Zé Delgado: “Sou eu nas minhas músicas”

PorDulcina Mendes,12 ago 2018 14:12

​O cantor e compositor Zé Delgado está a preparar o seu mais novo álbum que estará no mercado ainda este ano. O cantor já lançou dois singles que farão parte deste álbum, “Consciência” e “Gripe D`Amor”.

Zé Delgado começou na música desde pequeno nos programas radiofónicos da então Radio Voz de São Vicente.

Em 1979por ter ganho umconcurso na rádio, foi convidado para cantar no dia 1º deJaneiro de 1980com o grupo Pilon.Cantava sempre nos eventos dos pioneiros nas festas do dia 1º deJunho. Mais tarde, mais precisamente em 1985, participou pelaprimeira vez no concurso “Todo Mundo Canta”.

Em 1987, venceu o concurso “Toda Tropa Canta” na ilha de Santiago,quando exercia o serviço militar.

Em 1988 participou de novo noconcurso “Todo Mundo Canta” tendo ido à final regional da ilha de Santiago. Em 1989 participou novamente no referidoconcurso na ilha de São Vicente tendo chegado à final e, em1990, participou e ganhou o concurso nacional.

Emigrou para aItália em 1994. Gravou o seu primeiro trabalho discográfico em 1996 intitulado “Uni-Verso” em Portugal.

Participou em 1996 no CD do grupo Xtreme intitulado “Coraçon Tchora”. Em 1998 gravou o CD “Hinod’Amor” já como elemento do grupo XTreme. Em 2001 gravou o álbum “Anjo N’Inferno” com o grupo Xtreme, em 2004 gravou o seu segundo disco a solo intitulado “Ämor di Cristal”.

Gravou o seu terceiro álbum “Cocktail de prazer”,em 2008, eem 2010, fez o seu “Best Of”. Zé Delgado lançou o disco“Mumentos di Sonho”em 2011com o grupo Xtreme.

Em 2012, lança a obra “Último gota di Sol”. O cantor tomou parte várias vez em todos os grandes festivais de Cabo Verde e em quase todos os países que têm uma grande comunidade cabo-verdiana. Fez formação no Conservatório de Música de Luxemburgo.

Lançaste dois singles do teu próximo CD, “Consciência” e “Gripe D’ Amor”. Como têm sido recebido?

Está a ser muito positivo, sempre que faço uma actuação aproveito para apresentar estas duas músicas e pela reacção do público dá para ver que gostam destes temas.

Quando é que esse disco estará no mercado?

Em breve, penso que no final do Outubro ou início de Novembro porque quero que estas músicas sejam badaladas muito nas rádios no mês de Dezembro.

Antes da chegada do álbum vais lançar mais singles?

Acho que não porque já tirei esses dois singles e tinha feito a versão reggae de um dos temas. Tirar três singles, é mais do que suficiente. Se fores lançar um CD e tirares muitos singles, quando o CD sair as pessoas vão ter todos os temas já ouvidos e o disco não terá aquele impacto que desejarias.

Em relação ao estilo, o novo disco será diferente dos outros álbuns já lançados?

Será o mesmo estilo Zé Delgado. Estou no mundo e temos que actualizar. Estando no mundo não podes ficar de fora de certas influências porque con­su­mimos muita coisa, mas será sempre Zé Delgado.

Este disco terá quantos temas?

Estou a pensar em 10 ou 11 temas.

Sabemos que há pouco tempo terminaste o curso no Conservatório de Música de Luxemburgo. Esse curso vai-te ajudar de alguma forma na elaboração deste disco?

Claro que sempre tem que ter influência, mas o meu estilo já é conhecido há muito tempo. Fui para o conservatório para ter uma consciência musical mais profunda. O tempo que estive no conservatório foi muito bom, mas não sei até que ponto esta formação irá influenciar a minha música.

Tinhas prometido um álbum mais acústico com músicas tradicionais. É desta vez?

Ainda não. Antes, quando vivia em Cabo Verde, fazia música acústica e tradicional, tinha um grupo que era mais coral, e cantava músicas da minha autoria e de outros artistas. É uma parte de mim que talvez muitas pessoas não conhecem, mas é bem vivo dentro de mim. Tenho muito mais música tradicional do que em outros discos que tenho gravado. Em breve farei isso, mas ainda não estou a sentir-me muito preparado para tal.

A agravação do disco será feita onde?

Neste momento estou a viver em Luxemburgo, já fiz a gravação de algumas músicas nos Estados Unidos da América, na Holanda e em Cabo Verde.

O CD já tem título?

