Num comunicado divulgado esta segunda-feira, Milton Paiva afirma que a decisão resulta de um período de consultas, diálogo e mobilização em torno do Manifesto 53. Segundo explica, apesar de ter recolhido centenas de assinaturas e manifestações de confiança de cidadãos e apoiantes de diferentes sensibilidades políticas, não conseguiu obter o apoio formal de nenhum partido.
“Esta realidade coloca uma candidatura independente numa posição de desvantagem objectiva perante as características do nosso sistema político e eleitoral”, afirma Milton Paiva, considerando que reconhecer essa realidade representa “lucidez política” e não uma renúncia às suas convicções.
O ex-candidato refere ainda que o MpD decidiu, na sua Direcção Nacional de Agosto, apoiar outra candidatura, enquanto os restantes partidos não manifestaram, até ao momento, uma posição que permitisse construir uma estrutura de apoio considerada necessária para uma candidatura presidencial independente.
A decisão surge também na sequência do diálogo mantido com Joana Rosa. Milton Paiva diz ter constatado que a deputada “se mantém disponível para confirmar e levar por diante a sua candidatura” e considera que a manutenção de duas candidaturas num espaço político próximo poderia provocar divisão entre potenciais apoiantes.
“Não considero viável nem politicamente produtiva a manutenção de duas candidaturas situadas num espaço político próximo”, escreve, apontando o risco de “divisão, confusão, conflito ou, sobretudo, desmobilização e abstenção” de eleitores com valores e objectivos semelhantes.
Milton Paiva enquadra igualmente a sua decisão na necessidade de renovação geracional da política cabo-verdiana. No comunicado, destaca a vitória de Paulo Veiga nas eleições internas do MpD e afirma reconhecer-se no espaço político que daí emerge, considerando-o um possível “laboratório de renovação geracional, de novas lideranças e de novas ideias para Cabo Verde”.
O político classifica a decisão de não avançar para as eleições presidenciais como um acto de responsabilidade, tendo em conta um calendário eleitoral que considera particularmente difícil, marcado pela coincidência entre o processo presidencial e as eleições internas no principal partido da oposição.
“Considero que a decisão mais responsável e mais útil para o espaço político e cívico que procurámos construir é retirar a minha disponibilidade para a candidatura presidencial e abrir espaço para a candidatura da Deputada Joana Rosa”, afirma.
A retirada da candidatura ocorre a pouco mais de dois meses das eleições presidenciais de 15 de novembro de 2026.
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