Recomendação para Ouvir: Zeca Afonso, o cantor da Liberdade

PorPaulo Lobo Linhares,6 mai 2019 8:17

​Faz parte de um conjunto de músicos, cantautores, que chamaram a música como companheira e com ela gritaram causas, justiça e projecção de um mundo melhor.

José Afonso nasceu em Aveiro, e com 3 anos, parte para Angola. Viverá algum tempo nesse país e em Moçambique. Volta para Portugal e frequenta a Universidade de Coimbra, onde começa a despertar a sua atenção para as injustiças sociais em particular, e para um regime político com o qual não se identificava. 

Zeca seguia caminho e a sua luta contra o regime tornava-se cada vez mais séria, até surgirem os primeiros temas de caracter vincadamente políticos. 

Assim, junta-se à luta contra o Estado Novo que se implantava em Portugal. Não teve reticências em apontar dedos. A partir daí (principalmente aquando do seu regresso de Moçambique, em meados da década de 60) Zeca Afonso passou a ser assumidamente um dos alvos da atenção do governo colonial. 

Das suas obras várias nuances: sociais, políticas, mas em todas elas uma cor constante – a Liberdade. “Maio, Maduro Maio”, gravado em 1971, marca talvez um dos momentos de relevo da sua carreira. Começamos pela base instrumental que suportará toda a poesia e letra, que virá nela se sustentar, para juntos voarem, numa mensagem livre, porém contagiante. 

Foi produzido por outro nome da revolução – José Mário Branco, que para além de um elevado cenário percussivo, surgem instrumentos como a flauta, trompete e flauta, até então pouco presentes na obra de Zeca, dominada pelo formato voz-violão. 

O tema que viria a ter maior relevo foi “Grândola Vila Morena”, pelo aspeto simbólico que viria a assumir. Mas temas como “Sr. Arcanjo” ou “Coro da Primavera”, não traziam menos carga lírica. O número de seguidores foi fazendo do disco uma obra indispensável, que foi coroada com prémios para compositor e interprete. 

Mais do que entretenimento, a música será sempre a mais poderosa forma de arte, que esfraldara bandeiras, de lutas em que na maioria das vezes (para não dizer sempre) as armas são insignificantes, só servindo para ceifar vidas, quase sempre inocentes. 

José Afonso – continência batida, sob a mais bela bandeira branca da paz, com a justiça social sempre em vista.

Texto originalmente publicado na edição impressa do expresso das ilhas nº 909 de 01 de Maio de 2019.

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Autoria:Paulo Lobo Linhares,6 mai 2019 8:17

Editado porAndre Amaral  em  6 mai 2019 12:13

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