Qual é o futuro dos CDs?

PorDulcina Mendes,26 ago 2018 10:33

​Que a internet veio revolucionar o mundo não é novidade. Com as novas tecnologias, passamos a consumir mais informações digitais. Mudamos também a nossa forma de ouvir música, de ler um livro ou mesmo de ter acesso a uma notícia.

Se antes a preocupação era com a pirataria, hoje a inquietação dos artistas têm outro nome, crise nas vendas dos CDs. Actualmente, poucas pessoas compram CDs ou DVDs para ouvir música porque vivemos na era digital e existe uma forte mudança de paradigma.

Com a internet, estamos a viver num mundo cada vez mais virtual. Muitas coisas têm estado a ser deixados para trás, neste caso, estamos a falar da queda nas vendas dos CDs, que pode levar ao desaparecimento do disco como tal.

Os CDs vieram depois das cassetes, que há muito que não se vê por essas bandas. Pergunta-se, onde é que as cassetes foram parar, já que não estão nas lojas e nas nossas casas. Depois das cassetes parece que aos poucos, estamos a assistir à queda na venda dos discos. Será que os CDs também vão desaparecer?

O disco vinil, que desapareceu durante muito tempo, agora ao que parece está a ressurgir. A cantora Nish Wadada lançou este ano vários singles, em formato vinil.

O Expresso das Ilhas esteve em conversa com algumas pessoas da área da musica para perceber como é que está o mercado, em relação à venda de CDs.

A cantora e presidente da Sociedade Cabo-verdiana de Música (SCM) Solange Cesarovna acredita que a crise na venda dos CDs é porque o consumo da música, principalmente pelas novas gerações, é quase exclusivo em streaming.

“É uma realidade crescente que temos observado na maioria dos países, mas em alguns territórios embora a queda da venda de álbuns discográficos tenha sido grande, ainda podemos constatar alguma venda de música em suporte físico”, sublinha.

Também o artista Manuel Gonçalves, mais conhecido por Ne Nas, acredita que em Cabo Verde o suporte físico ainda vende, mas, como esclarece, é mais para divulgação do produto discográfico do que para atingir qualquer objectivo financeiro.

Zé Delgado é um dos artistas que ainda não aderiu às plataformas digitais para vender as suas músicas. “Talvez possa até ser penalizado, mas estou ainda satisfeito com a venda dos meus discos”.

O artista também acredita que o CD físico ainda vende, porque há pessoas que os compram, porque preferem tê-los nos seus arquivos.

Apesar da queda na venda dos CDs, na produtora Harmonia os discos da cantora Cesária Évora fazem parte do top das vendas, segue-se os de Élida Almeida.

Segundo o director-geral da Harmonia, Marcos Costa, os CDs estão caindo em desuso, porque na internet conseguem-se mais facilmente as músicas preferidas e a um menor custo. Nos portáteis, equipamentos de sons, rádios de carros, usam-se mais USB”.

“Estamos a entrar numa nova era de venda de música, onde através das plataformas digitas, por exemplo, as pessoas vão lá e compram às vezes apenas uma faixa de um disco, ou fazem download no Youtube das suas músicas preferidas”, explica.

Marcos Costa acredita que daqui a cinco anos as pessoas não vão comprar CDs. “Quem mais compra hoje CDs em Cabo Verde são os turistas, a faixa etária dos pós 40 anos e uma ou outra instituição/empresa/ministério para oferecerem algum souvenir a algum estrangeiro”.

Para Solange Cesarovna, os CDs podem deixar de existir num futuro próximo. “Isso aconteceu com as cassetes, mas também com os discos vinil. Entretanto, no ciclo da vida é sempre expectante a teoria do ‘eterno retorno’, ou seja, a ressurreição de algo que tenha sido um dia muito popular. Se observarmos o disco vinil, ele também desapareceu, mas hoje ressurgiu e está a ganhar espaço e a conquistar inclusive consumidores de música da actual geração”.

Outro dado é que já poucas pessoas têm um leitor de CD em casa, e quem tem já não os usam com tanta frequência. Verificamos que muitos computadores portáteis mais modernos já não têm entrada para este tipo de dispositivo.

