Enzima que digere plástico pode ajudar a melhorar reciclagem

PorExpresso das Ilhas,23 abr 2018 7:12

​Para conhecer melhor uma bactéria capaz de digerir o plástico das garrafas, uma equipa de investigadores conseguiu melhorar, por acaso, a enzima responsável pela digestão do plástico PET, tornando-a 20% mais eficiente.

Um grupo de cientistas da Universidade de Portsmouth, no Reino Unido, melhorou por acaso uma enzima que estava a estudar. Baptizada como PETase, esta enzima modificada é capaz de digerir polietileno tereftalato (PET), plástico duro conhecido que demora centenas de anos a degradar-se na natureza. Esta descoberta pode revolucionar o processo de reciclagem dos plásticos, dizem os investigadores.

Em 2016, os cientistas descobriram em Sakai, no Japão, uma bactéria (Ideonella sakaiensis) que vivia nos sedimentos de um centro de reciclagem de garrafas de plástico. Esta é a única bactéria conhecida até hoje que evoluiu o suficiente para digerir o plástico das garrafas, usando-o como principal fonte de energia. Fazia-o produzindo uma enzima, que os investigadores da Universidade de Portsmouth começaram a estudar mais aprofundadamente.

Os resultados da investigação foram agora publicados na revista Proceedings of the National Academy of Sciences. No artigo, os cientistas começam por descrever a estrutura da enzima produzida pela bactéria japonesa, que conseguiram deslindar graças ao sincrotrão britânico conhecido como Diamond Light Source, uma máquina que produz raios X tão intensos que consegue pôr a nu átomos individuais. A seguir, criaram um modelo 3D da enzima, para facilitar o seu estudo.

Segundo o jornal Público, os cientistas descobriram que a estrutura da enzima era muito semelhante à que muitas bactérias desenvolveram para digerir cutina, um polímero que é a componente principal da cutícula presentes nas folhas das plantas terrestres. E, enquanto manipulavam a enzima, perceberam que melhoraram acidentalmente a sua capacidade de digerir os plásticos PET, ao ajustarem alguns resíduos na sua superfície.

Não é uma melhoria assim tão grande – apenas 20% –, mas não é essa a questão”, disse John McGeehan investigador à frente da equipa da Universidade de Portsmouth ao jornal The Guardian. “É incrível porque nos diz que a enzima ainda não está optimizada.” Nos testes, a enzima modificada consegue digerir plástico em apenas alguns dias, o que na natureza demoraria centenas de anos. E ainda pode melhorar.

Os plásticos como o PET são produzidos a partir do petróleo. Para além do tempo que demoram a degradar-se, o seu processo de reciclagem também não é muito eficiente. Ao longo do processo, os materiais vão perdendo propriedades e qualidade. Das garrafas de plástico transparente são feitos tecidos térmicos ou carpetes, que depois disso acabam em lixeiras.

A enzima PETase reverte o processo, porque reduz os plásticos aos seus dois “ingredientes principais”, prontos para serem usados outra vez. “Podem ser usados para fazer mais plástico que impediria que usássemos mais petróleo… Fechávamos o ciclo e teríamos uma reciclagem na verdadeira acepção da palavra”, disse o investigador à BBC. “Há uma necessidade urgente de reduzir a quantidade de plástico que acaba em lixeiras ou no ambiente e acho que, se pudermos adoptar estas tecnologias, então teremos uma para uma potencial solução de futuro”, acrescentou.

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 855 de 18 de Abril de 2018.

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Autoria:Expresso das Ilhas,23 abr 2018 7:12

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  23 abr 2018 7:12

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