Nepal: O que se sabe sobre a enxurrada? Qual foi a causa?

PorExpresso das Ilhas, Lusa,27 ago 2026 10:37

A enxurrada devastadora na fronteira entre o Nepal e o Tibete provocou na quarta-feira pelo menos 292 mortos e mais de 1.300 desaparecidos, segundo dados atualizados hoje pelas autoridades.

O que se sabe um dia após a catástrofe nos Himalaias, de acordo com a agência de notícias France-Presse (AFP):

O que aconteceu?

Um forte fluxo de água, lama e detritos desceu a grande velocidade na manhã de quarta-feira de ambos os lados da fronteira montanhosa do Nepal e do Tibete, território chinês.

Uma câmara de vigilância instalada do lado chinês filmou uma vaga castanha de vários metros a submergir e a engolir em poucos segundos um edifício de cerca de seis andares enquanto várias pessoas tentavam fugir a correr.

No Nepal, a vaga atingiu as localidades situadas no vale do rio Trishuli, no distrito de Nuwakot, a norte de Katmandu, e no vale do Bhotekoshi, a leste da capital.

Num primeiro momento, as autoridades chinesas falaram de um deslizamento de terras, e as nepalesas de inundações.

Qual é a causa?

De acordo com o Instituto de Estudos Geológicos dos Estados Unidos (USGS), a enxurrada pode ter sido causada pelo colapso de um glaciar, com uma violência tal que terá provocado um sismo de magnitude 5,2 e numerosos deslizamentos de terras.

A topografia extrema dos Himalaias agravou os riscos.

Os cientistas vão tentar perceber se as alterações climáticas aumentam a probabilidade de tais eventos extremos.

Pelo menos 292 mortos

As autoridades nepalesas anunciaram hoje que recuperaram 289 corpos.

A China tinha dado conta na quarta-feira de três mortos, elevando o balanço total para pelo menos 292 mortos.

Mais de um milhar de desaparecidos

Mais de 1.300 pessoas estão desaparecidas, entre as quais centenas de turistas estrangeiros no coração dos Himalaias, "teto do mundo" apreciado por caminhantes e alpinistas, e o balanço não para de aumentar.

Na China, 558 pessoas estão desaparecidas, incluindo 260 estrangeiros cujas nacionalidades não foram especificadas.

No Nepal, mais de 1.300 pessoas não foram localizadas. Entre elas, 579 são turistas, dos quais 517 de nacionalidade estrangeira, segundo as autoridades.

Entre os turistas estrangeiros dos quais as autoridades não têm notícias, mais de uma centena são indianos e cerca de 50 são ucranianos.

Cidadãos de França, Malásia, Reino Unido, Austrália, Coreia do Sul, Japão e norte-americanos também estão a ser procurados, entre muitas outras nacionalidades. Dois portugueses, uma mulher e um homem, contam-se entre os desaparecidos, disse o Ministério dos Negócios Estrangeiros em Lisboa.

Pequim anunciou que cerca de uma centena de chineses estão desaparecidos do lado nepalês da fronteira.

Ajuda internacional

Meios de ajuda internacional começaram a ser enviados desde quarta-feira para o Nepal.

Os Estados Unidos comprometeram-se a doar 500.000 dólares (cerca de 429.000 euros) em ajuda de emergência.

A Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (IFRC, na sigla em inglês) desbloqueou pouco mais de um milhão de euros em fundos de emergência.

A União Europeia ativou o sistema europeu de vigilância por satélite Copernicus para ajudar os socorristas no Nepal e declarou-se pronta para fornecer mais ajuda.

A vizinha Índia enviou 10 toneladas de ajuda humanitária, incluindo cobertores, lâmpadas solares e medicamentos.

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Autoria:Expresso das Ilhas, Lusa,27 ago 2026 10:37

Editado porSara Almeida  em  27 ago 2026 12:19

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