p> </p>
<p><object style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" width="400" height="300" data="http://fotos.sapo.pt/swf/slideshow/slideshow.swf" type="application/x-shockwave-flash"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="slideMode" value="AlphaFade" /><param name="backColor" value="#000000" /><param name="textColor" value="#FFFFFF" /><param name="UIColor" value="#000000" /><param name="timePerPhoto" value="5000" /><param name="borderWidth" value="0" /><param name="u" value="expresso_2" /><param name="a" value="314" /><param name="server" value="cv" /><param name="limit" value="50" /><param name="flashvars" value="slidemode=AlphaFade&amp;backColor=#000000&amp;textColor=#FFFFFF&amp;UIColor=#000000&amp;timePerPhoto=5000&amp;borderWidth=0&amp;borderColor=#FFFFFF&amp;cornerRound=3&amp;u=expresso_2&amp;a=314&amp;server=cv&amp;limit=50" /><param name="src" value="http://fotos.sapo.pt/swf/slideshow/slideshow.swf" /><param name="allowfullscreen" value="true" /></object></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Como ir?</strong></p>
<p>Para chegar a Santo Antão deve apanhar o barco em São Vicente. Há, em média, quatro viagens por dia, pelo que não é complicado conseguir lugar. No entanto, tome atenção às épocas festivas, onde as passagens costumam esgotar. A Naviera Armas é a empresa há mais tempo na linha e também o operador a mais regular.</p>
<p> </p>
<p><strong>Onde ficar?</strong></p>
<p>Santo Antão tem uma considerável oferta hoteleira. Guest Houses, residenciais, pensões e um hotel, em Porto Novo. Se procura uma verdadeira experiência no meio na natureza, procure alojamento nas montanhas. O Pedracin Village, em Boca de Coruja (Ribeira Grande) é uma das opções mais populares.</p>
<p> </p>
<p><strong>Onde comer?</strong></p>
<p>Nas cidades existem diferentes opções de restauração. No interior, a oferta é menor, mas é possível encontrar casas particulares que servem refeições aos viajantes. Acredite que a hora de almoço é uma das melhores alturas para experimentar a generosidade das gentes da ilha.</p>
<p> </p>
<p><strong>Dicas ao viajante</strong></p>
<p>Se vai para Santo Antão à procura de um contacto directo com a natureza, não se esqueça das coisas básicas: calçado confortável, roupa fresca, água e um pequeno lanche. Se não conhece os trilhos, não se aventure demasiado. Peça ajuda a um guia. Note que nem toda a ilha tem cobertura de rede móvel.</p>]]></description>
            <link>https://expressodasilhas.cv/verao-cv/2014/08/29/sentonton-mut-mej-kum-bom-grog/42874</link>
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            <category><![CDATA[Verao.cv]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Alexis Cardoso]]></dc:creator>
            <pubDate>Fri, 29 Aug 2014 12:36:49 GMT</pubDate>
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        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[Tarrafal e Calheta de São Miguel; Mar, história e tradição de mãos dadas]]></title>
            <description><![CDATA[<p><strong>A zona norte de Santiago, especialmente o Tarrafal e a Calheta de São Miguel têm grandes potencialidades turísticas. Potencialidades que não têm passado disso mesmo. Para os empresários do sector tudo se deve à falta de divulgação e ao investimento, quase exclusivo, nas ilhas do Sal e Boa Vista.</strong></p>
<p>Da última vez que estive no Tarrafal as ruas estavam cheias de gente, ouvia-se falar português, crioulo, holandês, francês e inglês. Eram as festas de Nhô Santo Amaro e a cidade vibrava com pessoas vindas de todos as origens. Da diáspora e de Cabo Verde.</p>

<p> </p>
<p>Os hotéis estavam cheios. Arranjar um quarto foi um desafio. Foi nessa altura que conheci o Tarrafal Residence. Não fiquei lá alojado porque, à semelhança de quase todos os outros, estava cheio.</p>
<p>Voltei lá agora. Para um fim-de-semana.</p>
<p>Ia saber bem sair da Praia, deixar para trás a confusão da capital e descontrair.</p>
<p>Chegar ao Tarrafal é, hoje, bem mais fácil do que há meia dúzia de anos atrás. Quase todo o percurso é feito em estrada alcatroada. Um alcatrão que permite observar a mudança da paisagem desde que se sai da Praia em direcção a norte passando por São Domingos, Órgãos e Santa Catarina antes de subir e descer a Serra da Malagueta e chegar ao Tarrafal.</p>
<p>Chegar ao Tarrafal é dar de caras com a história. De Cabo Verde e também de Portugal e das suas ex-colónias. “Campo de Trabalho de Chão Bom”. Assim lhe chamava, de forma eufemística, o regime salazarista que ali condenou a uma morte lente centenas de opositores ao regime fascista e também combatentes da liberdade da Guiné Bissau, de Angola e de Cabo Verde. Uma ordem imposta pelo número de detidos de cada um destes países.</p>
