Profecias do Ali-Bem-Ténpu, a nova obra de Manuel Veiga

PorExpresso das Ilhas,7 jul 2019 2:41

“Profecias do Ali-Ben-Ténpu”, o mais recente livro do escritor e filólogo Manuel Veiga, foi apresentado esta terça-feira, na Biblioteca Nacional, na Praia.

Profecias do Ali-Ben-Ténpu,uma narrativa de quase 300 páginas, em crioulo e português, publicada sob a chancela da Acácia Editora, fecha a trilogia do autor iniciada com os romances Odju d’Agu (primeira edição, 1987) e Diário das Ilhas (1997).

“Com esta trilogia, julgamos ter cumprido o dever patriótico de render a nossa melhor homenagem ao heroico povo que nos legou uma história sofrida e resiliente; uma crioulidade rica e dinâmica; duas línguas irmãs que se abraçam e se complementam”, escreve Manuel Veiga no prólogo.

O livro está dividido em dois capítulos, Azáguae Simentera e 50 estações, mas pode ser lido da primeira à última estação ou da última à primeira, ou mesmo de forma autónoma. “O que confere unidade à obra são os valores e os princípios éticos e humanísticos, o poder da vontade, bem como a preocupação pedagógica, que perpassam em todas e cada uma das estações. A unidade espelha-se, ainda, através da temática “azágua” e “simentera”, através do exercício do bilinguismo crioulo/português, bem como através dos “sonhos” protagonizados pelo lendário Nhu Naxu que, na obra, se transfigura, metonimicamente, em “Ali-Bem-Ténpu”, escreve Manuel Veiga.

Maria Augusta Teixeira (Mana Guta) uma das apresentadoras da obra, destacou justamente na sua intervenção a importância das estações na estrutura interna de Profecias do Ali-Ben-Ténpu e a referência recorrente ao sangue, lembrando a Via Sacra ou a Via Crucis. “O Autor mostra claramente qual é o nosso Pretório e qual é o nosso Calvário. O sangue que, na história da ressurreição é vertido pelo cordeiro imolado para a salvação de todos, no percurso de busca e conseguimento da nossa identidade de nação e como povo agente da sua cultura é-nos dado, por via do griot (dieili, que significa sangue, representado pelo Ali-Bem-Tenpu/Nhu Naxu). O Griot, sangue, sofrimento, sacrifício, simboliza toda a cultura africana, convocada no presente para com as outras ascendências dialogar à busca de um equilíbrio. O Domigo de Páscoa, por um lado, e a felicidade e o conseguimento do Povo-País-Nação, por outro, estará no não desistir da Cruz, e no percorrer as estações todas (de sofrimento, luta e resistência) e ressuscitar pela terceira via: a via do diálogo, do estudo, da escrita, da cultura em suma. O Escritor aparece como o Mediador Cultural que procura curar a chaga aberta da colonização e vencer o “desconseguir da independência”, por via da escrita libertária – o que o livro faz muito bem”.

Além dos três referidos romances, Manuel Veiga publicou dezenas de ensaios e artigos da área da sua especialidade, entre outros, “Diskrison Strutural di Língua Kabuverdianu” (1982), Introdução à gramática do Crioulo de Cabo Verde” (1996), “A construção do Bilinguismo” ( 2004) , “Dicionário Cabo-verdiano-Português” (2011) e “A Palavra e o Verbo” (2016).

Ex-Ministro da Cultura e professor jubilado da Uni-CV, Manuel Veiga é membro da Academia Cabo-verdiana de Letras.

Texto originalmente publicado na edição impressa do expresso das ilhas nº 918 de 3 de Julho de 2019. 

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Autoria:Expresso das Ilhas,7 jul 2019 2:41

Editado porSara Almeida  em  8 jul 2019 7:39

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