Ainda não pensei no título porque quero que seja algo forte e sugestivo. Sou uma pessoa que gosta de escrever coisas profundas, com inspiração, sentido e com um pouco de poesia, então tenho que registar as minhas músicas com o nome que acho que tem a ver com eles e que está ao nível daquela música. É como os meus filhos, tenho quatro filhos e fui eu que criei o nome deles, pode até ser que esses nomes existiam. O que é meu, sempre tento dar mais de mim.

Há alguma participação especial nesse novo álbum?

Só tenho a participação do artista Vargas. Actualmente está muito na moda fazer CD e convidar muitos colegas; é algo positivo, temos que ser mais unido mas, talvez nos próximos trabalhos possa convidar mais artistas.

As músicas que cantas são todos da tua autoria?

Sim, escrevo e canto as minhas músicas. Todos nós temos motivos para cantar ou para escrever porque temos uma realidade muito forte e somos povo das ilhas, há música por todos os lados. Há muitos factores que nos levam a escrever; costumo dizer que todos os cabo-verdianos podiam ser poetas, temos uma beleza natural, temos tristeza que o povo da ilha tem por causa da imigração e Cabo Verde é um país rico artisticamente.

“Estou a fazer algo que gosto e vivo disso, e tenho muito que agradecer as pessoas que gostam da minha música”

As tuas músicas retratam a tua vida?

Sim, são coisas que acontecem comigo, gosto de ser real e verdadeiro, as minhas análises são um pouco a minha filosofia de vida. Sou eu nas minhas músicas.

Actualmente, tudo é digitalizado. Tens aproveitado as plataformas online para promoveres os teus trabalhos?

Nesta parte de marketing posso até ser penalizado, mas estou feliz com a minha carreira musical. Graças a Deus, tenho sempre concertos, sempre digo que a música me surpreendeu e me deu mais do que aquilo que estava a esperar. Pode ser que me conforto com pouco, mas esse pouco me satisfaz. É claro que temos que actualizar, se temos mais uma ferramenta porque não usá-la. No meu próximo trabalho, acho que vou usar essa ferramenta, mas ainda não tirei proveito disso. Ainda mais agora que a venda de CDs está mais reduzido, porque é mais uma forma de promover o nosso trabalho.

Em termos de espectáculos, como é que está a tua agenda, neste momento?

Vou passar este Verão em Cabo Verde, tenho um concerto na Ilha Brava, tenho convite para São Nicolau, Sal e terei mais coisas durante o Verão. No Verão, há sempre muitos festivais em Cabo Verde e faço questão de estar cá, nessa época do ano para poder participar em vários eventos musicais.

Como é que achas que está a música de Cabo Verde, neste momento?

Está no rumo certo, somos um povo curioso e de muitas influências: isso é bonito. A música de Cabo Verde sempre teve influências e vai continuar a ter cada vez mais influência de outros estilos, acho que isso é uma riqueza. Estamos a assistir ao regresso de muitos grupos musicais, isso é bom porque trazem algo de bom e vão agradar às pessoas. Por exemplo, o grupo Xtreme, actuou em Luxemburgo numa sala cheia e muitas pessoas gostaram e, se aparecer convites para outros lugares, iremos com certeza.

Vais continuar a actuar no Xtreme?

Se tiver convites, é claro que vamos continuar a tocar, depois podem nascer outros projectos, mas vou continuar sempre com o meu projecto a solo. Estar num grupo é diferente de estar sozinho, gosto de estar no meu espaço, no meu mundo e na minha forma de fazer as coisas.

Já tinhas saudades dos Xtreme?

Sim, Xtreme foi uma boa experiência, o grupo teve muito bom reconhecimento em Cabo Verde e nos países onde há comunidade cabo-verdiana. Foram bons tempos.

Participaste no show de 30 anos de carreira de Grace Évora, no Coliseu de Lisboa. Como é que foi a tua participação?

Foi algo muito bonito e mágico para mim. Grace Évora é uma pessoa que merece. Quando cheguei ao Coliseu e vi a plateia cheia, fiquei emocionado. Acho que foi uma grande vitória também para a nossa música.

Já estás com vários anos no mundo da música. Como tem sido essa caminhada?

Está tudo a decorrer normalmente, tenho tido muitos concertos e isso me faz muito feliz. Estou a fazer algo que gosto porque vivo disso e tenho muito que agradecer às pessoas que gostam da minha música. Se continuar sempre assim, serei uma pessoa feliz.

Em Cabo Verde já começou o pagamento dos direito de autor. O que achas desta iniciativa?

É uma grande vitória e um grande passo que foi dado. É algo justo que acontece em todo o mundo, e é mais uma forma de um músico viver mais tranquilo da sua arte.


Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 871 de 07 de Agosto de 2018.

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Autoria:Dulcina Mendes,12 ago 2018 14:12

Editado porDulcina Mendes  em  14 ago 2018 10:12

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