<p>“Se quer entrar são 100 escudos”, diz automaticamente a guardiã dos portões do campo. Não Tem traje militar mas o tom de voz põe qualquer um em sentido.</p>
<p>Já não é a primeira que aqui venho. Já não são os primeiros cem escudos que entrego a esta mulher que mal me olha e se limita a estender a mão enquanto espera que lhe dê a moeda. E tem de ser o valor exacto, porque troco está difícil.</p>
<p>Entro. Já se passaram 40 anos sobre o 25 de Abril e 39 sobre a independência. Mas ainda hoje este campo de trabalho de Chão Bom tem uma atmosfera especial, pesada.</p>
<p>A crueldade dos homens está espelhada na primeira sala em que se entra. “Não estou aqui para curar doenças. Mas sim para assinar certidões de óbito”, declarou certa vez o médico do campo de concentração. E era isso que se fazia aqui. Morria-se. Devagar.</p>
<p>“Isso é tudo uma mentira pegada”, protesta um dos habitantes do Tarrafal. Do alto dos seus 79 anos (ou seriam 78? Ele próprio afirma não ter a certeza) diz-me que “nunca ninguém morreu, nunca ninguém foi torturado” e afasta-se protestando contra “estes turistas que vêm para aqui a querer dar lições de moral”.</p>
<p>Eu, sem moralismos, continuo a achar que a Holandinha, a cela de isolamento do campo de concentração, não devia ser um sítio agradável para se passar uns tempos se estivesse preso no campo do Tarrafal. Imagine que o fechavam numa caixa de cimento com menos de 1,80 de altura, sem iluminação e apenas um buraco de 20 centímetros para comunicar para o exterior. Depois diga se não era uma forma de tortura.</p>
<p>O caminho entre o campo de concentração e a cidade do Tarrafal tinha-o feito a pé. Fora na chegada à cidade que resolvera falar com o ancião que me apelidara de moralista.</p>
<p> </p>
<p>Feito o check in, almoço no Tarrafal Residence. À sombra e numa esplanada virada para o mar. O menu promete. Dominado pelos peixes e mariscos percebo que um almoço para uma pessoa ficará aqui bem mais barato que o mesmo menu na Praia.</p>
<p>As doses são generosas, por isso se não é dado a grandes banquetes pode sempre optar por dividir o prato que escolher. Ah e não é todos os dias que encontra um restaurante que tem um engenheiro mecânico como <em>chef</em>.</p>
<p>É durante este almoço virado para o mar que vejo alguns barcos que regressam da pesca. “Moreia, garoupa, esmoregal… apanha-se de tudo um pouco. Atum também, mas cada vez menos”, diz-me Luisinho, “pescador há mais de 40 anos”.</p>
<p>Homem do mar e construtor de barcos, Luisinho garante-me que consegue fazer um barco entre os 5 e os 8 metros em pouco mais de um mês. “40 dias para fazer um barco de madeira e fibra”, explica-me.</p>
<p>Mas a pesca já não é o que era. “Isto já não dá dinheiro, vendemos um quilo de peixe a 250$00 e actualmente não apanhamos mais de oito quilos de peixe por dia”, desabafa o pescador de olhos postos no mar.</p>
<p>O céu está encoberto e ameaça desfazer-se em chuva. Mas nada disso afasta os banhistas. O areal está cheio de gente vinda da Praia, da Calheta ou da Assomada. Ao longe ouve-se um rádio. Funaná. Há quem dance no areal. Há quem veja, sorria e aplauda.</p>
<p>O Tarrafal vale a pena. Quanto mais não seja pela praia.</p>
<p>Domingo. Dia de regresso.</p>
<p>Primeiro destino, Calheta de São Miguel. No largo principal do Tarrafal apanho uma Hiace. Damos pelo menos cinco voltas ao centro da cidade à procura de passageiros. Digo pelo menos porque depois desisti de contar.</p>
<p>Carrinha cheia. É hora de partir e quase posso jurar que, quando deixamos o Tarrafal rumo à Calheta de São Miguel, ouvi o condutor dizer “Warp drive Mr. Sulu”, tal foi a velocidade a que fizemos a viagem.</p>
<p>São 10h30 quando chego à Calheta. O centro da cidade agita-se com a feira semanal. Tudo se vende, tudo se compra.</p>
<p>Conforme me afasto da zona central da cidade, o caos urbanístico vai aumentando.</p>
<p>A Calheta, a cidade, tem pouco para ver. Mas está próxima de pontos de interesse para quem gosta turismo de montanha e aventura. A Ribeira de Principal fica a poucos quilómetros e a aldeia dos Rabelados a pouco mais de 15 minutos de carro.</p>
<p>Percorro a pé a principal avenida da cidade e no meio de tanta casa inacabada surge um pequeno oásis. Porque é assim que se pode chamar o hotel Vila Morgana.</p>
<p>16 pequenas casas nas encostas de uma ribeira e viradas para o mar, capazes de fazer esquecer a paisagem exterior da cidade.</p>
<p>À frente, no fundo da ribeira, estende-se o mar. O imenso Atlântico.</p>
<p>Mas quem aqui vem não procura férias de praia e sol. A maior parte dos turistas que hoje aqui estão são alemães que vieram, segundo contam alguns deles explorar, a pé, as montanhas e as ribeiras do interior de Santiago. Talvez isso explique os pequenos-almoços que lhes enchem os pratos. Cachupa guisada, ovos mexidos, pão, queijo, fiambre e sumos naturais para acompanhar.</p>
