Trinta anos após a morte - nunca esclarecida - da lenda do rap, esta antiga figura dos South Side Compton Crips, um gangue de um bairro de Los Angeles, estava a ser julgada por encomendar o homicídio e fornecer a arma do crime.
Na segunda-feira, após deliberar durante apenas algumas horas, o júri considerou-o culpado de "homicídio qualificado com uso de arma letal".
A sentença vai ser conhecida no próximo dia 13 de outubro.
Ao dirigir-se à juíza Carli Kierny após o anúncio do veredicto, Duane "Keffe D" Davis declarou na sala de audiências que tencionava recorrer da decisão.
Na fase final deste julgamento, as alegações finais da acusação e da defesa duraram cerca de cinco horas.
Na alegação final, o procurador Binu Palal, em representação do Estado do Nevada (sudoeste), insistiu na tese da acusação, de que se tratava de uma retaliação pela agressão ao sobrinho de "Keffe D", Orlando Anderson, na qual Tupac Shakur tinha participado, num ciclo de vingança.
O arguido, descrito repetidamente como o "manda-chuva" ('shot caller'), cujas ordens eram obedecidas pelos membros dos Crips, enfrenta uma pena de prisão perpétua sem possibilidade de condicional.
O litígio opunha duas editoras discográficas, a Death Row Records e a Bad Boy Records, fundada por Sean "P. Diddy" Combs, cada uma recorrendo a um gangue rival para garantir a proteção dos seus artistas, tendo como pano de fundo a guerra entre os gangues dos "Crips" e dos "Bloods" em Los Angeles, que atingiu o auge na década de 1990.
"Duane Davis, na cultura dos gangues, não podia deixar isso passar", afirmou Palal, referindo-se à humilhação pública do sobrinho, algumas horas antes dos disparos contra Tupac Shakur.
"Ele arranjou a pistola, organizou o grupo e perseguiu Shakur", enumerou, insistindo no caráter premeditado dos atos do arguido, ex-traficante de droga, e invocando as próprias declarações de Davis.
Em 2008, Duane Davis reconheceu perante os investigadores que se encontrava no Cadillac branco de onde foram disparados os tiros. Mas como as confissões foram feitas no âmbito de um acordo que previa imunidade parcial, não puderam ser utilizadas contra o arguido.
Posteriormente, Davis falou à comunicação social, antes de publicar, em 2019, um livro de memórias comprometedor em que conta que se encontrava no banco do passageiro e que passou a pistola aos ocupantes do banco traseiro, sem revelar a identidade do atirador.
Detido em setembro de 2023 na sequência dessa publicação, Davis, que se declara inocente, afirma agora que o livro foi ficcionado pelo coautor e que se encontrava em Los Angeles na noite do homicídio.
"Durante quase 18 anos, disse à polícia, na televisão, em livros e a entrevistadores no YouTube, a quem quisesse ouvir, que era responsável pelo homicídio de Tupac Shakur. Digam-lhe que o ouviram a declarar-se culpado", declarou o procurador aos jurados.
Mas o advogado de defesa, Michael Sanft, rejeitou essas declarações, considerando-as "apenas palavras", e afirmou que o cliente procurava promover as vendas das memórias por puro interesse financeiro.
"Estão a ler um livro que é ficção e não factos, mas a acusação quer fazer-vos acreditar que se trata, de alguma forma, de uma confissão de que ele estava lá no momento dos disparos", argumentou, sublinhando a ausência de provas materiais.
Nem o Cadillac nem a arma do crime foram alguma vez encontrados.
"Com todos os meios à disposição da polícia, não há nada neste processo que comprove que este homem estava em Las Vegas a 07 de setembro de 1996", prosseguiu Michael Sanft.
Naquela noite, tiros disparados de um Cadillac branco feriram Tupac Shakur em Las Vegas, após este assistir a um combate de boxe de Mike Tyson. O rapper morreu seis dias depois, aos 25 anos.
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