Antes do encerramento do estreito por Teerão, em retaliação pelos ataques norte-americanos e israelitas de 28 de fevereiro, cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos no mundo passava por esta via marítima estratégica.
Eis os principais dados sobre a situação no estreito de Ormuz seis meses após o início do conflito:
Tráfego caiu de 95 para cerca de 15 travessias diárias
O tráfego marítimo no estreito de Ormuz caiu drasticamente desde que Teerão decidiu encerrar a passagem em 01 de março.
Em fevereiro, antes do início da guerra, registava-se uma média de 95 travessias diárias de embarcações de pequena dimensão transportando produtos como hidrocarbonetos, fertilizantes e minerais.
Após o encerramento do estreito, esse número caiu para uma média de apenas 10 travessias por dia, segundo uma análise da agência France-Presse (AFP) baseada em dados da plataforma de monitorização marítima Kpler.
A assinatura, em meados de junho, de um acordo entre Washington e Teerão para iniciar conversações de paz permitiu uma recuperação temporária do tráfego, que chegou às 36 travessias diárias.
O reinício dos combates, em 08 de julho, voltou, contudo, a reduzir a circulação marítima.
Entre essa data e 22 de agosto foram registadas, em média, apenas 15 travessias por dia, aproximadamente 85% abaixo dos níveis anteriores à guerra.
Um quinto do petróleo e gás mundial passava por Ormuz
O estreito de Ormuz constituía antes do conflito uma das principais rotas para o transporte mundial de energia.
Cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados no mundo atravessava esta passagem antes de Teerão decidir bloqueá-la em resposta aos ataques de Israel e dos Estados Unidos contra território iraniano.
A circulação continua condicionada não apenas pelas restrições impostas pelas autoridades iranianas, mas também pelo risco associado à eventual presença de minas.
Teerão advertiu para a existência de uma "zona de perigo" com cerca de 1.400 quilómetros quadrados onde poderão encontrar-se engenhos explosivos.
Navegação deixou de seguir rota tradicional
Antes da guerra, o tráfego marítimo estava organizado sobretudo no centro do estreito, através de um esquema de separação de tráfego estabelecido pela Organização Marítima Internacional (OMI).
A guerra alterou profundamente esse padrão e a navegação encontra-se agora dividida principalmente entre duas rotas: uma passa mais a norte, junto à costa iraniana, e é a única reconhecida pelas autoridades de Teerão; a segunda situa-se mais a sul, entre a costa de Omã e áreas onde existe o risco de presença de minas.
Durante o período de relativa calma entre 17 de junho e 07 de julho, uma média diária de nove navios utilizou a rota iraniana e oito atravessaram o estreito através da rota omanita.
As restantes embarcações utilizaram percursos que não puderam ser identificados ou mantiveram-se na tradicional rota da OMI.
Dois terços das travessias tornaram-se "fantasmas"
A deterioração das condições de segurança no estreito tornou também mais difícil acompanhar a circulação dos navios.
Desde o colapso do cessar-fogo, em 08 de julho, cerca de dois terços das travessias passaram a ser classificadas como "fantasmas" ou de rota desconhecida, segundo a Kpler.
Antes do início da guerra, menos de 1% dos trânsitos estavam nessa situação.
A classificação corresponde a navios detetados nos dois lados do estreito de Ormuz, mas cujo percurso exato não pode ser determinado.
Entre as razões estão a desativação dos 'transponders' das embarcações, interferências ou bloqueios dos sinais e a insuficiência de imagens de satélite capazes de confirmar a rota utilizada.
Cerca de 500 navios continuam retidos no Golfo
Seis meses depois do início da guerra, aproximadamente 500 embarcações continuam retidas no Golfo, segundo a OMI.
A bordo ou associados a esses navios encontram-se cerca de 6.000 marinheiros impossibilitados de abandonar a região.
A OMI assegurou que continuam a decorrer "discussões" destinadas a estabelecer uma rota marítima segura que permita resolver a situação.
A organização advertiu, contudo, que qualquer solução "depende da desescalada na região".
Plano para retirar 11 mil marinheiros foi abandonado
Durante o cessar-fogo de junho e julho chegou a estar prevista uma operação para retirar aproximadamente 11 mil marítimos do Golfo.
O plano acabou, contudo, por ser abandonado e milhares de marinheiros permaneceram na região quando as hostilidades recomeçaram.
Cerca de 6.000 continuam retidos seis meses depois do início do conflito.
Pelo menos 20 marinheiros e trabalhadores portuários morreram
A paralisação do estreito de Ormuz teve também consequências humanas diretas.
Pelo menos 20 marinheiros e trabalhadores portuários morreram nos últimos seis meses em ataques ou outros incidentes relacionados com a situação de insegurança na região, segundo dados da Organização Marítima Internacional.
A normalização do tráfego continua dependente de um acordo que permita garantir condições de segurança no estreito, enquanto a circulação permanece muito abaixo dos níveis registados antes da guerra.
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