<p>A tradição tem aqui um porto de abrigo. A culinária procura manter-se o mais fiel possível às tradições cabo-verdianas e por isso muita da comida é ainda feita “a lenha”, como se costuma dizer.</p>
<p>Este domingo avança lentamente. Aqui o tempo parece abrandar e permite o descanso que muitas vezes não se tem nas cidades grandes. Mas é tempo de regressar. Tempo de voltar à capital.</p>
<p>De volta à avenida principal da Calheta de São Miguel aguardo que uma nova Hiace apareça para me levar de volta à Praia. A primeira que surge passa por mim como se eu não existisse e à segunda tentativa consigo o desejado transporte em direcção a casa.</p>
<p>Entre a Calheta e a Praia mais uma dose de aventura. Porque viajar de Hiace em Santiago é isso mesmo, uma aventura que, desta vez, incluiu uma paragem abrupta para que o condutor pudesse comprar uma galinha e uma troca de carrinha em Santa Cruz por causa de uma avaria repentina e de que só o motorista se apercebeu.</p>
<p>“É domingo”, pensei eu, “não tenho pressa em chegar”. 15 minutos depois estava na Praia.</p>
<p><object style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" width="432" height="325" data="http://fotos.sapo.pt/swf/slideshow/slideshow.swf" type="application/x-shockwave-flash"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="slideMode" value="AlphaFade" /><param name="backColor" value="#000000" /><param name="textColor" value="#FFFFFF" /><param name="UIColor" value="#000000" /><param name="timePerPhoto" value="5000" /><param name="borderWidth" value="0" /><param name="u" value="expresso_2" /><param name="a" value="313" /><param name="server" value="cv" /><param name="limit" value="50" /><param name="flashvars" value="slidemode=AlphaFade&amp;backColor=#000000&amp;textColor=#FFFFFF&amp;UIColor=#000000&amp;timePerPhoto=5000&amp;borderWidth=0&amp;borderColor=#FFFFFF&amp;cornerRound=3&amp;u=expresso_2&amp;a=313&amp;server=cv&amp;limit=50" /><param name="src" value="http://fotos.sapo.pt/swf/slideshow/slideshow.swf" /><param name="allowfullscreen" value="true" /></object> </p>
<p> </p>
<p><strong>Como ir?</strong></p>
<p>De carro é sempre mais confortável e viaja-se ao ritmo que se quiser. Mas de Hiace é sempre, como já disse, uma aventura. E mais barato. Muito mais barato. Por 450$00 faz-se a viagem Praia-Calheta-Tarrafal. Se pensar que de táxi, a viagem até ao Tarrafal custa cerca de 4000$00 fica tudo dito. Por isso Mr. Sulu, agora sou eu que digo, “Warp drive”.</p>
<p> </p>
<p><strong>Onde ficar?</strong></p>
<p>No Tarrafal a oferta hoteleira é variada. Sítios onde ficar, desde pensões, residenciais, hotéis e até apartamentos privados abundam. Assim como os preços. O Tarrafal Residence oferece, em regime de alojamento e pequeno-almoço, um leque de preços que começa nos 3000$00 por dia e que vai até aos 8000$00. Na Calheta de São Miguel, a Vila Morgana é paragem obrigatória. Pelo local, pela paisagem, pelo alojamento.</p>
<p> </p>
<p><strong>Onde comer?</strong></p>
<p>Estando em locais à beira-mar impõe-se que o menu seja de peixe. No Tarrafal há restaurantes capazes de satisfazer todos os gostos. Desde esplanadas a restaurantes. O peixe é, como se disse, obrigatório e no Tarrafal Residence é ele que domina no menu. Os preços, dos pratos de peixe, começam nos 800$00 e sobem até aos 1300$00, e aqui já estaria a pedir lagosta. Se estiver na Calheta e quiser optar por um menu ‘di terra’ no Vila Morgana a comida tradicional está sempre presente.</p>
<p> </p>
<p><strong>Dicas ao viajante</strong></p>
<p>Tanto Tarrafal como a Calheta disponibilizam caixas Vinti4 e máquinas de pagamento automático na maior parte dos estabelecimentos comerciais e restaurantes. Farmácias, lojas e supermercados permitem compras de última hora para o viajante mais incauto.</p>
<p>Quanto à segurança, basta dizer que no Tarrafal ainda são muitos os que saem de casa sem deixarem a porta de casa trancada.</p>
<p>Se quiser pode também reservar pacotes de passeios que o levam a conhecer melhor o interior da ilha. A Executiv Tour tem pacotes que o levam a conhecer a aldeia dos Rabelados ou os recantos mais es- condidos da Serra da Malagueta.</p>]]></description>
            <link>https://expressodasilhas.cv/verao-cv/2014/08/20/tarrafal-e-calheta-de-sao-miguel-mar-historia-e-tradicao-de-maos-dadas/42825</link>
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            <category><![CDATA[Verao.cv]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[André Amaral]]></dc:creator>
            <pubDate>Wed, 20 Aug 2014 16:52:05 GMT</pubDate>
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        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[Calma, isto é Mindelo]]></title>
