Autárquicas 2016: Candidaturas Independentes entram na corrida às CM

PorSara Almeida,14 mai 2016 6:00

A lista já ia longa, mas nas últimas duas semanas, pelo menos, mais nove “candidatos a candidatos” pelo MpD anunciaram o seu desejo de serem sujeitos a sondagens. É que, como se sabe, é com base nestas sondagens (embora não só) que o partido vai escolher quem apoiar na corrida às Câmaras Municipais. Apesar do elevado número de pré-candidatos já conhecidos, ainda há concelhos onde ainda não foi divulgado nenhum nome. Isto, apesar das listas já deverem estar fechadas, pois, de acordo, com o regulamento para escolha dos candidatos, o prazo para manifestar interesse em incluir o nome nas sondagens terminou na segunda-feira, dia 9. Listas fechadas, as sondagens devem agora decorrer até 16 de Junho.

Da parte do PAICV, pelo contrário, o nome dos candidatos vão saindo a conta-gotas, e embora alguns ainda não estejam confirmados, tudo leva a crer que a maior parte dos nomes anunciados sejam de facto os apoiados pelo partido. Da parte da UCID, que concorrem em dez municípios, ainda não foram avançados nomes, e do PP, que se candidata em dois, apenas foi revelado o candidato da Praia.

Mas além das candidaturas apoiadas por estes quatro partidos, surgiram já, também, três candidaturas “independentes”. José Vaz Furtado líder do recém-criado Grupo pela Transformação do Tarrafal (GITTA), concorre à Câmara deste concelho de Santiago. Em Santo Antão, o grupo independente Aliança Democrata-Cristã de Santo Antão (ADC-SA), de António Silva, perfila-se para as eleições na Ribeira Grande, não descartando concorrer também nos outros dois concelhos da ilha. Já no Fogo, mais concretamente em Mosteiros, surge a candidatura independente de Pedro Centeio.

MpD: De acordo com o regulamento para escolha dos candidatos aos órgãos autárquicos, terminou na segunda, dia 9, o prazo para manifestação de interesse dos candidatos, em entrar nas sondagens MpD. Ontem, 10, foi a data limite para os coordenadores de cada Comissão Política Concelhia, remeterem, por sua vez, à Comissão Política Nacional “a proposta de interessados a serem sondados como candidatos a candidatos a Presidente da Câmara Municipal”. As sondagens devem agora decorrer até 16 de Junho.

 

Santo Antão:Uma aliança por “menos discurso e mais acção”

As Autárquicas de 2016 advinham-se uma disputa inédita em Santo Antão. Isto porque, como repara a Inforpress, é a primeira vez que há quatro candidaturas concorrentes. Ao MpD, PAICV e UCID junta-se, na corrida eleitoral, o grupo independente Aliança Democrata-Cristã de Santo Antão (ADC-SA), que concorre sob o lema “menos discurso e mais acção”.

A ADC-SA, liderada pelo emigrante António Silva, entra na corrida na Ilha das Montanhas, mas, até ao momento não foram divulgados os nomes dos candidatos.  De acordo com o jornal Liberal, o certo é que o recém-formado grupo independente, estará “nas urnas, pelo menos em Ribeira Grande, podendo estender-se pelos três municípios desta ilha”.

A ADC – SA tem-se, assim,  mantido discreta e pouco mais se sabe sobre as aspirações dos grupos que a constituem, do que aquilo que foi anunciado a 2 de Agosto de 2015, em Ribeira Grande, aquando da sua apresentação pública. Nessa altura, como relembra a Inforpress, o líder da Aliança apresentou oito áreas prioritárias para a ilha, que irão nortear as plataformas eleitorais: “desenvolvimento económico, saúde pública, ensino, ciências e tecnologias, modernização da administração política local, desenvolvimento ambiental, agricultura, pecuária e agro-negócios”.

O mesmo jornal acrescenta que a aliança tem por bandeira a criação de uma Escola Superior de Engenharia Agrária, em Santo Antão.


GITTA quer tirar o Tarrafal do “marasmo em que se encontra”


Nascido do descontentamento de um grupo da sociedade civil face ao ritmo de desenvolvimento deste município de Santiago, o recém-criado Grupo Independente de Transformação do Tarrafal (GITTA) apresentou-se publicamente esta semana. Trata-se de uma iniciativa encabeçada por José Vaz Furtado, que pretende trazer uma nova visão de gestão autárquica, diferente e sem amarras de índole partidária.

A aposta na promoção de uma candidatura independente surgiu do entendimento de que estando “amarrado à ideologia dos partidos políticos, o compromisso não estará firmado com os munícipes, mas com os próprios partidos”, justifica ao Expresso das ilhas o líder da GITTA.

José Vaz Furtado acredita que, em Cabo Verde, os cidadãos começam a ter uma maior abertura a candidaturas independentes e da alternativa que estas podem constituir. “As pessoas já começaram a perceber que no caso do Tarrafal, este é um concelho que está há 25 anos nas mãos de um único partido, ou seja do MpD, e se formos ver na prática, a nível de desenvolvimento e ainda não atingimos um nível igual ao de outros municípios”, avalia.

