​Recomendação para Ouvir: Nhonhô Hopffer oferece-nos Santamaria, seu mais recente trabalho

PorPaulo Lobo Linhares,11 jun 2018 7:16

Nhonhô Hopffer
Nhonhô Hopffer

Muito se assiste hoje em dia ao que um grande crítico americano e estudioso da in­dústria musical chama “dis­cos mecânicos”.

 Escolhem-se músicos de qualidade (ou pelo menos cotados no mercado), enviam-se as músicas (muitas vezes trabalhadas em estúdio para serem sucessos mercan­tis), onde o envolvimento do disco com os músicos é apenas de trabalho “mecânico” não sendo assim suficientemente emocional para que ao disco associemos a palavra alma. É um formato discográfico, que não me cabe julgar.

Contudo, há também os discos que antes de começar, já estão completamente esbo­çados e amadurecidos no pen­sar do autor, com o conceito bem definito.

Foi claramente o que o autor Nhonhô Hopffer (Frederico Hopffer Almada) escolheu para o seu Santamaria.

Acredito que ainda embe­bido pela dor da perda quis exorcizá-la pela música. Con­tudo, nunca perdeu a racio­nalidade que o fez escolher os músicos certos, duetos valio­sos, os autores que escolheu e finalmente em tudo isso um denominador comum: o seu querido Santiago, seu berço, ninho em que num dos temas do disco quase nos oferece a bonita imagem de abraçar a ilha juntamente com a(s) filha(s) , num momento de fu­são sentido.

O repertório é assinado por nomes de relevo como Mário Lúcio Sousa, Arménio Vieira, o cada-vez-maior George Tavares Silva, Djoy Amado, Kodé di Dona e a beleza de Eugénio Tavares. Ainda o sentimento de um poema do irmão Zé Hopffer.

Segue-se a selecção de due­tos de excelência como, por exemplo, o tema Frederika Santamaria com Mário Lúcio e mais vozes que engrande­cem este álbum.

A direcção artística e musi­cal a cargo do prestigiado Quim Alves que lidera os arranjos de forma criati­va, que para além dos “nossos” típi­cos instrumentos, passa tam­bém pelo Kora e por um naipe de violinos.

Reunidas as condições, inegavelmente sentidas, chega o momento de falar do que acompanhou todo este processo de construção de Santamaria. E esse foi com certeza da responsabilidade de Nhonhô, que imprime todo um sentimento para que este disco atingisse então o tal estado de alma que acima falamos e que diferencia tudo.

O filho de Assomada cele­bra num misto de homenagem e saudade dorida, todos os que ama.

Para além do registo dis­cográfico, fica também aqui registado um momento … um pedaço de vida do santiaguen­se Nhonhô Hopffer.

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Autoria:Paulo Lobo Linhares,11 jun 2018 7:16

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  11 jun 2018 12:23

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