            <description><![CDATA[<p><strong>Quem não conhece o Mindelo, não conhece Cabo Verde. Não somos nós que o dizemos, mas garantimos que é a mais pura das verdades.</strong></p>
<p>Vá lá, seja sincero connosco: quando alguém lhe diz "São Vicente", qual é a primeira coisa que lhe vem à cabeça? (ou a segunda, depois do "ninguém-sabe-ao-certo-o-que-é-que-é-isso-de-cluster-do-mar") Festa? Aliás, paródia? Está certo! Nesta ilha qualquer motivo é bom para celebrar. E se, por mera casualidade, não há nenhuma razão aparente, inventa-se.</p>

<p> </p>
<p>Faz-se, por exemplo, Março em Agosto e enche-se as ruas da morada com um carnaval de verão. Não se deixe enganar: para o mindelense típico a vida é mesmo uma festa. E não há mal nenhum em preferir encarar os dias (às vezes difíceis) com um sorriso na cara. Agora, se acha que São Vicente é só isto, anda mesmo muito distraído.</p>
<p>Comecemos pela história – não desista, é só um parágrafo. Das nove ilhas povoadas, a do Monte Cara foi a última a receber gente. A cidade do Mindelo, propriamente dita, foi mandada construir já no século XIX. Aqui se instalaram algumas das principais companhias de carvão mineral da altura. A movimentação de pessoas de diferentes nacionalidades deu-lhe um toque cosmopolita, que ainda hoje se sente.</p>
<p>As ruas do centro histórico estão cheias de gente de diferentes origens. Nacionais, imigrantes e turistas (desde velhotes de bengala, a formosas europeias, com um escaldão de louvar a Deus: "you need to use sun protector, baby")</p>
<p>São Vicente combina o melhor de todo o país e é por isso o destino ideal para quem procura mais do que sol e mar. Quer praia? Tem. Quer caminhar? Pode. Quer cometer excessos e arrepender-se no dia seguinte? Também pode, mas não deve (desconfiamos que o seu fígado não vai gostar nada da brincadeira). Quer umas aulas de história e uma experiência urbana? Possível.</p>
<p>Praias. Assim à primeira vista tem quatro hipóteses óbvias. Laginha, na cidade; Praia Grande, no Calhau, a vinte minutos; Baía da Gatas, a quinze; e São Pedro, a dez. Se sente que há em si um Indiana Jones de Ribeira Bote ou um James Bond 'di' Lém Ferreira, então pode ousar ir até Palha Carga ou Flamingo (atenção que aqui, dada a proximidade com a lixeira, e depois das chuvas, as moscas podem ser um problema).</p>
<p>Se o que lhe apetece é gastar a sola dos sapatos, experimente meter-se a caminho até ao vulcão de Viana (está extinto, ok?), onde é possível descer até à cratera. Se o vulcão não lhe basta, siga em direcção a Santa Luzia de Terra e faça um piquenique numa das sombras que o local oferece. As duas opções partem da estrada para o Calhau.</p>
<p>Mas se o que quer mesmo é uma cidade como Cabo Verde não tem igual, deixe-se ficar pelo Mindelo. Se é sua primeira vez em São Vicente (como é que conseguiu chegar a essa idade sem conhecer o Mindelo?), saiba que a cidade se vê em poucas horas, mas só se conhece ao fim de alguns meses. Portanto, das duas uma, ou veio para ficar, e então não vale a pena ter pressa, ou esqueça os planos para as férias dos próximos cinco anos: vai querer voltar uma e outra vez.</p>
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<p><br /><img src="images/mindelo_2014.jpg" border="0" alt="" width="465" height="348" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" /></p>
<p><strong>O Mindelo em 90 minutos</strong></p>
<p>O Mindelo é uma cidade pequena, mas ainda assim com muito para ver. Ponha qualquer coisa confortável nos pés, não queremos choradinhos.</p>
<p>Começamos pela Praça Dom Luís. Entre logo na Casa Café Mindelo, um daqueles sítios que vem em todos os guias turísticos. Pode sentar-se e consumir, mas também pode só entrar, olhar e voltar a sair. Se alguém lhe perguntar alguma coisa, assobie ou finja que só fala estrangeiro.</p>
<p>Subindo a rua, chegamos aos Paços do Concelho. Imaginando que não quer comprar um terreno, podemos virar à direita e dar de caras com a igreja. Escolha uma das ruas e desça em direcção à Praça Estrela.</p>
<p>A Praça Estrela é um sítio óptimo para comprar roupa e sapatos contrafeitos, electrónica barata e artesanato da costa ocidental africana (como se fosse de Cabo Verde). Mais, se por esta altura já sente como que um rato no estômago, das duas, uma: está com lombrigas ou cheio de fome. Pode então optar por comer uma cachupa guisada num dos bares da praça, ou entrar no pelourinho e comprar frutas e legumes.</p>
<p>Seguindo caminho, viramo-nos para o mar. O objectivo é chegar à Rua de Praia. Ignore o cheiro, que às vezes não é o melhor, e concentre-se no movimento: pescadores, vendedoras, clientes e desocupados. Repare em quem já bebeu demasiado grogue e se quiser experimentar – por sua conta e risco – entre no Botequim Boca de Tubarão.</p>
