Cabo Verde vai liderar Aliança dos Pequenos Estados Insulares com atenção ao clima

PorExpresso das Ilhas, Lusa,3 out 2026 17:44

Cabo Verde vai liderar a Aliança dos Pequenos Estados Insulares (AOSIS, sigla em inglês) em 2027 e 2028 e colocar o debate sobre as alterações climáticas entre as prioridades, disse hoje o ministro dos Negócios Estrangeiros, Manuel Amante da Rosa.

“Iremos batalhar bastante sobre as mudanças climáticas. Hoje, os países insulares em desenvolvimento e os países costeiros são vítimas”, referiu o governante.

Manuel Amante da Rosa falava em conferência de imprensa, durante um balanço dos encontros que uma comitiva governamental manteve em Nova Iorque, entre 21 e 29 de setembro, à margem da participação na 81.ª Assembleia Geral das Nações Unidas.

“Os próximos passos terão de ser o reforço da nossa missão permanente [junto das Nações Unidas], uma renovação da nossa vontade de fazer da AOSIS cada vez mais uma organização que seja consultada e tida em conta”, indicou.

Cabo Verde pretende chamar a atenção para as principais necessidades comuns aos arquipélagos em todo o mundo e que passam pela conectividade, resiliência hídrica, alimentar e financiamento dedicado, acrescentou fonte governamental à Lusa.

O objetivo passa por “operacionalizar recursos” para criar projetos-piloto replicáveis noutros SIDS.

A presidência cabo-verdiana pretende explorar novos investimentos através da troca de dívida por ação climática – instrumento que está a ser ensaiado com Portugal –, através de títulos soberanos focados na economia azul ou promovendo financiamento misto, isto é, articulado com parceiros como a União Europeia (UE) ou Banco Mundial, combinando donativos com créditos concessionais, reduzindo o risco para o investidor privado.

O arquipélago será depois responsável pela V Conferência Internacional dos SIDS que a capital, Praia, acolherá em 2034.

Ainda no balanço dos encontros em Nova Iorque, Cabo Verde participou numa reunião informal de concertação política da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP).

A reunião recomendou o envio de “uma Missão de Bons Ofícios de Alto Nível” à Guiné-Bissau para apoiar a estabilização democrática, disse Manuel Amante da Rosa.

Noutro âmbito, o arquipélago foi incumbido de organizar uma cimeira sobre “Desafios de Segurança no Espaço Atlântico”, em 2027, no âmbito do Processo dos Estados Africanos do Atlântico (PEAA), grupo que reúne 23 países africanos com costa atlântica.

O arquipélago transferiu ainda para o Brasil a liderança da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (ZOPACAS), sob a égide da ONU, após um mandato de três anos (2023–2026) conduzindo à expetativa de ativação da Convenção para a Proteção do Ambiente Marinho no Atlântico Sul.

A delegação cabo-verdiana em Nova Iorque foi chefiada pelo primeiro-ministro, Francisco Carvalho, integrando o ministro dos Negócios Estrangeiros, Manuel Amante da Rosa, a ministra da Família e Trabalho, Adélsia Almeida e o ministro da Cultura e Juventude, António Duarte.

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Autoria:Expresso das Ilhas, Lusa,3 out 2026 17:44

Editado porFretson Rocha  em  3 out 2026 18:10

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