São Lourenço dos Órgãos será palco da 1ª edição do Splorarti

PorDulcina Mendes,18 mar 2026 13:41

O município de São Lourenço dos Órgãos, interior de Santiago, recebe, no mês de Abril, a primeira edição do projecto “Explora a Arte e Explora-te!”. Esta primeira edição decorrerá entre os dias 2 e 12 de Abril, no Centro de Capacitação e Formação Profissional dos Órgãos, e terá uma programação dedicada à exploração artística e à descoberta criativa.

Numa entrevista ao Expresso das Ilhas, a directora artística, Soraia Almeida, afirma que o Splorarti se apresenta como um programa artístico e educativo de dez dias que combina a música com as mais diversas artes, capaz de colocar a identidade cultural e a criatividade no centro da sua proposta.

“Será um projecto artístico e educativo direccionado a crianças, jovens e idosos, com foco na exploração da arte, da criatividade e da expressão cultural como ferramentas de aprendizagem e inclusão”, indica.

A directora artística explica ainda que o Splorarti procura fazer chegar eventos culturais a diferentes comunidades dos países PALOP que vivem geograficamente isoladas, ou seja, pretende descentralizar a cultura, valorizando comunidades que partilham o gosto e a paixão pelas diferentes vertentes artísticas.

“A estratégia passa por três etapas: primeiro, provar impacto real numa comunidade; depois, documentar a metodologia, os processos e os resultados; e, por fim, apresentá-los aos parceiros envolvidos e avançar com coragem em parcerias locais em cada país, trabalhando sempre com agentes culturais do território”, acrescenta.

Conforme Soraia Almeida, o destaque da programação será a música, através da exploração dos instrumentos e dos sons, bem como da criação de instrumentos musicais a partir de materiais recicláveis.

“Na vertente educacional, estão ainda previstas masterclasses de trombone e flauta transversal, bem como sessões de formação musical”.

Cada dia termina com um momento de relaxamento musical, inspirado em referências da música erudita. As “Músicas do Mundo” serão o ponto de partida para a actividade “Dança de Gerações”, onde ritmos como o funaná e o batuque serão as estrelas do palco. “A dança é reforçada pela expressão corporal, entendida como a arte de comunicar através do corpo, sem o uso da palavra”.

Soraia Almeida refere que, para dar cor ao projecto, a actividade “Rabiscos Sonoros” convida os participantes a ouvir diferentes sons e a transformá-los em desenhos e pinturas.

“A partir desta experiência, segue uma segunda fase: representar, através da pintura, as suas próprias memórias e histórias. Ao longo do projecto será também construída, de forma colectiva, uma estátua comemorativa, símbolo da primeira edição do Splorarti”, salienta.

As histórias cantadas são das actividades mais aguardadas pelas crianças. Entre as 13 histórias previstas encontram-se “Sei de uma velha que engoliu uma mosca”, “Urso Papão”, “Velho da Montanha”, entre muitas outras, num convite pensado para estimular a curiosidade e partilhar a alegria das diferentes formas de arte.

Como destaque está a conversa aberta com professores, educadores e outros interessados, marcada para 9 de Abril, às 18h00, dedicada à reflexão sobre os processos criativos e o papel da arte na educação.

No dia 10 de Abril, às 15h00, na Escola Secundária Luciano Garcia, o artista cabo-verdiano Marilson Tavares demonstrará como um gesto artístico pode transformar um objecto comum em expressão criativa e identidade.

Para finalizar, no dia 11 de Abril, pelas 11h00, novamente no CCFPO, acontece uma apresentação final aberta ao público que assinala o encerramento da primeira edição do projecto Splorarti.

Em relação ao impacto que espera ter em São Lourenço dos Órgãos com o projecto, Soraia Almeida esclarece que aquilo que procura não é um impacto numérico ou estatístico, mas sim humano.

“Se uma criança descobrir que tem voz, se um jovem perceber que pode transformar uma ideia em criação, se um idoso sentir que o seu saber tradicional tem lugar num palco, então o impacto já aconteceu”, assegura.


Continuidade do projecto

Soraia Almeida disse que existe um plano de continuidade, mas com consciência das dificuldades.

“Defender um projecto independente não é simples. Exige investimento próprio, persistência e uma enorme capacidade de lidar com recusas. Houve candidaturas que não avançaram, houve portas fechadas e houve momentos de dúvida”.

Mas sublinha que também houve alinhamentos decisivos.

“O apoio institucional local validou o projecto no território. Uma conversa com a directora do Centro Cultural de Cabo Verde em Lisboa, Angela Barbosa, abriu caminho a novas parcerias, e a companhia aérea easyJet associou-se ao projecto, apoiando a mobilidade da equipa e o transporte do instrumento musical”, indica.

A directora artística realça que o objectivo do projecto não é crescer depressa, mas crescer com coerência.

“E quando há alinhamento entre propósito, visão partilhada e compromisso colectivo, o projecto deixa de ser individual e passa a ser de todos. A continuidade passa por consolidar estas relações e transformar o modelo numa estrutura replicável, sem perder a identidade”, reforça.


Resultados

Soraia Almeida assegura que o primeiro passo será conseguir estabelecer um bom canal de comunicação com a comunidade.

“Fazer chegar toda a informação a todos. Depois, espero alcançar três resultados muito claros. Primeiro, envolvimento real, não apenas presença, mas participação activa das crianças, das escolas e das famílias”.

Em segundo lugar, pretende despertar consciência artística: que os participantes percebam que a arte não é distante nem elitista, mas uma ferramenta de expressão e de pensamento que lhes pertence.

“Terceiro, deixar bases para continuidade, criar relações, motivação e confiança suficientes para que a comunidade queira repetir, aprofundar e até liderar futuras iniciativas”, acrescenta.

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Autoria:Dulcina Mendes,18 mar 2026 13:41

Editado porAndre Amaral  em  18 mar 2026 16:26

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