<p>Se, como nós, optou por um estilo de vida saudável, troque a bebida pelo peixe. Entre no mercado, observe com atenção os tipos de peixe e a suas cores. Atente também às suas calças, para ter a certeza de que não está a limpar o chão com elas.</p>
<p>Continuamos pela Rua de Praia, passamos novamente pela praça Dom Luís e avançamos mais trinta metros. Eis o Centro Cultural do Mindelo, antiga alfândega, e a Biblioteca Municipal. Vire à direita.</p>
<p>Estamos na Rua de Lisboa. Há alguns anos, ao subir em direcção ao Palácio do Povo (em frente, pintado de cor-de-rosa) encontrava uma série de cafés emblemáticos: Portugal, Royal, Katem, Lisboa e Algarve. Desses, restam os três últimos. Havia também lojas tradicionais, que hoje se tornaram tradicionalmente chinesas (duas certezas sobre o Mindelo: quando uma loja fecha, abre sempre um chinês; em Agosto o fiambre acaba nas lojas). É também na rua de Lisboa que fica o Mercado Municipal. O edifício merece uma visita.</p>
<p>Concluída a volta pela artéria mais famosa da cidade, a ideia é perder-se durante um bocado. Encontramo-nos em meia hora na Praça Nova. Aproveite o intervalo que lhe damos para reparar na arquitectura e nas cores das casas antigas. Por favor, tente ignorar as construções 'pós-modernas' e os edifícios em ruínas. Mindelo é património nacional, mas nem sempre as autoridades se lembram disso.</p>
<p>A Praça Nova (na foto) é o grande ponto de encontro da cidade. Sente-se, descanse as pernas e aprecie o movimento. Se, por acaso, é domingo, e a tarde está a chegar ao fim, pode ser que consiga ouvir a banda municipal no coreto (alerta: nem sempre é um exemplo de afinação, mas os músicos dão o seu melhor).</p>
<p>Valeu a pena?</p>
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<p><img src="images/comoir.jpg" border="0" alt="" width="137" height="109" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" /></p>
<p><em><strong>Como ir?</strong></em><br /><em>Para quem está em Cabo Verde, o Mindelo tem ligações aéreas diárias, através da TACV, a partir da Praia e do Sal. Uma vez por semana há um voo directo de São Nicolau. Se prefere ou tem que viajar de barco, as ligações marítimas de e para Santo Antão são regulares, várias vezes ao dia. Quanto às outras ilhas, pode ser que tenha sorte.</em></p>
<p><em><br /></em></p>
<p><img src="images/ondeficar.jpg" border="0" alt="" width="130" height="130" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" /><br /><strong><em>Onde ficar?</em></strong><br /><em>São Vicente tem alojamentos para todos os gostos. A residencial Mindelo é das opções melhor localizadas, com vista para a rua de Lisboa. Além disso, há hotéis, pensões, guest houses e apartamentos para todos os gostos e todas as bolsas. Também é possível dormir fora da cidade, nomeadamente no Lazareto, Baía das Gatas e São Pedro. Os preços começam nos 1500$00.</em></p>
<p><em><br /></em></p>
<p><img src="images/ondecomer.jpg" border="0" alt="" width="119" height="119" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" /><br /><strong><em>Onde comer?</em></strong><br /><em>Mindelo oferece opções gastronómicas à medida da carteira de cada visitante. Sem grande esforço encontra pequenos bares onde se come bem, gastando até 300$00. Não espere encontrar grande diversidade gastronómica. Os restaurantes arriscam pouco nos menus. Ainda assim, para quem procura novos sabores, sugere-se o Tapas ou o In-Fluências (este com propostas indianas). Para saber mais visite o nosso site <a href="undefined/" target="_blank">www.expressodasilhas.sapo.cv</a></em></p>
<p><em><br /></em></p>
<p><img src="images/dicasaoviajante.jpg" border="0" alt="" width="127" height="127" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" /><br /><strong><em>Dicas ao viajante</em></strong><br /><em>Mindelo tem uma boa rede de transportes públicos – a melhor do país – com autocarros para todas as zonas urbanas. Os táxis são frequentes e baratos (entre 150$00 a 170$00 nos percursos urbanos).</em><br /><em></em></p>
<p><em>Existe uma boa cobertura de ATM e POS, para movimentos com cartão de débito. É possível fazer levantamentos internacionais (MasterCard, Visa, entre outros), mas é mais difícil efectuar pagamentos com esses cartões.</em><br /><em></em></p>
<p><em>Mindelo é uma cidade globalmente segura, mas não deixe de ter cuidados básicos (não ande como muito dinheiro, ou com gadgets que chamem a atenção), especialmente à noite. Procure evitar ruas desertas ou mal iluminadas.</em></p>]]></description>
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            <category><![CDATA[Verao.cv]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Alexis Cardoso]]></dc:creator>
            <pubDate>Wed, 13 Aug 2014 22:40:09 GMT</pubDate>
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        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[Especial Verão.cv]]></title>