Segundo defendem Furtado e a sua equipa, o concelho foi beneficiado por um conjunto de condições naturais propício ao seu desenvolvimento, mas este foi entravado pois o município teve “a sina” de ser liderado por pessoas “que não têm visão”.

“Precisamos de dar o salto e para dar o salto nos temos de ter agora um candidato à altura, um candidato com visão de futuro, preocupado com o problema das pessoas, com base nisto nos organizamos o grupo independente para fazer face a essa problemática. Ou seja tirar o Tarrafal do marasmo em que se encontra”, diz.

José Vaz Furtado considera ter as características necessárias para assumir a liderança da Câmara Municipal e dar um bom impulso no desenvolvimento do Tarrafal. Entre essas competências, o candidato independente, salienta a sua formação na área de Administração Local, mas também o facto de ser uma pessoa aplicada e esforçada, como aliás, demostra o seu percurso de vida. Filho de uma família humilde, conseguiu prosseguir os estudos e atingir um bom nível de vida, graças a esse esforço, revela.

Quanto às apostas para o município, José Vaz Furtado destaca um maior “investimento na área do turismo”, não só no balnear, que é o mais óbvio, como no turismo de montanha e outros. Agricultura e pecuária, são também outras áreas onde é preciso um novo olhar.

Quanto às obras já em curso, o candidato independente garante que são para continuar. “Não vamos causar ruptura, vamos dar continuidade, acelerando o ritmo de desenvolvimento e dando um novo alento e uma nova projecção ao Tarrafal”, avança.

“O GIATTA surgiu como uma alternativa, uma solução, principalmente para os tarrafalenses que são críticos quanto ao ritmo de desenvolvimento do Tarrafal”, conclui.

No Tarrafal espera-se que haja pelo menos quatro candidatos às Autárquicas 2016, apoiados pelo MpD, PAICV, GITTA e também pelo PP, que já anunciou que irá entrar na corrida, neste município.

O próprio autarca actual já manifestou o seu desejo de ser sujeito às sondagens do MpD, com vista a uma eventual reeleição. Embora neste momento esteja mais preocupado com fazer o seu trabalho presente do que com as eleições, também ele aponta já quais seriam as prioridades da sua plataforma. Entre elas está, incontornavelmente, a aposta no turismo - “Um turismo estruturado”, explicita ao EI – mas também na infra-estuturação do concelho. Ambas estas apostas servirão também para colmatar um grande problema do município, que é o desemprego.                      


Fogo: Pedro Centeio de volta  à corrida eleitoral

Também no município dos Mosteiros surge um independente. Pedro Centeio, dissidente do PAICV, que já em 2012 tentou candidatar-se a Câmara Municipal, entra agora nesta nova corrida. O candidato considera que o desgaste do actual edil – que será novamente apoiado pelos tambarinas – irá jogar a seu favor. O independente diz querer usar as potencialidade do concelho e retirar “Mosteiros da lista dos municípios mais pobres de Cabo Verde”.

“Preocupa-me que este concelho com as potencialidades que todos reconhecem continue a ver passar o tempo e as oportunidades de desenvolvimento. Infelizmente, muito por falta de visão dos anteriores executivos, Mosteiros não tem uma política assertiva para atrair financiamento”, alega numa entrevista, aparentemente institucional, publicada na sua página de Facebook.

Pedro Centeio, com quem foi impossível chegar à fala, até ao fecho desta edição, tem vindo a mostrar-se publicamente satisfeito com a recepção que o seu projecto autárquico tem tido, por parte dos munícipes dos Mosteiros.

Esta é a segunda vez que Centeio se aventura nas autárquicas. Em 2012 apresentou-se como cabeça-de-lista da Candidatura Independente Ganhar Autárquicas (CIGA), mas a sua candidatura foi rejeitada pelos pelos tribunais, devido a alegadas irregularidades nas assinaturas dos proponentes da sua equipa, recorda a Inforpress. A CIGA foi criada após o PAICV lhe ter negado apoio político, optando reconduzir Fernandinho Teixeira como candidato do partido.

Nestas eleições, tudo aponta que o actual edil será novamente o candidato tambarina, o que não demove Centeio que desde 2012 está a preparar-se para o embate.

Esta candidatura “independente porque é forjada fora do espartilho partidário”, conforme aponta na referida entrevista no FB, defende um “desenvolvimento sustentado, só possível em estreita colaboração com os cidadãos, instituições e empresas.”

“Turismo, Pescas e Agricultura, são áreas chave” e visa-se “criar condições para atrair parceiros nacionais e internacionais para investirem no concelho. Parte deste investimento pode ser focalizado no turismo rural e de aventura”.

O candidato é emigrante e reside actualmente em Paris, mas foi em Portugal que viveu a maior parte da sua vida. Aí foi militante activo do PAICV e envolveu-se no movimento associativo. A partir de 2001 começa a visitar regularmente Cabo Verde, particularmente Mosteiros, revela uma biografia também disponível no seu FB.

 

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 754 de 11 de Maio de 2016.

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Autoria:Sara Almeida,14 mai 2016 6:00

Editado porRendy Santos  em  13 mai 2016 16:56

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