Numa entrevista ao Expresso das Ilhas, Jéssico Furtado conta que a ideia do projecto surgiu no âmbito da Copa do Mundo, em que Cabo Verde fez uma boa participação, e todos os cabo-verdianos estavam lá a apoiar o país. “E daí surgiu a ideia de criar um pequeno trecho de desenhos animados para apoiar Cabo Verde. Então foi lá que surgiu a personagem Azul”.
Antes de produzir o primeiro episódio, disse que criou um pequeno trecho que tinha feito e não esperava que tivesse assim tanto impacto, sobretudo nos cabo-verdianos, que começaram a comentar no Instagram e no Facebook que sempre sonharam com isso. “E também isso foi o meu sonho, o de criar um desenho animado totalmente em crioulo”.
Depois disso, Jéssico começou a trabalhar neste projecto mais a sério. “De lá comecei a melhorar aquele gráfico, a consistência da animação. Acabei por mudar tudo aquilo que tinha feito inicialmente. E acabei por fazer um episódio de 10 minutos. Queria que fossem mais minutos, mas como queria testar como é que os cabo-verdianos iam recebê-lo, então decidi começar com 10/12 minutos. E mais tarde vou ver se vou aumentar o tempo de duração”.
O produtor sublinha que o primeiro episódio foi algo que lhe deu muito trabalho, mas o resultado foi muito bom para Cabo Verde e para os cabo-verdianos, e não só.
O objectivo do projecto era só apoiar a selecção de Cabo Verde na Copa do Mundo, porque Cabo Verde estava em foco e os cabo-verdianos começaram a representar-se como Tubarão Azul. “Então criei uma animação para apoiar Cabo Verde, falando de sonhos de cabo-verdianos, porque estar na Copa há 20 anos era um sonho”.
Jéssico queria algo maior para educar as crianças a continuarem a sonhar, educar os jovens cabo-verdianos para a ideia de que podemos chegar ao Mundial e que o sonho não é impossível, e que um por cento de chance que nos deram no Mundial se tornou 100 por cento.
“Quero que uma criança cabo-verdiana, ao assistir ao Azul, pense: ‘Eu também posso sonhar. Eu também posso conseguir’”, afirmou Furtado.
O primeiro episódio, intitulado “Sonhu Di Jovem Tubaron Azul”, aborda temas como amizade, família, identidade, coragem e persistência. A principal mensagem é incentivar as crianças cabo-verdianas a acreditarem nos seus sonhos.
O projecto teve início com o seu filho, Yenel Furtado, e começou a crescer. Foi daí que resolveu convidar outras pessoas. A produção conta com a participação de familiares, amigos e outros talentos que dão voz às personagens.
Produzida na língua cabo-verdiana, a série conta com legendas em português.
Jéssico referiu que começou a convidar pessoas para serem personagens; alguns aceitaram e outros não, pois era algo novo. “Foi com muito esforço que consegui reunir aquele grupo de pessoas para serem personagens, e hoje as pessoas estão a acreditar e querem fazer parte do projecto”.
A partir do segundo episódio, salienta que vai ter detalhes que nos vão mostrar Cabo Verde.
“Mas ainda quero dar um tempo, só para as pessoas absorverem o primeiro episódio. O primeiro episódio foi para as pessoas conhecerem quem é o Azul, começarem a entrar na história. E tem tido uma boa aceitação”, relata.
Na mesma linha, disse que já tem história e roteiro para dez episódios, que vai continuar a escrever para fazer mais.
O segundo episódio já está pronto, mas o lançamento poderá acontecer entre uma e duas semanas. “Mas o segundo episódio pode sair daqui a três semanas, porque quero dar tempo para que as pessoas possam absorver o primeiro episódio, como tivemos o acidente na Ilha do Fogo, que foi muito impactante e acabou por abafar o lançamento do primeiro episódio. Muitas pessoas não conseguiram ver e ter acesso”.
E, neste momento, estão a produzir o terceiro episódio. “A ideia foi contar uma história nas ilhas de Cabo Verde, sem que ninguém saiba onde é, mas vendo-se Cabo Verde como um todo”.
Jéssico Furtado conta que sempre trabalhou na área de produção, faz videoclipes e sempre teve essa paixão por essa área. Por isso, disse que vai continuar com a produção e que quer trabalhar como temporário.
“Ainda não sei quantas temporadas vou ter, porque inicialmente era para ser um filme, mas, quando comecei a desenvolver o projecto”, assegura.
“Mais tarde vou ter um filme de Azul. Agora quero explorar mais episódios, porque, se for fazer um filme agora, será algo que começa e termina ali. Numa série posso explorar mais e trazer muito mais história, continuar a inspirar mais crianças ao longo do tempo”, sinaliza.
Quem é “Azul”
Jéssico Furtado relata que “Azul” é um menino que corre na cidade e que cumprimenta todas as pessoas, amigo de todos, e que é também seu filho. “Foi ele que deu a vida ao Azul, todo aquele desenho, processo e animação. É uma personagem que criei olhando para o meu filho, vendo a sua maneira de ser, o seu comportamento e o seu jeito doce de ser com os outros, e isso é o que é Azul”.
Por isso, sublinha que “Azul” é um menino que sonha sem limites. “Azul é um menino que sabe o que quer, e ele mesmo se trata a si mesmo como um homem. Um homem que tem tudo definido, aonde quer chegar, o que ele quer fazer”.
Parceria
Em relação à parceria, Jéssico Furtado conta que, neste projecto, ainda só tem apoio dos seus familiares. “Tenho os meus familiares a ajudar-me nesta produção, mas tenho a certeza de que vamos crescer, porque temos mais pessoas a aderir.
Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1296 de 30 de Setembro de 2026.
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