Entany foi ainda condenado a uma pena acessória de expulsão das Forças Armadas cabo-verdianas e ao pagamento de uma indemnização de 11 milhões de escudos às famílias das vítimas.
À saída da sala onde foi lida a sentença, no Comando da 3ª Região Militar, arredores da cidade da Praia, António Rocha, pai de um dos soldados mortos, não se pronunciou sobre a pena, dizendo apenas que isso tem a ver com a justiça.
"Em termos da pena de prisão, não sei explicar porque é a lei. Mas 35 ou 45 anos de cadeia não vão devolver a vida a nenhuma das pessoas", sublinhou António Rocha, que disse sentir-se "mais aliviado" mesmo assim.
Mais abalada e mais emotiva no seu desabafo, Ana Semedo Tavares, mãe de outro dos soldados assassinados, disse que "nunca" vai perdoar o autor da morte do "menino" que criou desde o seu primeiro dia de vida, já que a mãe biológica tinha problemas de saúde.
"Não o perdoo porque matou o meu filho e matou-me também. A minha saúde e a minha vida acabaram com a morte do meu filho. Fiquei sem noção".
Instada a comentar a pena de 35 anos de cadeia aplicada a Entany, Ana Semedo mostrou-se conformada, dizendo que "não há nada a fazer".
Na primeira sessão de julgamento, na semana passada, Entany, que era acusado de 11 homicídios agravados, respondeu às perguntas relativas à sua identificação, a que estava obrigado, e falou apenas para pedir desculpas ao país e às famílias das vítimas.
A acusação pediu a condenação a pena máxima de prisão e a defesa apontou a postura de colaboração do suspeito, o seu carácter calmo e os problemas que sofreu ao longo da vida como circunstâncias atenuantes da sua conduta e pediu benevolência aos juízes.
As mortes terão acontecido no dia 25 de Abril e os corpos descobertos no dia 26, e o suspeito, militar do mesmo posto, foi detido pela polícia no dia 27, na cidade da Praia, onde aguardou desde então o julgamento em prisão preventiva no estabelecimento prisional militar.
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