Recomendação para ouvir: Praia…sol e música.

PorPaulo Lobo Linhares,29 abr 2018 10:11

​Consciente de que muitos apontamentos deste tema já devem ter sido escritos, não resisto em voltar ao tema, pois todos os louvores serão poucos para as diferentes organizações e produções musicais desta época do ano. O nosso pequenino Cabo Verde torna-se grande, e musicalmente esta quinzena vai ganhando cada vez mais projecção internacional, e acredito que bem mais alto subirá nas técnicas estatísticas que vão medindo os rankings dos festivais.

Porém, se é bom tais posicionamentos estatísticos para sustentação do negócio, mais importante será a carga emocional na qual a nossa cidade é envolvida durante estas três semanas. A cidade gira à volta da música!

O tiro de partida é dado pelo Rock/Metal. Há alguns anos atrás, uma produtora local viu que podia abraçar o sonho de trazer para o nosso país um dos festivais mais aclamados (dentro do seu público alvo) deste género musical – o Grito Rock. Foi então que a Artikul Cj/Primitive lançou mãos à obra e ofereceu-nos o Grito Rock Praia.Com este evento, méritos inegáveis como o cimentar do público Rock/Metal, a homenagem que o GR fez a figuras incontornáveis da nossa música…algumas embebidas já de algum esquecimento, os grupos de debate sobre música e a afirmação na Praia de um festival internacional, que arrasta cada vez mais público.

Alguns dias de silêncio, para que nos possamos preparar para uma feira de negócios da música nos separam do AME. Aqui expõe-se, propõem-se num espaço onde se aborda o negócio da indústria musical. Foi criada pelo antigo ministro da Cultura, Mário Lúcio Sousa, numa parceria com a conceituada Womex. Ganhou corpo, e este ano foi assumido por um grupo de produtores, que levaram o barco para a frente e fizeram com que o AME continuasse. Louvor claro, para este grupo que assumiu as rédeas deste centro de negócios tão necessário para nós.

Tudo termina com a semana do Kriol Jazz Festival, festival de música, que aborda o Jazz e músicas do mundo. Este ano fez a sua 10ª edição, e…talvez por tal motivo ofereceu-nos um dos cartazes mais equilibrados do seu historial. Para além de nomes mais mediáticos como Seu Jorge ou Ayo, das maravilhas nacionais como Sara Tavares e a enorme actuação que abriu o KJF deste ano – Mário Lúcio e os seus Funanights, do conceituado Stanley Jordan, houve ainda lugar para surpresas como o enorme Kriol Band, onde se assistiu à tradução do ser crioulo para a linguagem musical, os sentimentos eram traduzidos por notas, que vinham de uma selecção de músicos de altíssimo nível.

De forma diferente mas ambas poderosas foi feita a abertura e o final do KJF 2018. Mário Lúcio e os “Funanights” abriram para Bantu fazer o final, em festa e em mood “afro-beat” com o público aos saltos.

De relevar que à conversa com amigos que não víamos há algum tempo, não foram poucos os que confessaram escolher esta altura do ano para passar férias…o que se nota cada vez mais, também nos estrangeiros amantes da música.

Assim, só me resta saudar a todos os que puseram de pé estas três semanas fulcrais para a nossa música…e que acima de tudo nos fazem conviver, ver e sonhar embalados pelas asas da música.

Bem-Haja

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 856 de 25 de Abril de 2018.

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Autoria:Paulo Lobo Linhares,29 abr 2018 10:11

Editado porAndre Amaral  em  30 abr 2018 10:01

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