            <description><![CDATA[<p><strong></strong>O Expresso das Ilhas inicia nesta edição uma série de reportagens para dar a conhecer as várias facetas das diversas ilhas. Um diário de viagem para encorajar o turismo interno e contar algumas das histórias que também ajudaram a formar estes dez grãos no meio do Atlântico.</p>]]></description>
            <link>https://expressodasilhas.cv/verao-cv/2014/08/06/especial-verao-cv/42724</link>
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            <category><![CDATA[Verao.cv]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Expresso das Ilhas]]></dc:creator>
            <pubDate>Wed, 06 Aug 2014 16:43:25 GMT</pubDate>
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            <title><![CDATA[Cidade Velha: E foi assim que tudo começou]]></title>
            <description><![CDATA[<p><strong>“A Cidade Velha é um diamante em bruto”, diz-me Jair Fernandes, curador da Cidade Velha Património da Humanidade. Muito em bruto, acrescento. Isso quer dizer que não vale a pena lá ir? Muito pelo contrário. Só um jantar no restaurante Pelourinho ou uma estadia no Hotel Limeira já justificam a viagem. Mas, a Cidade Velha é muito mais do que isso. É um marco histórico e cheio de histórias. É esse o contexto que valoriza a primeira cidade europeia fundada a Sul do Trópico de Câncer e que funcionou como centro socioeconómico, administrativo, militar e religioso.</strong></p>

<p> </p>
<p>A Ribeira Grande de Santiago, Cidade Velha, é o primeiro estabelecimento humano no arquipélago de Cabo Verde, após a descoberta da ilha de Santiago, por volta de 1460, pelos navegadores de Portugal – o genovês António da Noli e Diogo Gomes. É considerada o berço da cabo-verdianidade e da mestiçagem e desempenhou um papel preponderante no apoio à expansão portuguesa, no desenvolvimento do comércio internacional e da navegação de longo curso entre os quatro cantos do mundo. Pode-se mesmo afirmar, sem grandes excessos, que a globalização actual começou na Cidade Velha.</p>
<p>“O local escolhido para o povoamento da vila era um vale profundo e verdejante que era rasgado por duas ribeiras que desaguavam no mar, formando uma enseada com boas condições para a instalação de um porto que facilitasse as ligações com o exterior”, como escreve Fernando Pires, em Da Cidade da Ribeira Grande à Cidade Velha de Cabo Verde.</p>
<p>É esse mesmo vale que ainda hoje se abre ao fundo da estrada que liga Praia à Cidade Velha. 15 quilómetros que se fazem em vinte minutos porque, apesar do asfalto novo, a via não convida a grandes acelerações. É um oásis de tranquilidade, como me descreveu um operador turístico local. E tem razão. Quando se chega ao centro da cidade, vindo da capital cabo-verdiana, há algo que no início se estranha e só depois se compreende porquê: há silêncio.</p>
<p>Quando a Cidade Velha foi classificada pela UNESCO como Património Mundial da Humanidade, a 26 de Junho de 2009, previu-se a chegada em massa de turistas ávidos por conhecerem este pedacinho de história – a verdade é que eles até vieram, de 3 mil visitantes em 2006 passou-se para os 70 mil em 2013. Mas são turistas de um dia só e não deixam muito dinheiro na localidade. As autoridades estão cientes do desafio, mas disso falaremos mais tarde.</p>
<p>As autoridades sabem igualmente que a grande aposta deve ir para o património imaterial. E nisso têm razão. Porque ir à Cidade Velha é penetrar num espaço mágico, como disse um dos residentes, mais sensorial do que real. Quem quiser ver apenas os monumentos pode ver. Eles estão lá, quietinhos, à espera. Mas, o que vale mesmo são as histórias por trás das pedras.</p>
<p>Logo após a sua fundação, a Cidade Velha tornou-se num dos principais portos de escala obrigatória nas rotas atlânticas e permitiu a expansão colonial em direcção à África, América e Índias. Pelo seu porto passaram Vasco da Gama, na ida e no regresso das Índias, Cristóvão Colombo por ocasião das suas viagens às Índias Ocidentais e Fernão Magalhães, durante a primeira, e definitiva, viagem de navegação à volta do mundo. A Ribeira Grande contribuiu para a transformação do Atlântico numa rede de distribuição de mercadorias, plantas, animais e homens. Com o descobrimento das Américas em 1492 e do Brasil em 1500, a vila da Ribeira Grande ganha importância e conhece um dinamismo sem precedente. Uma primeira igreja, a de Nossa Senhora da Conceição foi construída em 1462, seguida da criação da Câmara Municipal em 1497. Em 1533 foi elevada à categoria de cidade, sob o nome de Cidade de Santiago de Cabo Verde, data em que se fundou a diocese de Cabo Verde e dos Rios da Guiné, tornando-se assim a sede do Bispado, o centro do poder civil e militar das colónias portuguesas da África Ocidental. Transformou-se numa cidade próspera. Tinha propriedades privadas de ricos senhores e homens de negócios, instituições ligadas à execução do poder (Câmara Municipal, Tribunais, Fortes, Fortaleza, Prisão, Alfândega, etc.), estruturas religiosas (Catedral, Igrejas, Capelas, Hospital, Residência Episcopal, etc.), tudo isso num espaço extremamente reduzido. E chamou a atenção da rapaziada que fazia do corso um estilo de vida.</p>
