Lúcio Fernandes fez estas declarações após uma visita pormenorizada aos três municípios da ilha, com um dia dedicado a cada concelho, durante a qual avaliou as infra-estruturas e o funcionamento das unidades de saúde e defendeu uma reorganização dos serviços para melhorar a resposta às populações.
Segundo o ministro, a falta de médicos clínicos gerais é particularmente sentida no Hospital Regional São Francisco de Assis, que funciona com um número reduzido de profissionais, obrigando-os a realizar várias urgências por mês, situação que considerou desgastante.
O governante garantiu que o Executivo pretende reforçar, “o mais rápido possível”, a equipa médica do hospital regional, tanto para assegurar o serviço de urgência como para aumentar a capacidade de realização de consultas.
Em relação às infra-estruturas, Lúcio Fernandes considerou que o Hospital Regional São Francisco de Assis, de construção relativamente recente, “encontra-se em boas condições”, embora necessite de algumas melhorias.
Já o Centro de Saúde e a Delegacia de Saúde dos Mosteiros, que assinalou hoje 16 anos, também foram consideradas “em boas condições”.
Já com relação à Delegacia de Saúde de São Filipe, instalada num edifício construído em 1937, necessita, segundo o ministro, de uma intervenção profunda e os técnicos deverão avaliar se a estrutura poderá ser preservada através de uma remodelação ou se será necessária a construção de um novo edifício.
Em Santa Catarina do Fogo, o centro de saúde funciona num espaço adaptado, havendo, no futuro, a necessidade de se construir uma unidade de raiz para responder às necessidades do município.
O ministro anunciou ainda que o Governo pretende adquirir, durante o próximo mês, uma nova ambulância para a ilha, reconhecendo a insuficiência dos meios de transporte sanitário existentes.
Lúcio Fernandes defendeu, entretanto, a necessidade de optimizar os recursos disponíveis, evitando a duplicação de equipamentos e serviços em todas as estruturas de saúde da ilha.
Segundo explicou, é necessário reforçar a capacidade instalada no hospital regional e garantir meios eficazes para o transporte de doentes e de amostras.
Quanto à falta de especialistas, o governante admitiu que praticamente não existem profissionais disponíveis para contratação imediata e revelou que o ministério mantém contactos com especialistas cabo-verdianos no exterior, incluindo um neurocirurgião que deverá regressar ao país em Outubro.
Para responder ao déficit de especialistas, o Governo pretende reforçar a formação no exterior, através de vagas disponibilizadas por países parceiros, e avançar com formação médica especializada em Cabo Verde.
Lúcio Fernandes reconheceu que houve um déficitna formação de especialistas nos últimos anos, mas assegurou que existe actualmente um programa para formação.
O ministro anunciou também um levantamento das unidades básicas de saúde e postos sanitários da ilha, a ser realizado pelo secretário de Estado da Saúde, para identificar necessidades de reabilitação e de recursos humanos.
Defendeu que os postos sanitários devem contar com enfermeiros permanentes, capazes de realizar procedimentos básicos, como medir a tensão arterial, peso e glicemia, permitindo um acompanhamento mais rigoroso dos pacientes.
Entre as localidades identificadas estão Ponta Verde e Patim, em São Filipe, e Relva e Ribeira do Ilhéu, nos Mosteiros.
Sobre a falta de pílulas contraceptivas, Lúcio Fernandes confirmou que o problema existe, mas rejeitou a ideia de que se trate de uma estratégia para aumentar a natalidade e explicou que o país enfrenta dificuldades na aquisição de medicamentos e materiais hospitalares.
Segundo o ministro, quando o actual Governo assumiu funções, o orçamento para a compra de medicamentos apresentava um saldo negativo de 130 milhões de escudos.
Por isso, foram disponibilizados mais 300 milhões de escudos, através do orçamento rectificativo, para garantir a aquisição de medicamentos e materiais hospitalares e evitar rupturas até ao final do ano.
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