Solange Cesarovna: “A Morna é um género que me arrebata”

PorDulcina Mendes,27 jul 2018 16:05

​A cantora Solange Cesarovna lançou no ano passado o seu terceiro álbum só com mornas de Eugénio Tavares e, desde então, não pára de receber elogios e tem sido referenciada pela crítica como “Rainha da Morna”. Este álbum será apresentado esta sexta-feira, 27, às 21:30, na Assembleia Nacional, na Cidade da Praia.

Aos sete anos de idade ganhou o seu primeiro prémio no concurso de jovens talentos no Festival de Pequenos Cantores, na ilha de São Vicente. Com oito anos, representou Cabo Verde no Festival Chaminé de Ouro, em Portugal. Durante a sua adolescência Solange Cesarovna continuou a actuar nas ilhas de Cabo Verde, enquanto aperfeiçoava o seu talento.

Em Novembro de 2008, grava o seu primeiro álbum “Solange Cesarovna”, o segundo CD “Speranza – Solange Cesarovna” chega ao mercado, em 2011. No ano passado, em homenagem aos 150 anos do nascimento de Eugénio Tavares, lança o seu terceiro álbum intitulado “Mornas”.

Apaixonada pela música tradicional cabo-verdiana, Solange Cesarovna gravou um disco com oito mornas de Eugénio Tavares, tanto para homenagear os 150 anos de nascimento deste músico bem como para preservar a obra do autor.

Para Cesarovna, gravar um disco só de mornas, é algo especial porque começou a dar os seus primeiros passos no mundo da música cantando mornas.

“Tenho uma grande paixão pela música tradicional cabo-verdiana nos seus diversos géneros, mas a morna toca-me de uma forma particular pela própria cantora romântica que considero ser”, acrescenta.

As mornas são de Eugénio Tavares, mas com um toque da cantora Solange Cesarovna. “Na, ó Minino Ná”, “Morna de Despedida”, “Morna de Nha Santa Ana”, “Mal de Amor”, “Morna de Bedjiça”, “Contam, Nha Cretcheu”, “Mar Eterno” e “Força de Cretcheu”, são as mornas que fazem parte deste álbum.

Digressões

Em Cabo Verde, este álbum já foi apresentado na ilha Brava, São Vicente, Sal, São Nicolau, Tarrafal de Santiago e em Santo Antão.

A digressão nacional de apresentação das mornas de Eugénio Tavares na voz sublime de Solange Cesarovna tem acolhido recepções calorosas e singulares. Na Rua de Lisboa, em São Vicente, centenas de pessoas foram apreciar o concerto de mornas, da cantora.

Na ilha Brava, terra onde nasceu Eugénio Tavares, o lançamento foi considerado um show maravilhoso.

Solange Cesarovna continua em digressão de apresentação do seu mais recente álbum em outros pontos do arquipélago e além-fronteiras. Esteve recentemente num concerto em Luxemburgo, país onde disse ter recebido um calor humano excelente.

A cantora estará esta sexta-feira, 27, na Cidade da Praia para fazer um concerto de lançamento. Solange espera que este concerto seja uma grande festa da morna.

Na sua agenda de espectáculos Cesarovna tem agendado concertos em Lisboa no mês de Agosto. Em Setembro estará em Recife e Fortaleza, no Brasil, e na Argélia, com seu novo disco.

Com a sua paixão pela morna, Cesarovna tem sido referenciada pela imprensa e pela crítica como “Rainha da Morna”.

A cantora disse-se feliz e honrada com esse título. “É com grande emoção e felicidade que tenho recebido as críticas dentro e fora de Cabo Verde com este título. É uma responsabilidade e ao mesmo tempo uma oportunidade para continuar a projectar ao mais alto nível a morna e a nossa música”.

Candidatura da Morna

Para Solange Cesarovana, a morna tem todos os ingredientes para ser Património Imaterial da Humanidade.

“Entregamos o dossier e, a partir de Setembro deste ano até Dezembro de 2019, serão realizados eventos, tanto a nível nacional como internacional para contribuir para essa candidatura”, sublinha.

Direitos do Autor

A cantora, que também é presidente da Sociedade Cabo-verdiana de Música (SCM), disse que se congratula com o pagamento dos direitos do autor. “Como defensora incansável dos direitos do autor e dos direitos conexos, fico feliz em poder contribuir para esta nobre missão da organização do sector dos direitos de autor em Cabo Verde, através do trabalho que vem sendo desenvolvido pela Sociedade Cabo-verdiana de Música”.

Para Cesarovna, deve-se criar todas as condições para que os músicos, os compositores, os autores e intérpretes se sintam encorajados a abraçar essa missão, com a entrega ao desafio de trabalhar na área musical.

“Ao respeitarmos e pagarmos pelo uso da propriedade intelectual, estamos não só a respeitar moralmente e patrimonialmente todo o trabalho artístico e intelectual, como também estamos a contribuir para a preservação da identidade do nosso país e a elevar a nossa cultura a outro patamar”, diz Solange Cesarovna.

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 869 de 25 de Julho de 2018.

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Autoria:Dulcina Mendes,27 jul 2018 16:05

Editado porDulcina Mendes  em  28 jul 2018 9:05

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