Espanha foi alertada na véspera de "assalto" a Ceuta convocado nas redes

PorExpresso das Ilhas, Lusa,9 set 2026 18:09

Os serviços de informações de Espanha alertaram Marrocos e o Governo espanhol para "várias convocatórias para levar a cabo entradas em Ceuta" em 30 de julho em grupos nas redes sociais com 180.000 pessoas, segundo documentos conhecidos hoje.

Os avisos foram feitos pelo Centro Nacional de Inteligência (CNI) de Espanha aos serviços de informações de Marrocos e à Delegação do Governo espanhol em Ceuta no dia 29 de julho, véspera da entrada ilegal de mais de 70.000 pessoas na cidade, a nado ou saltando a vedação fronteiriça.

O CNI alertou para "possíveis tentativas de entrada" em Ceuta, um enclave espanhol no norte de África, durante a semana da Festa do Trono em Marrocos e concretamente no dia 30 de julho, às 20:00.

A Festa do Trono celebra anualmente em 30 de julho a proclamação do Rei Mohamed VI como chefe de Estado de Marrocos e este ano as cerimónias oficiais decorreram em Tetuán, a menos de 40 quilómetros de Ceuta.

Segundo documentos desclassificados e publicados hoje pelo Governo de Espanha, o CNI alertou Marrocos, a unidade de inteligência da Guarda Civil espanhola e a Delegação do Governo espanhol no enclave, em 29 de julho, para grupos de WhastApp e Facebook onde circulavam "várias convocatórias para levar a cabo entradas em Ceuta tanto a nado como através da vedação, aproveitando a celebração da Festa do Trono".

"Nas redes sociais, há um apelo para um assalto pela vedação e por mar amanhã às 20:00 (...). Há dois grupos diferentes com um total de 180.000 seguidores. Para que tenhas uma ideia do alcance da difusão", lê-se numa mensagem enviada às 13:52 de 29 de julho por um elemento do CNI ao chefe de gabinete da Delegação do Governo de Espanha em Ceuta.

As mesmas convocatórias diziam, segundo o CNI, que por volta das 20:00 de 30 de julho haveria uma "oportunidade" porque "as autoridades" e forças de segurança marroquinas estariam ocupadas e "distraídas com a celebração e os desfiles" da Festa do Trono.

A avalanche sobre a fronteira marítima e terrestre de Ceuta com Marrocos começou por volta das 11:00 do dia 30 de julho.

Nesse dia, às 13:00, o Centro de Inteligência das Forças Armadas (CIFAS) de Espanha constatou já, num primeiro relatório sobre o que estava a ocorrer em Ceuta, a negligência e passividade das forças de segurança de Marrocos.

O CIFAS concluía ser "muito provável" que as autoridades marroquinas não estivessem "a favorecer ativamente" a avalanche, mas estavam a atuar até àquele momento "de forma negligente e passiva".

"Não se pode descartar certo nível de descontentamento" em Marrocos relacionado com a visita do primeiro-ministro de Espanha, Pedro Sánchez, à Argélia em 20 de julho, assim como que "Marrocos tente explorar a situação gerada em Ceuta em benefício dos seus interesses estratégicos", acrescentou também o CIFAS no mesmo documento.

O Governo espanhol desclassificou na terça-feira e publicou hoje documentos relacionados com a entrada ilegal de pelo menos 72.000 pessoas em Ceuta no final de julho, tal como prometeu na semana passada o primeiro-ministro.

Pedro Sánchez (socialista) anunciou a publicação dos documentos num debate parlamentar em que negou haver provas sobre o envolvimento de Marrocos na entrada de dezenas de milhares de pessoas ilegalmente em Ceuta e que o Governo tenha sido alertado com antecedência para uma entrada em massa no enckave com a dimensão que teve.

Foram divulgados hoje documentos com datas de entre 01 de julho e 01 de agosto, entre relatórios e outras comunicações, do Centro Nacional de Informações, das forças de segurança e dos serviços de informações das Forças Armadas.

"Não temos nada a esconder, atuamos com transparência", disse na terça-feira a ministra porta-voz do Governo, Elma Saiz, garantindo que o Governo "é o primeiro interessado" em que se esclareça o que ocorreu em Ceuta.

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Autoria:Expresso das Ilhas, Lusa,9 set 2026 18:09

Editado porSara Almeida  em  9 set 2026 20:19

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