José Agualusa. “Hoje quem tem medo é o MPLA”

PorExpresso das Ilhas,1 abr 2019 11:33

Em Angola para, conjuntamente com Mia Couto, ministrar uma oficina de escrita criativa, o escritor angolano José Eduardo Agualusa disse em entrevista ao Jornal de Angola que hoje respira-se melhor naquele país e que João Lourenço trouxe uma nova esperança. Os inimigos do novo presidente estão, segundo o escritor, maioritariamente dentro do seu partido.

Em Angola pela primeira vez desde a saída de José Eduardo dos Santos do poder, José Agualusa vai também apresentar ali o seu último romance “A Sociedade dos Sonhadores Involuntários” e sob este pretexto cedeu entrevista ao Jornal de Angola.

A esse órgão próximo ao MPLA o escritor falou sobre a “nova” Angola que encontrou, um país agora sem medo e onde “respira-se muito melhor”.

“Ninguém imaginava. A verdade é que há pouco tempo, dois anos, vivíamos um período de estagnação, sem grande esperança de mudança. O que o Presidente João Lourenço trouxe foi uma nova esperança, acho que se abriu uma janela de esperança num quotidiano muito sombrio. Por exemplo, uma coisa que claramente para mim João Lourenço trouxe foi o fim do medo entre a sociedade civil. Hoje em Angola respira-se muito melhor”, diz.

Para Agualusa o medo “deslocalizou-se” pois antes encontrava-se no conjunto da sociedade civil e agora é o partido (ainda) no poder que passou a ter medo. “Quem hoje vive com medo são os militantes históricos, os que ainda não sabem bem o que é que vai acontecer”.

“Hoje quem tem medo não é a sociedade civil. Quem tem medo é o MPLA, o partido no poder. Dentro desse partido há muita gente que esteve ligada a práticas ilícitas de enriquecimento rápido. Essas pessoas estão assustadas. Agora, esse combate à corrupção é dentro do MPLA que tem de começar, porque foi aí que houve mais enriquecimento rápido”, observa, acrescentando que “a maior parte dos inimigos de João Lourenço não estão fora, estão dentro do seu próprio partido” e que por isso o actual presidente precisa de continuar a contar com um grande apoio da sociedade civil, que é quem o sustenta.

Vendo a presidência de João Lourenço como apaziguadora para a sociedade civil, o autor de “Nação Crioula” e “ O Vendedor de Passados” acredita que Angola está agora a caminho de uma democracia “mais sólida” e “mais completa”, admitindo no entanto que é preciso ainda atenção especial ao Poder Local, a despartidarização do aparelho do Estado e uma oposição mais forte e credível”.

Questionado se imagina-se como político, Agualusa refuta a ideia embora admita que “todo o escritor, em qualquer um dos nossos países, tem a obrigação de participar em debates que têm a ver com a melhoria da sociedade. É uma obrigação, um dever de escritor. Mas também acho que um escritor que se entrega à política activa, pior ainda partidária, acaba por diminuir a sua voz”. E exemplifica com Mário Vargas Llosa,  de quem diz ter tido a sua voz e credibilidade diminuídas quando se envolveu na política activa, concorrendo para a presidência do Peru.

Actualmente a residir em Moçambique, José Eduardo Agualusa mantem a relação de proximidade com Mia Couto, com o qual já escreveu três peças de teatro em conjunto, obras essas que vão ser este mês editadas em forma de contos.

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Autoria:Expresso das Ilhas,1 abr 2019 11:33

Editado porChissana Magalhães  em  28 dez 2019 23:22

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