Ainda "este ano" de 2026 vai arrancar, no município de Quilengues, província de Huíla, a exploração deste minério "muito importante da economia mundial", adiantou o ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Azevedo, em Luanda, à margem da cerimónia comemorativa dos 32 anos do bloco petrolífero 15.
O ministro visitou no fim de semana, em Quilengues, no sul de Angola, o Complexo Carbonatito de Bonga e Tchivira, onde será extraído o nióbio, um metal raro usado para fortalecer ligas metálicas e aço e procurado pela indústria aeroespacial, automóvel, fabrico de turbinas, siderurgia ou construção civil.
Atualmente, apenas o Brasil e o Canadá fornecem este minério e Angola passará a ser o terceiro país do mundo e o primeiro em África a abastecer o mercado.
"Quase 90% das reservas conhecidas mundialmente estão num único país, o Brasil, e isso torna-o um mineral crítico para o mundo, e nós ao entrarmos na produção deste mineral passaremos a fazer parte desse clube muito restrito", salientou o ministro angolano.
O governante acredita que a partir de Quilengues "vai começar a fazer-se história para o desenvolvimento de Angola".
Diamantino Azevedo lembrou que a descoberta deste potencial angolano foi feita há alguns anos por professores e estudantes da Faculdade de Ciências, que detetaram este "minério muito importante da economia mundial".
"Depois de vários anos, este ano Angola passará a fazer parte do clube restrito dos países produtores de nióbio", afiançou, sem concretizar datas para o início da exploração.
Em 2020 foi concedida a autorização da exploração e a entrega da prospeção à chinesa Sociedade NIOBONGA - Comércio Geral, que envolveu um investimento de 136,6 milhões de dólares.
A fase de prospeção, segundo dados oficiais, já possibilitou a extração de 40.000 toneladas de nióbio.
A concessão à empresa chinesa abrange uma área de aproximadamente 400 quilómetros quadrados nas serras da Bonga e da Chivila, por um período de 22 anos, renovável até 40 anos de exploração contínua.
Segundo o ministro, já é possível observar no terreno "o contributo para o desenvolvimento que o projeto está a dar e poderá dar, tendo em conta que criou até agora cerca de 1.000 empregos diretos e 200 indiretos, com muitos jovens da região inseridos na atividade".
Da concessão, segundo ainda o governante, resultaram também projetos sociais como uma escola, habitação para realojamento da população e a construção de uma albufeira para abastecimento de água ao projeto, que poderá também ser usada pela população.
"Estamos a trabalhar com o Ministério da Energia para o fornecimento de energia a partir de fontes hidroelétricas e esse trabalho, que conta com o investidor do projeto, será útil também para levar energia às populações", acrescentou.
A execução do projeto envolveu a deslocação e realojamento de 400 famílias indemnizadas com dois milhões de kwanzas (menos de 1.900 euros) cada, segundo as autoridades locais, citadas pela agência de notícias angolana Angop.
Foto: depositphotos
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