Análise de ADN revela um trágico genocídio no passado da Humanidade

PorExpresso das Ilhas,4 mar 2024 10:03

O aparecimento da agricultura na Europa no final da Idade da Pedra não foi uma transição suave do estilo de vida dos caçadores-colectores – mas sim uma revolução sangrenta que viu populações nómadas serem eliminadas por colonos agricultores em poucas gerações.

Um novo estudo, citado pelo zap.aeiou.pt, revela um capítulo turbulento na transição da Europa da Idade da Pedra tardia para a agricultura, sugerindo que a mudança envolveu conflitos violentos e resultou na substituição completa das populações nómadas caçadoras-colectoras por colonos agrícolas.

De acordo com o estudo, por duas vezes em apenas mil anos a população do Sul da Escandinávia foi completamente substituída por recém-chegados à região, cujos restos mortais quase não apresentam vestígios dos seus predecessores nos perfis de ADN.

A pesquisa, conduzida por uma equipa internacional de investigadores liderada pela paleoecologista Anne Birgitte Nielsen, da Universidade de Lund, usou uma técnica chamada sequenciação shotgun para analisar o ADN de 100 restos humanos em toda a Dinamarca, abrangendo mais de 7.300 anos desde o Mesolítico até à Idade do Bronze Inicial.

Os resultados do estudo, publicados no mês passado na revista Nature, evidenciaram duas grandes substituições populacionais no Sul da Escandinávia no período de um milénio.

A primeira destas substituições ocorreu há cerca de 5.900 anos, quando os agricultores recém-chegados deslocaram os caçadores-colectores indígenas, alterando significativamente a paisagem da região, e introduzindo a agricultura.

Esta descoberta contradiz teorias anteriores que sugeriam uma coexistência pacífica e a mistura de culturas entre os dois tipos de populações.

Em vez disso, as evidências arqueológicas e genéticas apontam para uma luta violenta, na sequência da qual a pool genética dos caçadores-colectores foi quase totalmente erradicada do património genético dos primeiros agricultores da Escandinávia.

“Esta transição era anteriormente apresentada pacífica”, explica Anne Birgitte Nielsen, citada pelo Science Alert.

“No entanto, o nosso estudo aponta para o contrário. Além de mortes violentas, é provável que a chegada de populações de agricultores e do seu gado tenha trazido patógenos que ajudaram a dizimar as populações recolectoras”, acrescenta a paleoecologista.

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1161 de 28 de Fevereiro de 2024.

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Autoria:Expresso das Ilhas,4 mar 2024 10:03

Editado porSara Almeida  em  4 mar 2024 10:03

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