António Ludgero Correia antecipa um clima de forte confrontação nas legislativas, com os partidos do arco do poder a adoptarem uma postura dura e de “vale tudo”. O MpD entra na disputa com o objectivo claro de manter a maioria parlamentar; o PAICV procura afirmar-se como alternativa credível de governação; e a UCID tenta consolidar-se como força charneira, capaz de quebrar as maiorias absolutas que, apesar das críticas, têm garantido governos estáveis ao longo dos anos. Neste ambiente de tensão, Ludgero Correia afasta a ideia de um Presidente da República silencioso ou omisso, defendendo antes uma magistratura prudente e pedagógica, que evita reagir a cada excesso retórico para não fragilizar o seu papel institucional nem o interesse da Nação.
Já Júlio Correia alarga o olhar para além da disputa partidária e sublinha que 2026 será particularmente exigente também no plano económico. Num mundo marcado por conflitos, instabilidade geopolítica e incerteza financeira, Cabo Verde, enquanto economia pequena e estruturalmente vulnerável, enfrenta riscos acrescidos. Para o analista, a estabilidade política deixa de ser apenas um valor democrático ou institucional e assume contornos de verdadeira condição de sobrevivência nacional, num ano em que qualquer sobressalto interno pode amplificar choques externos.
É precisamente sobre esses choques que Paulino Dias lança um aviso claro. A economia cabo-verdiana em 2026 continuará fortemente exposta a factores externos, num cenário em que controlar o “barco” será particularmente difícil. As oportunidades existirão, mas os desafios tendem a sobrepor-se, exigindo prudência, capacidade de adaptação e políticas consistentes. As incertezas regressaram com força e o espaço de manobra permanece limitado, o que torna o ano que começa um período de navegação delicada, em que decisões políticas e económicas terão impactos directos na resiliência do país.
Também em destaque estão as comemorações dos 35 anos do Dia da Liberdade e Democracia.
O Governo vai, durante o mês de Janeiro, assinalar o 35.º aniversário do 13 de Janeiro com um vasto programa de actividades que inclui inaugurações, eventos académicos, iniciativas culturais, acções na diáspora e um festival de música.
Na capa desta edição do Expresso das Ilhas olhamos também para a Mensagem de Ano Novo do Presidente da República.
O apelo do Presidente da República (PR) ao diálogo, ao respeito institucional e à reversão do clima de crispação política, feito na mensagem de Ano Novo, gerou leituras distintas entre os partidos com assento parlamentar. Enquanto o MpD critica o silêncio do Chefe de Estado face aos ataques ao Ministério Público (MP), o PAICV interpreta o discurso como um alerta à instrumentalização da justiça contra a oposição, e a UCID aponta omissões quanto às desigualdades sociais e à actuação presidencial.
Ainda na Política abordamos a primeira sessão parlamentar de 2026 em que MpD e PAICV se preparam para aprovar Código de Conduta dos Deputados
A iniciativa visa estabelecer um quadro normativo de princípios éticos, deveres e regras de conduta aplicáveis aos parlamentares, colmatando lacunas existentes na regulamentação da matéria.
Na capa desta semana trazemos ainda a notícia sobre o início do processo eleitoral na UNI-CV.
Sete docentes concorrem ao cargo de reitor da Universidade de Cabo Verde para o mandato de 2026, nas eleições marcadas para o dia 28 de Janeiro. As candidaturas foram abertas desde Dezembro do ano transacto, e alguns dos candidatos já apresentaram as suas propostas.
Outro dos destaques desta semana vai para o balanço feito pelo ICCA sobre a violência sexual sobre crianças.
Entre Outubro de 2024 e Outubro de 2025, o número de denúncias de violência sexual contra crianças e adolescentes registadas no Instituto Cabo-verdiano da Criança e do Adolescente (ICCA) diminuiu de 184 casos para 125, o que representa uma redução superior a seis dezenas de situações. Os dados foram avançados pelo coordenador do Plano de Acção Nacional de Prevenção e Combate à Violência Sexual Contra Crianças e Adolescentes, Nilson Mendes, que aponta o reforço das campanhas de sensibilização como um dos factores determinantes desta descida.
A ler igualmente o artigo de opinião ‘Liberdade, Palavra e Futuro: datas que nos obrigam a pensar’ escrito por Manuel Brito-Semedo.
homepage







