Com implementação dos Jogos Sociais numa plataforma digital, a CVCV facilita o jogo, reforça a sua ação humanitária e dinamiza a economia solidária e social

PorAvelino Gonçalves,25 nov 2020 14:16

A Cruz Vermelha de Cabo Verde está no processo de implementação de um novo sistema de jogos, moderno, multicanal e multijogo. Um investimento considerável feito pela atual direção para modernizar e fazer crescer a Cruz Vermelha de Cabo Verde.

Cumprindo o novo regime jurídico dos jogos sociais de Cabo Verde, e após longo período de espera, o governo concessionou os jogos sociais à Cruz Vermelha de Cabo Verde. Com décadas de experiência na exploração de jogos sociais no país, está instituição humanitária vai continuar a explorar o Totoloto, o Joker, a Lotaria Nacional e ainda o Totobola. A duração do contrato de concessão é de vinte anos, durante os quais a Cruz Vermelha cabo-verdiana comprometeu-se a canalizar os lucros gerados pela sua exploração aos projetos sociais.

Com efeito, era essa oficialização que a direção da CVCV aguardava para poder acionar o botão da modernidade e trazer as novas tecnologias aos jogos sociais que vem explorando, com sucesso, há 43 anos. "A aprovação do novo Regime Jurídico de Jogos Sociais em Cabo Verde e a assinatura do contrato de concessão criam as bases legais para o investimento e o avanço tecnológico para a Cruz Vermelha", diz Avelino Gonçalves, Diretor do Departamento de Administração, Inovação e Desenvolvimento dos Jogos da CVCV.

Assim, a Cruz Vermelha cabo-verdiana ficou institucionalmente habilitada para avançar com o projeto de modernização dos jogos, em parceria com a Santa Casa de Misericórdia de Lisboa e com os seus parceiros técnicos, num investimento de alto valor financeiro. Avelino Gonçalves, enquanto responsável pelo Departamento de Jogos não tem dúvidas que este é o maior projeto desta direção, liderada pelo Tenente Coronel Arlindo Carvalho, Presidente da Cruz Vermelha de Cabo Verde.

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"O Programa de Governação 2017/2021, aprovado em fevereiro de 2018 pelo Conselho Superior, elegeu a modernização e o desenvolvimento de jogos, e a transmissão do sorteio em direto na televisão como a sua principal prioridade. “O primeiro passo para o modernismo foi a aprovação em 2018 da atual estrutura orgânica da Cruz Vermelha de Cabo Verde, que criou o Departamento de Administração, Inovação e Desenvolvimento dos Jogos, dando-lhe mais autonomia", contenta-se Avelino Gonçalves.

Melhores prémios e mais ação social

De facto, a digitalização vem revolucionar os jogos sociais em Cabo Verde. E a CVCV equaciona, a curto prazo, introduzir novos jogos, para além dos já existentes. Para já, esta organização humanitária centra as baterias nos jogos já existentes e na introdução de um sistema moderno, multicanal e multijogo.

"As atuais máquinas de autenticação mecânica vão ser substituídas por terminais de jogo on-line, capazes de ler e interpretar as apostas feitas através dos boletins, registá-las no sistema central, produzir o recibo comprovativo e, após o sorteio, consultar e informar os prémios. Todas as agências vão estar ligadas ao sistema central transversalmente a uma rede de dados segura, assente na Internet. Os atuais boletins de três vias (original, cópia e recibo) deixarão de existir e serão substituídos por outro de uma via e que possibilitará fazer várias apostas simples e múltiplas. O registo da aposta na Cruz Vermelha será on-line e em tempo real, e o recibo comprovativo será emitido pelo sistema central no momento de jogar, o que constitui confirmação da aposta. A par das agências, os apostadores poderão também jogar nos canais 100% digitais e a qualquer hora, para isso basta dispor de um telemóvel, tablet ou computador, como também a partir das caixas Vinti4 e Televisão Digital Terreste".