<p>Como conta o jornalista Nuno Rebocho, na história da Cidade Velha, registam-se pelo menos 18 ataques de corsários (ou piratas) de diferentes nacionalidades: franceses, ingleses, holandeses, turcos, mas também castelhanos (espanhóis) e portugueses. Entre eles, os célebres Francis Drake (inglês) e Jacques Cassard (francês). Durantes essas acções de pilhagem, a cidade foi arrasada pelo menos duas vezes, apresaram-se e afundaram-se navios, roubou-se mercadoria e escravos e deitou-se fogo ao que não conseguiam levar.</p>
<p>Ir à Cidade Velha é reviver esses tempos. Na baía, quando o mar adquire aquela cor cinza aço e as nuvens estão mais baixas, consegue-se regressar ao dia 17 de Novembro de 1585. E não é difícil imaginar a silhueta do Pelican, o navio almirante de Francis Drake, armado com os seus 18 canhões e acompanhado por uma frota de mais 28 navios.</p>
<p>Se o vento está de feição conseguem-se ouvir as pragas dos piratas ingleses, os remos a baterem no mar, cada vez mais rápido, enquanto os imediatos os encorajam. Podemos até adivinhar o desembarque: homens rudes, crestados pelo sol, barbas cobertas de sal, o sabre de abordagem na mão direita e a pistola ainda fumegante na mão esquerda, duas mechas acesas sob os chapéus (os piratas tinham essa mania). E se olharmos para trás, sabemos que a população já correu pela rua Banana para se esconder destes sicários ao serviço das coroas europeias inimigas de Portugal.</p>
<p>Drake gostou tanto do clima de Cabo Verde que regressou mais duas vezes. A terceira não lhe correu tão bem, já existia a fortaleza real de São Filipe, terminada de construir em 1593. Estando lá, não nos custa ver aqueles passadiços vibrantes de movimentação, africanos e europeus, lado a lado, a levarem as balas de canhão aos artilheiros italianos. É provável mesmo que algum bombardeiro lombardo, com um humor mais retorcido, tenha escrito ‘saluti da re Filipe a tutti inglese’, antes de meter o projéctil no canhão. Sim, porque na altura não era exactamente com a morabeza que recebíamos os visitantes estrangeiros.</p>
<p>Também por causa destas sucessivas incursões corsárias, a riqueza e a importância da Ribeira Grande foram diminuindo. Em 1712, o corsário francês Cassard deu-lhe o golpe de misericórdia. Apoiado por Louis XIV, que o incumbiu da missão de cometer “todos os actos de hostilidades possíveis nas colónias inglesas, portuguesas e holandesas”, incendiou e arrasou a Cidade Velha. As ruínas da Sé estão lá para o provar, e é perfeitamente possível imaginar Jacques Cassard a acender o cachimbo, pé direito apoiado numa das pedras encarvoadas da Catedral, a apreciar o lindo serviço que os seus esbirros acabaram de fazer.</p>
<p>O mais incrível é que todas estas histórias, e outras que tomam a dimensão de lendas, estão ainda enraizadas na população da Cidade Velha cinco séculos depois. Se pedirem a três pessoas para contar a história do sino de ouro ouvem três versões diferentes: que foi roubado pelos piratas e está ainda hoje em Inglaterra, que foi roubado mas o barco afundou ao largo, que o barco afundou sim senhor mas o sino foi recuperado e levado para a Europa. Até há quem conte a história da (impossível) invasão da Cidade Velha pelos exércitos de Carlos Magno (rei dos francos entre 768 e 814, muito antes, portanto, da descoberta de Cabo Verde).</p>
<p>Drake, Cassard, Gama, Colombo, Magalhães. Mas, não é só de navegadores que se constrói o património imaterial da Cidade Velha. Charles Darwin também passou por lá e a teoria mais revolucionária da história da humanidade – o evolucionismo –, pode-se afirmar, começou aqui, neste cantinho no meio do Atlântico. Mas há mais. A crioulização mundial começou na Cidade Velha, o carnaval brasileiro tem a sua raiz na Tabanka de Santiago, o conhecimento da manufactura do rum da cana-de-açúcar foi repassado de Cabo Verde para o continente americano. O saber fazer, a música e a dança e são aspectos que ainda se mantêm vivos na Cidade Velha, são os factores intangíveis que o turista procura.</p>
