Augusto Neves sublinhou que o Dia do Município deve ser um momento de honra e reflexão colectiva, numa referência à passagem da tempestade tropical que atingiu a ilha a 11 de Agosto de 2025, provocando nove mortos e um enorme rasto de destruição.
“Enaltecer Mindelo é levar o nosso município a uma dimensão que transcende a sua dimensão histórica, constituindo-se como tributo às mulheres e aos homens que dedicam o seu esforço, determinação, ambição e coragem no sentido de dotar a nossa grande comunidade dos recursos, competências e sinergias que nos permitirão ambicionar atingir patamares mais elevados de afirmação num contexto de desenvolvimento sustentado, na criação de condições objectivas para uma economia local saudável e para a definição de níveis de excelência nas áreas educativa e sociocultural, rumo a um futuro que pretendemos deixar aos nossos filhos como herança da qual nos possamos orgulhar”, disse.
O presidente da Câmara reconheceu ainda que, ao longo do último ano, o município enfrentou desafios significativos, que obrigaram à tomada de decisões “difíceis e, em alguns casos, no limite”.
“Tendo sido exigido aplicar muita determinação, empenho e coragem. Decisões que, como referi, exigiram responsabilidade e coragem política, mas que tomámos em nome da defesa do interesse público e em linha com o compromisso assumido perante os sanvicentinos”, assegurou.
A cerimónia foi presidida pelo Primeiro-ministro, que reafirmou o compromisso do Governo com a recuperação de São Vicente e recordou que a prioridade absoluta da acção governativa são as pessoas.
“Por isso é que nós, relativamente às famílias das nove pessoas que morreram, dentre as quais houve dois desaparecidos, mas até agora considera-se que estão mortos, fixamos uma subvenção, uma pensão para essas famílias. Toda a acção relativamente à subvenção e protecção visa garantir que aqueles que perderam rendimento por causa da inactividade da sua actividade, quer do comércio formal, quer de outros, porque não podiam exercer. Criámos um conjunto de mecanismos de financiamento de apoio a empresas de micro, pequenas, médias e grandes empresas para poderem retomar a actividade. Depois, investimentos com uma boa parceria com a Câmara para limpar a cidade e repor as infraestruturas”, referiu.
De acordo com o Primeiro-ministro, a resposta articulada entre o Governo e as autoridades municipais demonstra o empenho do Executivo em assegurar a normalização da vida da população e a reconstrução sustentada de São Vicente.
O chefe do Governo apontou o dia 29 deste mês para a apresentação pública do balanço de execução do programa pós-tempestade, "com transparência das contas dos recursos mobilizados e da sua aplicação".
Os três partidos com assento na Assembleia Municipal de São Vicente defenderam posições distintas sobre a resposta às consequências da tempestade, durante a sessão solene do Dia do Município, realizada no Mindelo.
O PAICV, através do líder da bancada municipal, afirmou que São Vicente precisa de políticas públicas mais robustas nas áreas da prevenção, adaptação climática e protecção social, e recordou que ainda não foi apresentado à população o anunciado plano de reconstrução e de resiliência.
“Para que fenómenos semelhantes não voltem a ter impactos tão negativos. Entretanto, seis meses se passaram e ainda não foi apresentado ao povo de São Vicente o tal plano de reconstrução e de resiliência. É urgente o plano de correcção torrencial a montante e nas bacias hidrográficas que circundam a cidade do Mindelo. É urgente a construção de diques e tanques de retenção. É urgente o desassoreamento dos diques e o seu reforço. É urgente um sistema de drenagem nas ruas da cidade do Mindelo. São Vicente não é somente o centro da cidade. É preciso olhar de forma humana para as zonas periféricas”, defendeu.
Em representação dos eleitos da UCID, Anilton Andrade apelou a um novo ciclo de desenvolvimento assente na justiça social, equidade territorial e dignidade da pessoa humana.
“Há uma distância que se sente nas várias ruas sem saneamento básico adequado, nas comunidades sem acesso digno, no crescimento urbanístico desorganizado e sem planeamento, nas famílias que vivem em habitação precária, sem dignidade e sem esperança, nos pequenos empresários que lutam para manter os seus negócios abertos, mas sobretudo nos jovens sem oportunidades. Temos que protagonizar um novo ciclo, com mais e melhores oportunidades, mais e melhor justiça social e equidade territorial, mais e melhor democracia, mais e melhor dignidade da pessoa humana”, apontou.
Por seu lado, António Pedro Rodrigues, líder municipal do MpD, destacou o trabalho desenvolvido pela Câmara Municipal no período pós-tempestade, com particular enfoque no apoio às famílias afectadas.
“Devemos reconhecer a importância que tiveram para as famílias desalojadas, o reforço das ajudas, com o programa de construção de mais habitações sociais, o programa Ijdob compô bo casa e a entrega imediata, sublinho, imediata, de 36 habitações familiares do condomínio Rozar, também suportada pelo Cadastro Social Único. De destacar ainda, por ser de justiça, as intervenções permanentes e contínuas dos trabalhadores da Câmara Municipal de São Vicente, incansáveis no decurso das acções de saneamento, na mobilidade urbana”, enumerou.
A sessão solene ficou marcada por um minuto de silêncio em memória das vítimas da tempestade e por uma homenagem às empresas e organizações que apoiaram a retoma e a recuperação da ilha.
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