Uma outra inovação será a automatização de pagamento dos prémios. "O prémio será depositado na conta bancária do jogador e este será informado via correio eletrónico ou SMS", anuncia Avelino Gonçalves, lembrando a vantagem de o jogo no digital permitir "a qualquer apostador jogar a partir de casa” deixando assim de precisar de um boletim físico para validar a aposta. Novidade essa, que agrada aos apostadores que residem fora de Santiago, já que vão deixar de ter as dificuldades em fazer transportar os boletins das outas ilhas para a sede da CVCV, na Praia, como vem acontecendo.

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Como prometera o Tenente Coronel Arlindo Carvalho “Vamos ter um sistema moderno, que tem a ver com os terminais. Permitindo que as pessoas que preferem o canal tradicional de jogo ou que tenham alguma resistência às novas tecnologias continuem a jogar como dantes, mas de forma mais eficiente e fácil, através dos terminais físicos das agências, com suporte totalmente digitalizado. O que significa que uma pessoa faz as suas apostas através de um aparelho localizado nas agências e, de imediato, as informações das apostas acabadas de fazer, fiquem registadas na sede”. Continuando explica que os novos terminais a serem colocados nas agências “vão ter um scanner que faz a leitura do boletim, uma impressora, um computador tátil, acabando assim com uma “certa injustiça” entre as ilhas que permitia que em algumas ilhas só podia-se jogar até quarta-feira, noutras até quinta-feira, e em Santiago até ao último dia”.

Para Avelino Gonçalves, este novo modelo de jogos abre boas perspetivas para o crescimento do número de apostadores e, por consequência, o aumento do valor dos prémios. “Quanto ao valor em si temos cálculos e elementos que nos dão o possível valor que vamos arrecadar com a automatização, visto que os custos de impressão dos boletins de jogo vão baixar, além dos custos atuais dos concursos e dos escrutínios que irão igualmente reduzir. Deixar-se-á de fazer a recolha semanal dos boletins para enviar para a cidade da Praia. Vai-se diversificar os canais de jogos, e possivelmente realizar mais do que um sorteio por semana. O escrutínio, ou seja, a determinação dos prémios, passará a ser automático e o resultado conhecido momentos depois do sorteio", aponta Gonçalves.

Segundo este responsável, "os agentes vão ter uma formação muito abrangente e serão acompanhados de perto durante a transição para o novo sistema. Haverá um programa de formação continua permitindo que os agentes se apropriem do novo sistema e participem na implementação das inovações.”

Um grande ganho para a Cruz Vermelha de Cabo Verde com a automatização dos jogos é a sua internacionalização. "Através do digital a diáspora cabo-verdiana e não só poderão jogar, como que se estivessem em Cabo Verde" advoga Avelino Gonçalves que não espera dificuldades dos apostadores na adesão ao novo sistema. "Acreditamos que a transição para o novo sistema será intuitiva e rápida pelo que não haverá a necessidade de formação aos apostadores. Jogar vai ser muito mais fácil e intuitivo. Nos canais digitais as apostas serão feitas por toque ou cliques do rato, sem necessidade do boletim físico. Para facilitar, nos primeiros tempos a CVCV vai distribuir desdobráveis contendo as regras e instruções básicas de como apostar, assim como na sua plataforma de jogos e nos sites da Instituição vai-se publicar instruções em forma de vídeo".

Haverá também mudanças nos valores em jogo, seja em apostas, como em prémios. "O preço das apostas vai ser revisto depois de mais de 20 anos sem atualização.

Para finalizar Avelino Gonçalves concluiu afirmado que "a Cruz Vermelha de Cabo Verde está a investir num sistema de jogo certificado, tanto ao nível de qualidade como de segurança. Embora assente sobre a internet, que é uma rede pública, a comunicação entre os intervenientes dos jogos será feita sobre uma rede virtual privada e segura, onde toda a troca de informação será encriptada e indecifrável a terceiros". 

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Autoria:Avelino Gonçalves,25 nov 2020 14:16

Editado porExpresso das Ilhas  em  26 nov 2020 17:53

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