A decisão de declarar o estado de emergência "decorre da necessidade de estarmos preparados para o que pode acontecer" devido ao El Niño, afirmou a ministra do Interior, Dinoska Montalvo, na terça-feira, em conferência de imprensa.
A medida visa agilizar os procedimentos administrativos para lidar com as consequências do El Niño, que pode ser o mais significativo jamais registado, de acordo com os cientistas.
O El Niño é um fenómeno climático global que surge de variações nos ventos e nas temperaturas da superfície do mar sobre o Oceano Pacífico tropical.
Com este fenómeno natural, que regressa a cada dois a sete anos, as águas de superfície no centro e no leste do oceano Pacífico equatorial aquecem, o que provoca durante meses alterações substanciais nos regimes de ventos, pressão e precipitações à escala global.
Segundo dados oficiais, as inundações no Panamá já afetaram este ano pelo menos 15.643 pessoas, sobretudo no norte e oeste do país.
No outro extremo, onze bacias hidrográficas já são consideradas em situação de "stress hídrico", e várias regiões deverão sofrer de seca a partir de outubro e até março de 2027, segundo as previsões do Instituto de Meteorologia e Hidrologia do Panamá.
Devido à falta de água, o Canal do Panamá vai reduzir o tráfego de 36 para 34 trânsitos por dia a partir de 03 de setembro e mais tarde para 32, anunciou a Autoridade do Canal do Panamá na semana passada.
Aproximadamente 5% do comércio marítimo global passa por esta via navegável de 80 quilómetros que liga os oceanos Atlântico e Pacífico.
Mais a norte, também na terça-feira, El Salvador impôs o nível máximo de alerta devido à seca associada ao fenómeno El Niño, que provocou perdas nas colheitas, anunciou a Proteção Civil do país da América Central.
El Salvador está parcialmente localizado no "corredor seco" da América Central, uma faixa árida particularmente vulnerável a eventos climáticos extremos.
O mesmo acontece com uma parte das Honduras, cujas regiões sul e oeste sofreram perdas nas culturas de milho e feijão. O Governo hondurenho colocou quase 80% do país em alerta.
O Programa Alimentar Mundial das Nações Unidas estimou recentemente que a América Central será provavelmente "a região mais afetada em termos de aumento relativo da insegurança alimentar" devido ao El Niño.
O El Niño junta-se a uma tendência de aquecimento dos oceanos, devido à acumulação de gases com efeito de estufa na atmosfera.
A temperatura da água à superfície dos oceanos no mundo atingiu 21,1ºC, em média, no sábado, um recorde absoluto para um dia, devido ao aquecimento global e ao El Niño, anunciou o observatório europeu Copernicus.
homepage









