Uma funcionária não identificada do aeroporto Alula Aba Nega de Mekele afirmou à AFP ter sido enviada para casa na manhã de quarta-feira. "Disseram-nos que as Forças de Defesa do Tigrai (TDF) tinham assumido o controlo do aeroporto", declarou.
A tomada do aeroporto pelas TDF foi confirmada à AFP por uma fonte de segurança estrangeira na Etiópia.
Segundo o site especializado Flight Radar, um voo previsto para a manhã de quarta-feira entre Adis Abeba e Mekele foi cancelado.
Este aeroporto, o mais importante do estado regional, é normalmente defendido por soldados do exército federal da Etiópia.
Contactados pela AFP, nem o vice-presidente da Frente de Libertação do Povo do Tigrai (TPLF), partido atualmente proibido que governa de facto o estado regional, nem a porta-voz do Primeiro-Ministro etíope, Abiy Ahmed, responderam.
A tomada de controlo do aeroporto ocorre três dias após o anúncio, por parte de sete grupos opositores ao governo federal — entre os quais a TPLF, as milícias Amhara Fano e o Exército de Libertação Oromo (OLA) —, da formação de uma aliança para "derrubar" o executivo de Adis Abeba.
As forças federais realizaram dezenas de ataques com drones no Tigrai desde o início do mês de agosto.
O afastamento do TPLF do poder central e as tentativas de centralização por parte do executivo do Primeiro-Ministro Abiy Ahmed alimentaram fortes tensões entre Adis Abeba e Tigrai.
A rutura agravou-se com a realização de eleições regionais consideradas ilegais pelo governo federal e a subsequente suspensão do financiamento ao Tigrai, culminando num confronto militar aberto em novembro do ano passado, após alegações de ataques a bases do exército federal.
Com a formação das Forças de Defesa do Tigrai (TDF) e a intervenção de tropas eritreias em apoio ao governo federal, o conflito resultou numa crise humanitária devastadora, marcada pelo descolamento de mais de dois milhões de pessoas, milhares de mortos e relatos de massacres.
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