<p>Por outro lado, a oferta local não é ainda muito diversificada e ainda deixa muito a desejar, o artesanato está subaproveitado e os serviços de guias são ainda deficientes. As autoridades, como foi dito, conhecem bem estes constrangimentos e estão a preparar algumas iniciativas para incrementar e diversificar a oferta turística no sítio histórico. Um deles, é o projecto Cidade Velha Cultura em prol do Desenvolvimento Socioeconómico, financiado pela União Europeia para ensinar às famílias locais a utilizar a cultura para a criação de rendimento e para diversificar as actividades culturais no município, como a realização de mais feiras de artesanato, de gastronomia, etc.</p>
<p>No quadro deste projecto está a ser finalizado um centro de artesanato (na rua Banana) e de exposições. “Servirá para acolher as iniciativas em matérias de artesanato e artes e ofícios das pessoas do município, e não só, que queiram vir mostrar e vender as suas artes”, explica-me Alcides de Pina, vice-presidente da Câmara da Ribeira Grande. “Também pode vir a ser um centro onde o turista pode interagir directamente com os artesãos. E vai ter outras vertentes, como uma biblioteca temática sobre a Cidade Velha e um museu virtual”.</p>
<p>Nos planos está também a criação do primeiro museu de arte sacra da Cidade Velha e do museu da escravatura. Já começou também o melhoramento das fachadas e das coberturas das casas, porque um dos objectivos futuros é a criação de vários miradouros. Na forja estão ainda projectos para reabilitar toda a orla marítima e a criação de piscinas naturais junto ao mar.</p>
<p>Mas, para tudo isso é preciso dinheiro. Jair Fernandes, o curador da Cidade Velha Património da Humanidade, afirma mesmo que a Ribeira Grande de Santiago tem de ser uma questão de Estado. “A Cidade Velha deve ter um orçamento diferenciado. Se a Praia reclama o estatuto especial, a Cidade Velha também o merece para fazer justiça para com a história. Em termos de planificação a curto prazo queremos o museu da arte sacra e da escravatura, queremos tornar a Cidade Velha num centro de pesquisas arqueológicas e de património imaterial no contexto atlântico, trabalhar com o público e o privado para dinamizar o turismo. São estes os grandes desafios, desde que as condições sejam criadas para o efeito. Caso contrário, estamos a brincar ao património mundial”.</p>
<p>A Cidade Velha é um dos 948 sítios considerados património da humanidade que existem em todo o planeta. E é um dos dois que existe na África Ocidental. Por outras palavras, o valor universal da Cidade Velha é reconhecido, agora é a vez dos cabo-verdianos comprovarem esta mais-valia.</p>
<p><img src="images/cidade_velha-pelourinho_4.jpg" border="0" alt="" width="453" height="602" /> <img src="images/cathedral_cidade_velha__santiago_cabo_verde.jpg" border="0" alt="" width="535" height="401" /></p>
<p class="Pargrafobsico"><em> </em></p>
<p class="Pargrafobsico" style="text-align: center;"><strong><em>Guia Prático</em></strong></p>
<p>Onde ficar: O Hotel Limeira, a 500 metros do centro, oferece pacotes de fim-de-semana aos nacionais, dormida e pequeno-almoço, por 5.000$. Também é possível passar apenas um dia de piscina, com direito a almoço por 1.000$, mas recomenda-se mesmo a estadia mais prolongada. Vale a pena conhecer este hotel de charme com 33 quartos, todos com vista de mar (<span style="text-decoration: underline;">www.hotellimeira.cv</span>). O Hotel Limeira tem também serviço de restaurante. Outras ofertas são o Hotel Pôr do Sol, a Pousada São Pedro ou a Hospedagem Girassol.</p>
<p class="Pargrafobsico">Onde comer: O Restaurante Pelourinho é das melhores opções para almoçar ou jantar na Cidade Velha. Peixe e mariscos, mesmo em frente à baía, com preços médios que rondam os 1.000$00. O Restaurante/Bar Casinha Velha ou o Restaurante Real Turis, são outros locais para refeições.</p>
<p><object width="400" height="300" data="http://fotos.sapo.pt/swf/slideshow/slideshow.swf" type="application/x-shockwave-flash"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="slideMode" value="AlphaFade" /><param name="backColor" value="#000000" /><param name="textColor" value="#FFFFFF" /><param name="UIColor" value="#000000" /><param name="timePerPhoto" value="5000" /><param name="borderWidth" value="0" /><param name="u" value="expresso_2" /><param name="a" value="312" /><param name="server" value="cv" /><param name="limit" value="50" /><param name="flashvars" value="slidemode=AlphaFade&amp;backColor=#000000&amp;textColor=#FFFFFF&amp;UIColor=#000000&amp;timePerPhoto=5000&amp;borderWidth=0&amp;borderColor=#FFFFFF&amp;cornerRound=3&amp;u=expresso_2&amp;a=312&amp;server=cv&amp;limit=50" /><param name="src" value="http://fotos.sapo.pt/swf/slideshow/slideshow.swf" /><param name="allowfullscreen" value="true" /></object></p>]]></description>
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            <category><![CDATA[Verao.cv]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Jorge Montezinho]]></dc:creator>
            <pubDate>Wed, 06 Aug 2014 11:51:28 GMT</pubDate>
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