Israel "tem de acabar" com detenção administrativa de palestinianos

PorExpresso das Ilhas, Lusa,11 abr 2022 14:31

A Amnistia Internacional (AI) exortou hoje Israel a pôr fim ao regime de detenção administrativa, no centésimo dia de boicote aos tribunais israelitas por parte de prisioneiros palestinianos detidos sob esse sistema, sem acusação ou julgamento.

O longo boicote por parte dos quase 500 detidos sob este controverso método de detenção "sublinha a necessidade de pôr fim a esta prática cruel e injusta que ajuda a manter o sistema de apartheid israelita contra os palestinianos", pode ler-se no comunicado da AI.

Os palestinianos detidos sob este regime -- durante o qual desconhecem as acusações feitas contra si e não têm data de libertação -- iniciaram um boicote colectivo em 01 de Janeiro de 2022, "recusando-se a participar em processos" da Justiça militar israelita que "são utilizados para aprovar a sua detenção arbitrária", acrescentou a organização não-governamental (ONG).

"O seu acto de desobediência realça a cumplicidade de longa data dos tribunais militares na utilização de detenção administrativa contra palestinianos, no âmbito da qual que são encarcerados durante meses sem acusação ou julgamento, muitas vezes por capricho de oficiais militares do ministro da Defesa com base apenas em informações secretas", das quais não fornecem pormenores, acusa a AI.

Saleh Higazi, director adjunto da ONG no Médio Oriente e Norte de África, salientou que "esta prática cruel e desumana" tem sido aplicada há décadas contra "defensores de direitos humanos, jornalistas, académicos e outros palestinianos".

Ao mesmo tempo, apelou à comunidade internacional e aos Estados com relações estreitas com Israel para que "tomem medidas concretas e pressionem para que acabem com esta prática".

Segundo a Amnistia, isso seria "um passo no sentido do desmantelamento do apartheid".

De acordo com a ONG Addameer, de apoio jurídico a presos palestinianos, Israel emitiu mais de 5.700 mandatos de detenção administrativa para palestinianos entre 2017 e 2021.

As detenções sob este regime também aumentaram no ano passado devido ao aumento da tensão na região durante a escalada bélica entre Israel e as milícias de Gaza, em Maio.

De acordo com a AI, este sistema foi também usado durante décadas por Israel para deter "presos de consciência" pelo "exercício dos seus direitos à liberdade de expressão, reunião e associação", e "para os punir pelas suas opiniões e activismo".

Entre outros, a ONG destacou o caso de Salah Hammouri, um advogado franco-palestiniano detido desde Março deste ano, que já esteve sob detenção administrativa no passado e que "as autoridades israelitas assediaram repetidamente", tomando também "medidas para revogar o seu estatuto de residente em Jerusalém Oriental".

A AI mencionou ainda o caso de Amal Nakhleh, palestiniano de 18 anos com uma grave doença auto-imune, que se encontra sob detenção administrativa há mais de um ano e que foi detido quando ainda era menor.

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Autoria:Expresso das Ilhas, Lusa,11 abr 2022 14:31

Editado porAndre Amaral  em  12 abr 2022 9:07

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