Segundo Óscar Santos, este mercado pode contribuir para diversificar as fontes de financiamento da economia, complementando o crédito bancário e criando novas alternativas para as empresas.
“O mercado de capitais pode desempenhar um papel decisivo neste processo, complementando o financiamento bancário, criando novas alternativas para as empresas e ampliando as oportunidades de investimento, tanto para os residentes como para os não residentes. Cabo Verde continua a enfrentar desafios resultantes da pequenez do seu mercado, da vulnerabilidade a choques externos e da necessidade de diversificar a economia e as fontes de financiamento. Os dados de 2025 mostram que o mercado de capitais já representa um canal relevante de financiamento empresarial”, afirma.
Em 2025, as emissões de obrigações por empresas não financeiras em Cabo Verde atingiram cerca de sete mil milhões de escudos, um valor próximo do financiamento bancário concedido a essas empresas.
O governador do BCV considera, contudo, que o crescimento do mercado de capitais não deve ser avaliado apenas pelo volume de emissões.
“É igualmente necessário estimular a negociação, alargar a base de investidores, reforçar a transparência e, sobretudo, reforçar a confiança. A inclusão financeira através do mercado de capitais exige também educação financeira, informação acessível e protecção adequada dos investidores. Do lado das empresas, importa criar condições para ampliar a participação do sector privado. O mercado de capitais não será uma solução para todas as empresas, mas pode constituir uma alternativa importante para aquelas que dispõem de projectos viáveis”, defende.
A mobilização dos recursos da diáspora é outra das oportunidades identificadas pelo responsável, que destaca a importância de criar instrumentos adequados e mecanismos seguros para canalizar esses recursos para projectos produtivos em Cabo Verde.
“O novo enquadramento aplicável aos títulos de diáspora abre novas possibilidades de mobilização de recursos, mas o quadro legal, por si só, não é suficiente. Precisamos de projectos credíveis, instrumentos adequados e mecanismos seguros e transparentes de participação. A confiança será sempre o activo fundamental deste mercado”, diz.
Óscar Santos destaca três prioridades, a diversificação do financiamento da economia, criando condições para que mais empresas com projectos viáveis possam beneficiar de instrumentos adequados às suas necessidades,a dinamização do mercado e alargar a participação dos investidores, melhorando as condições de negociação, além de aproximar as pessoas, os investidores institucionais e a diáspora das oportunidades de investimento.
O governador do BCV considera que a inclusão financeira deve ir além do acesso a contas bancárias, meios de pagamento e crédito, abrangendo também a poupança e o investimento.
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