Em entrevista, esta terça-feira, Lúcio Miranda Fernandes afirmou que as delegacias de saúde estão comprometidas com as acções de prevenção, destacando o trabalho desenvolvido junto das comunidades.
“Fizemos uma campanha de limpeza com uma boa adesão das instituições e também da população em alguns municípios, noutros nem tanto. Mas o nosso programa para a campanha de limpeza foi sensibilizar as pessoas, e não podemos sensibilizar as pessoas com uma só campanha”, afirmou.
O Ministro explicou que o trabalho das delegacias de saúde tem continuado mesmo depois da campanha, embora nem sempre seja divulgado.
“As delegacias têm continuado este trabalho que não tem sido divulgado. As delegacias têm feito este trabalho todos os dias, de sensibilizar as pessoas, de fazer limpeza lá onde é mais necessário, onde conhecemos, onde temos mais focos do mosquito”, explicou.
Lúcio Miranda Fernandes reconheceu ainda que existem zonas de maior risco, conhecidas pelas autoridades sanitárias de cada ilha, onde todos os anos se verifica maior proliferação do mosquito e de doenças por ele transmitidas.
“Conhecemos os lugares de maior risco, onde todos os anos temos maior proliferação de doenças transmitidas pelo mosquito. As delegacias de cada ilha conhecem bem esses lugares, que é onde também têm dado maior importância à prevenção neste momento”, afirmou.
Quanto ao Dia Mundial do Mosquito, o Ministro disse que o Ministério da Saúde não tem prevista, neste momento, uma actividade específica a nível central.
“Neste momento, do Ministério directamente, não temos nenhum plano. É juntamente com as delegacias, na continuação da sensibilização das pessoas”, esclareceu.
Dengue e paludismo
A nível nacional, o Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue e da Zika, está presente em todas as ilhas, enquanto o Anopheles, vector do paludismo, já foi identificado em todas as ilhas, com excepção de Brava e Sal.
Conforme o especialista em Saúde Pública Deolindo da Luz, da Direcção Nacional de Saúde, não há, no período pré-chuvas, um aumento generalizado da população de mosquitos, mas as autoridades mantêm as medidas de prevenção para evitar uma maior proliferação após as chuvas.
Relativamente às doenças transmitidas por mosquitos, Deolindo da Luz confirmou que Cabo Verde já registou casos de dengue em 2026, situação que, segundo o especialista, exige o reforço das acções de prevenção, vigilância e controlo vectorial.
Quanto ao paludismo, apesar de serem registados casos importados, são adoptadas medidas para evitar a disseminação da doença e interromper a cadeia de transmissão.
No que diz respeito ao risco de reintrodução do paludismo, Santiago e Boa Vista são classificadas como ilhas de muito alto risco, enquanto Fogo, Sal e São Vicente apresentam alto risco. São Nicolau surge como zona de baixo risco e Santo Antão, Maio e Brava como de muito baixo risco.
Quanto às arboviroses, como dengue e Zika, a situação é diferente. O especialista sublinhou que todas as ilhas devem manter-se permanentemente em estado de alerta, uma vez que existem condições ecológicas favoráveis à proliferação do Aedes aegypti em todo o arquipélago.
“Enquanto ao paludismo, sendo Cabo Verde um país certificado pela OMS como livre do paludismo, a vigilância epidemiológica deve ser o mais sensível possível de forma a permitir a deteção precoce de qualquer caso suspeito, sabendo que temos entrada diária de pessoas oriundas de países endémicos, o que representa um risco permanente de reintrodução da doença”, frisou.
A nível nacional, conforme disse, as autoridades de saúde mantêm diversas acções de vigilância e controlo do mosquito, com prioridade para as zonas de maior risco.
Entre as medidas estão a busca activa de criadouros, dentro e fora das residências, o tratamento dos viveiros através de métodos químicos e biológicos e a identificação das áreas prioritárias de intervenção.
Estão também previstas campanhas de sensibilização e comunicação de risco, com o objectivo de promover a participação da população na eliminação de criadouros e no controlo dos vectores.
Prevêem ainda campanhas de pulverização intradomiciliar nas zonas com maior densidade de mosquitos, bem como o reforço e a capacitação dos agentes de luta antivectorial e das equipas de comunicação de risco.
O plano inclui igualmente o reforço da articulação entre diferentes sectores no combate às doenças transmitidas por vectores.
O especialista alertou a população deve consciencializar sobre os perigos das doenças transmitidas por mosquitos, uma vez que já há registo de casos, com um certo nível de gravidade e de desfecho a óbito.
Foto: Depositphotos
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