Arábia Saudita sofre pior ataque desde atentado de 2015

PorExpresso das Ilhas, Lusa,11 out 2026 8:48

O ataque ao aeroporto de Riade no sábado, com 12 mortos e 309 feridos, atribuído aos huthis iemenitas, foi o mais mortífero em qualquer país árabe do Golfo desde o início da guerra no Irão.

Trata-se também do ataque mais mortífero no reino desde Agosto de 2015, quando um atentado suicida do grupo jihadista Estado Islâmico fez 15 mortos numa mesquita num quartel no sul do país.

Iniciada em 28 de Fevereiro, a guerra israelo-americana contra o Irão expandiu-se no golfo Pérsico e inclui o recente surto de combates entre os huthis e as forças do governo iemenita apoiadas pela Arábia Saudita.

Um míssil atingiu no sábado um complexo do Aeroporto Internacional Rei Khalid que alberga os terminais 3 e 4 para voos domésticos.

Morreram no ataque quatro sauditas, dois bangladechianos, um norte-americano, um egípcio, um argentino, um sírio, um palestiniano e um sudanês, precisou a autoridade da aviação civil saudita.

O ataque levou as escolas de Riade a anunciar hoje a mudança para o ensino à distância, o que acontece pela segunda vez em menos de um mês.

A coligação militar liderada pela Arábia Saudita, em apoio ao governo internacionalmente reconhecido do Iémen, acusou os huthis pró-iranianos e denunciou "um crime de guerra" ao qual responderá "com firmeza".

As operações no aeroporto foram suspensas.

A coligação também anunciou, durante a noite, a queda de um projétil perto do aeroporto de Dammam, no leste do reino.

Este aeroporto constitui, juntamente com o de Jeddah (oeste), uma alternativa ao aeroporto de Riade.

Várias embaixadas recomendaram ao seu pessoal que evitasse o aeroporto de Riade durante uma semana, segundo um diplomata ocidental.

Os funcionários norte-americanos na Arábia Saudita foram informados hoje de que também terão de solicitar autorização para aceder aos aeroportos de Dammam e Jeddah.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, declarou-se no sábado "profundamente chocado" e condenou o ataque.

Guterres recordou que "os ataques contra civis e infraestruturas civis constituem uma violação do Direito Internacional", pelo que exigiu que tais agressões cessassem imediatamente.

Os huthis já tinham reivindicado na quarta e na quinta-feira ataques contra o aeroporto de Riade, com um saldo de seis mortos.

A dimensão e a frequência dos ataques contra Riade nos últimos dias não têm precedentes desde 2014 e o início da guerra no Iémen, que opõe os huthis às forças governamentais iemenitas.

As forças do Governo reconhecido pela comunidade internacional contam com o apoio militar de uma coligação liderada pela Arábia Saudita a partir de 2015.

Estes ataques ocorrem pouco antes da realização em outubro, no reino, da grande conferência anual sobre investimento, que atrai líderes estrangeiros e figuras de relevo do mundo dos negócios.

A Arábia Saudita é o maior exportador mundial de petróleo bruto.

Os rebeldes apoiados pelo Irão lançaram uma ofensiva em Setembro no Iémen, onde tomaram o litoral do mar Vermelho e reforçaram o domínio sobre o estreito estratégico de Bab el-Mandeb.

Segundo a imprensa norte-americana, Riade pediu recentemente ajuda aos Estados Unidos para combater os huthis.

O Presidente Donald Trump, que considerou inaceitável o ataque de sábado, anunciou que iria conversar com o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, líder 'de facto' do reino.

"É possível. Vamos analisar a questão", respondeu aos jornalistas quando questionado sobre um envolvimento direto norte-americano.

Fontes militares do lado governamental no Iémen disseram no sábado à AFP que as forças iemenitas tinham avançado na zona do estreito de Bab el-Mandeb, mas sem conseguirem garantir a segurança desta via marítima.

Bab el-Mandeb ganhou relevância após o Irão ter bloqueado o estreito de Ormuz, do outro lado da península Arábica.

As alegações das partes em conflito são impossíveis de verificar de forma independente, uma vez que a situação evolui rapidamente e o acesso para os jornalistas é difícil.

Concorda? Discorda? Dê-nos a sua opinião. Comente ou partilhe este artigo.

Autoria:Expresso das Ilhas, Lusa,11 out 2026 8:48

Editado porDulcina Mendes  em  11 out 2026 14:19

pub
pub.

Últimas no site

    Últimas na secção

      Populares na secção

        Populares no site

          pub.