Democratas esperam "onda azul" para reverter políticas de Trump

PorExpresso das Ilhas, Lusa,1 nov 2026 14:25

Com liderança em grande parte das sondagens para as eleições intercalares nos EUA, o Partido Democrata aposta numa "onda" que lhe permita reverter algumas das políticas da administração republicana.

Com liderança em grande parte das sondagens gerais para as eleições intercalares de terça-feira nos Estados Unidos, o Partido Democrata aposta numa "onda" que lhe permita reverter algumas das políticas da administração republicana.

O conceito de "onda" é usado nas eleições norte-americanas para indicar a vantagem que um partido obtém numa eleição, usado sobretudo com uma vantagem significativa como a obtida pelos democratas nas intercalares de 2018, em pleno primeiro mandato de Donald Trump como Presidente, que os democratas esperam levar ainda mais longe com uma maioria no Senado este ano.

Os democratas aumentaram 40 lugares na Câmara dos Representantes em 2018, elegendo 235 dos 435 senadores, mas os Republicanos reforçaram o domínio do Senado, elegendo 53 de 100 senadores.

A esperança dos democratas é conseguir maioria na Câmara dos Representantes e no Senado. Dominando ambas as câmaras do Congresso, o Partido Democrata terá o poder de reverter algumas medidas da administração Trump.

Se o Senado não virar para os democratas, contudo, qualquer "onda azul" quebrará inevitavelmente contra uma muralha republicana na câmara alta.

Um dos temas mais polémicos do último ano nos Estados Unidos, a atuação da polícia da imigração ICE, poderá ser alvo de um Congresso dominado pelos democratas, alguns dos quais são claros na intenção de acabar com aquela força em que Trump investiu 75 milhares de milhões de dólares em 2025.

Abdul El-Sayed, o muçulmano que concorre pelo Partido Democrata ao Senado pelo Estado do Michigan, foi claro na defesa da extinção do ICE, pela qual prometeu bater-se, bem como por uma mudança total da política migratória norte-americana.

James Talarico, que disputa de perto a corrida senatorial no Texas, é mais moderado e defende uma reformulação da polícia que com Trump viu duplicar o seu número de efetivos para mais de 20 mil.

O atual líder da minoria democrata na Câmara dos Representantes, Hakeem Jeffries, prometeu em setembro deste ano ir atrás da "corrupção fora de controlo" na administração Trump se passar a líder a maioria, para o que o Congresso precisará de virar para os democratas.

Se o Congresso virar para os democratas, Jeffries passará provavelmente a líder da maioria - "Speaker of the House" - e já prometeu "pedir contas aos bandidos", referindo-se a Trump e à sua família, que os democratas acusam de enriquecer à custa dos americanos.

Uma estimativa da rádio pública NPR em janeiro desde ano apontava para ganhos de 4 mil milhões de dólares do império empresarial Trump desde o início do seu segundo mandato em 2025.

Com maioria, vem um orçamento maior e domínio nas comissões do Congresso, com os quais os democratas poderão dar outra força e eficácia a iniciativas que já lançaram, como as investigações sobre potenciais violações de direitos civis pelo ICE.

A destituição de Trump, tentada duas vezes pelos democratas, mas sempre invalidada pelo Senado de maioria republicana, está ainda em cima da mesa, bem como a de outros responsáveis da administração, como o secretário da Defesa, Pete Hegseth, e outros membros do Governo norte-americano.

O desmantelamento da maior parte da estrutura do chamado "Obamacare", iniciativa do presidente Barack Obama que em 2010 alargou as condições para mais americanos terem seguros de saúde, poderá também ser uma das políticas de Trump que um Congresso democrata tentará reverter.

Com mais de 50 milhões de votos já nas urnas - votos por correio e voto antecipado - a média mais recente das intenções de voto calculada pelo site realclearpolling dava vantagem de 8,4 pontos ao Partido Democrata.

Políticos e comentadores republicanos assinalam que as projeções poderão estar inflacionadas, contando com os votos e a simpatia por Trump - com taxas de aprovação abaixo dos 40% em várias sondagens - na América rural, procurando associar os democratas ao radicalismo, tónica de muitos anúncios de campanha.

"Em novembro, a escolha é o senso comum sobre a loucura", sintetiza um anúncio da campanha do republicano Greg Abbott, que concorre à reeleição como governador do Texas.

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Autoria:Expresso das Ilhas, Lusa,1 nov 2026 14:25

Editado porAndre Amaral  em  1 nov 2026 14:26

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