Kriol Jazz Festival Praia. Salve, Jorge

PorChissana Magalhães,21 abr 2018 14:51

Seu Jorge no palco do Kriol Jazz Festival Praia
Seu Jorge no palco do Kriol Jazz Festival Praia(Christiano Barbosa - KJF)

Pela primeira vez, os cerca de 2500 bilhetes disponibilizados para uma noite de concertos do Kriol Jazz Festival Praia (KJF) esgotaram. E com vários dias de antecedência. O interesse do público estava sobretudo em Seu Jorge. O brasileiro, que fechou o primeiro dia de espectáculos pagos, não desapontou. Mas o conjunto das actuações confirmaram a qualidade em ascendente do Festival que os espectáculos de hoje prometem, no mínimo, igualar.

Essa foi antes uma Funanight, com uma abertura forte de Mário Lúcio que, pontualmente ás 20h30, começou a embalar o público com os temas do seu mais recente disco (Funanight, 2017). O músico descreve-o como sendo a sua memória do funaná desde a sua infância até ao presente, e cujo processo criativo lhe permitiu sentir “as similitude do funaná com os espíritos do poprock e do jazz, compreendido e exteriorizado por tais grupos, na modernidade das guitarras substituindo o acordeão, e nos espaços de improvisos para a espontaneidade”.

Pelo meio, houve espaço para oferecer á plateia o sempre bem recebido hino “Ilha de Santiago”. Voltando á homenagem ao funaná em fusões que vão do reggae ao ska, do cótxi pó ao jazz, esta agradou e teve a sua apoteose com o popular tema “Nandinha”, em que o casamento do funaná é com o heavy metal, servido pelo agrupamento liderado por Soren Araújo. O público respondeu com entusiasmo e quando Zeca de Nha Reinalda (que, com os Finaçon, popularizou o tema) surgiu em palco os aplausos tornaram-se uma ovação.

Ao fim do espetáculo era visível a emoção de Mário Lúcio, que em entrevista à imprensa rememorou ter sido o primeiro artista cabo-verdiano no palco do KJF, aliás o primeiro artista de todos os que já por lá passaram uma vez que foi a ele que coube o show de abertura do evento na usa primeira edição, em 2009.

Kriol Rock Festival

O encerramento da actuação de Mário Lúcio não foi o único momento rock da noite. Nathalie Natiembé, presença da ilha Reunião na edição deste ano, também serviu sonoridades de rock em alguns dos temas do seu alinhamento, mas já não na vertente heavy metal. A sua música que, diz o seu texto de apresentação acertadamente, é atípica e resiste à classificação, também trazia batidas próximas ao hip hop e R&B para depois guinar rumo a direções mais intimistas.

A seguir à sua presença contagiante, o momento mais jazzy da noite. O americano Stanley Jordan é um figurão do jazz actual, descrito como um dos mais importantes guitarristas do século XX mas, embora por cá já tivesse estado,  pouco conhecido do público presente na Pracinha da Escola Grande. Ainda assim, acompanhado dos altamente referenciados percussionistas Thunder Duo, fez magia no concerto que deu maior protagonismo aos instrumentos. Resultado: ao final foram aplaudidos de pé pelos poucos que este ano assistiram sentados aos concertos.

Chegado o momento mais aguardado da noite, o recinto estava já lotado e os telemóveis e tablets em riste para registar a entrada em palco de Jorge Mário da Silva. Aliás, Seu Jorge. De gorro – a lembrar o seu figurino no filme "The Life Aquactic with Steve Zissou", o que nos deu esperanças de que alguns dos temas de David Bowie que ele regravou para a banda sonora do filme de Wes Anderson, e depois o seu álbum homónimo estariam no alinhamento do espectáculo – o carioca entregou um show vibrante, onde pontuaram os muito celebrados sucessos populares como “Tive Razão”, “Burguesinha”, “Carolina” e “É isso aí”, que deixaram a plateia maravilhada.

Ao final da noite o público não hesitou em dar nota máxima ao quarteto de espectáculos e classificar esta abertura como digna da comemoração do número redondo alcançado pelo festival de jazz crioulo.

A boa música continua hoje, com Sara Tavares, Ayo, Bantu e a Kriol Band, esta ultima integrada por músicos que já passaram pelas 9 edições anteriores do KJF, convidados por Djô da Silva para a festa do número 10. A promessa de um encerramento com chave de ouro.

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Autoria:Chissana Magalhães,21 abr 2018 14:51

Editado porChissana Magalhães  em  23 abr 2018 10:30

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