Para tentar driblar o problema da queda da venda dos CDs muitos artistas têm vindo a lançar os seus trabalhos primeiro nas plataformas digitais, e só depois é que colocam os discos físicos nas lojas.

São poucos os artistas que ainda não experimentaram essa inovação. Muitas pessoas, principalmente os jovens, preferem ouvir as músicas através do Youtube, Spotify e outros e, hoje em dia, basta possuíres um smartphone, computador ou tablet e estares conectado à internet, é possível ouvires música de todo o mundo.

Nunca foi tão fácil ter acesso à música como agora. Também é possível partilhares as músicas com amigos ou familiares na internet. Antes, para ouvir música tínhamos de comprar um CD ou então ficar à espera de ouvi-las nas rádios.

“Não excluo a possibilidade de também surgirem ou ressurgirem novas formas físicas numa “nova era” mais longínqua”, Solange Cesarovna

Novos tempos

As plataformas digitais estão a revolucionar a nossa forma de ouvir música. Isto, porque muitas pessoas preferem ouvir música através das plataformas digitais, porque acreditam que é mais fácil do que comprar um disco.

Cada vez mais os artistas estão a lançar os seus singles e os videoclipes nas plataformas digitais e não há muita preocupação em colocar o suporte físico no mercado.

Os tempos mudaram e muitos artistas estão a acompanhar essa evolução. Djodje, Nelson Freitas, Loony Johnson e Elida Almeida, por exemplo, são alguns dos artistas cabo-verdianos que fazem vários concertos durante o ano, procuram sempre apresentar algo novo aos seus fãs, fazem marketing dos seus trabalhos, estão sempre nas redes sociais a divulgar os seus shows e a partilhar as suas músicas.

São essas as formas que encontraram para driblar a crise na venda dos trabalhos discográficos em suporte físico, aliás, como acontece em outras paragens.

A empresa Bonako, por exemplo, em parceira com a operadora Unitel T+, lançou em Maio deste ano durante a Gala dos CVMA, a Muska, a primeira plataforma de streaming feito em Cabo Verde. Trata-se de um app de música de Cabo Verde e que garante o pagamento dos direitos autorais à Sociedade Cabo-verdiana de Música.

Este app permite que as músicas lançadas em Cabo Verde tenham abrangência mundial. A Muska já está a funcionar e os nossos artistas estão a divulgar os seus trabalhos nesse app, em primeira mão.

“Os CDs estão caindo em desuso, facilmente na internet conseguem-se músicas a um menor custo”, Marcos Costa

Para o artista Ne Nas em Cabo Verde as pessoas já começaram a comprar as músicas nas lojas online. “Não faço música só para os cabo-verdianos, mas sim para serem ouvidos internacionalmente e ter impacto”.

Já nos próximos trabalhos Zé Delgado revelou que vai aderir à essa inovação. “No meu próximo trabalho, acho que vou usar essa ferramenta, mas ainda não tirei muito proveito disso, porque as plataformas digitais são mais uma forma de promover o nosso trabalho”.

Para a presidente da SCM, a venda nas plataformas digitais terá cada vez mais maior expressão, mas não exclui a possibilidade de também surgirem ou ressurgirem novas formas físicas numa “nova era” mais longínqua”.

“Quando colocamos o disco no mercado é mais para divulgação”, Ne Nas

Pen drive será uma solução?

Pelo menos no país há artista que querem apostar nos pen drives. O artista Ga Da Lomba, por exemplo, colocou o seu novo trabalho “Dupla Personalidade” no pen drive. Ga Da Lomba, optou por vender os seus trabalhos neste dispositivo em vez de em CDs, como habitualmente os artistas fazem.

O artista acredita que este dispositivo é mais fácil até de utilizar porque actualmente todos os computadores, tvs, rádios de carro e colunas de som têm uma entrada USB.

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 873 de 22 de Agosto de 2018.

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CDs música

Autoria:Dulcina Mendes,26 ago 2018 10:33

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  27 ago 2018 7:28

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