Juventude em Marcha 38 anos na arte cénica

PorDulcina Mendes,21 mar 2022 7:04

Juventude em Marcha completa no dia 25 deste mês, 38 anos de existência e para comemorar essa data o grupo tem agendado várias actividades que começaram com espetáculos em Santo Antão e vão terminar com uma digressão pela Europa.

Jorge Martins, o actor, encenador e fundador do grupo teatral, em conversa com o Expresso das Ilhas faz um balanço positivo desses mais de três décadas de existência.

Segundo Jorge Martins, apesar das inúmeras dificuldades enfrentadas durante essa caminhada, o grupo continua forte e com objectivos muito presentes.

“Todos esses anos foram de uma luta tenaz e resiliência e nós mesmos admiramos como é que conseguimos sobreviver durante esses 38 anos e descobrimos que há um segredo em tudo isso. Somos um grupo que trabalhou, experienciou a vivência socioeconómica das pessoas, estamos inseridos na cultura e na vivência do dia-a-dia das pessoas. O que levamos para o palco é o pulsar dessa vivência e tudo quanto o homem no seu dia-a-dia tem vindo a lutar e tentar vencer, muitas vezes com fracasso, mas nunca deixam de insistir e persistir em caminhar em frente”, explica.

O actor reforçou que são portadores fiéis dessa vivência cultural das pessoas e a Juventude em Marcha tem estado a sobreviver e persistir porque “as pessoas acreditam em nós. Concluímos que somos os fiéis mensageiros e portadores da cultura das nossas gentes das ilhas”.

O grupo é portador não só da cultura de Santo Antão, “temos um trabalho de preservação da cultura santantonense, mas acabamos por abranger a cultura de todas as ilhas, inclusivamente da diáspora”.

“Podíamos e gostaríamos de fazer muito mais e ir mais além para nos sentirmos mais realizados. Estamos a trabalhar neste sentido, temos vindo a investir na nossa intelectualidade e no conhecimento do dia-a-dia”.

Jorge Martins explica que o grupo tem estado a trabalhar no sentido de ter conhecimentos científicos daquilo que querem fazer porque o teatro de Juventude em Marcha já passou por uma outra vertente.

“Não queremos fazer um teatro que não sabemos o que estamos a fazer, sabemos aquilo que temos estado a fazer, com conhecimentos científicos adquiridos e sabemos que estamos preparados para uma nova viragem a nível do teatro. Temos vindo a trabalhar neste sentido na internacionalização, muito embora, muitas pessoas questionem isso achando que vamos perder o nosso idioma na apresentação nas peças”, sublinha.

Jorge Martins garante que com a internacionalização do teatro o grupo não vai perder o idioma, expressões e figuras idiomáticas, “pelo contrário vamos fazê-los vincar, porque essa é a nossa verdadeira riqueza”.

“Se estivermos a apresentar uma peça em inglês, essas expressões idiomáticas terão que prevalecer porque não há tradução para elas, por serem tão fortes, ricos e bem enraizados na nossa identidade. É a própria palavra a falar por si e não há tradução que poderia alterar o seu significado. Quando assim for, terão que ser curiosos para saber o significado e, a partir daí, estamos a difundir, promover e divulgar a nossa língua cabo-verdiana”, frisa.

Projectos

Depois das actividades de Março, Mês do Teatro, o grupo tem agendado uma digressão pela Europa, entre os meses de Maio e Julho. “Já temos alguns países onde iremos levar o nosso espectáculo, nomeadamente, Portugal, Luxemburgo, Bélgica, Holanda e França. Ainda nos falta a resposta da Itália para podermos fazer o programa definitivo. Tudo isso no âmbito das comemorações dos 38 anos do grupo”.

O grupo levará para esta digressão “Pinha ma Kentei”, que estreou em São Vicente, no final do ano passado. “É uma peça que cativa muitas pessoas”, frisa Jorge Martins.

Conforme o actor, essa peça é uma homenagem a duas figuras emblemáticas de Santo Antão que depois de partiram para São Vicente, vivem cientes da sua sabedoria popular e conseguem triunfar e vencer.

“É uma forma também de rendemos uma singela homenagem a essas pessoas batalhadoras, briosas e muito persistentes de Santo Antão que têm trabalhado nas levadas, na sua construção e na construção das estradas”, explica.

Esta é uma peça é muito cómica e “pretendemos que as pessoas a entendam e se divirtam. É bom reconhecer o que foi o trabalho tenaz dessas pessoas, com muitos sacrifícios e expostos a vários perigos mas conseguido viver até aos dias de hoje”.

Nascido a 25 de Março de 1984, em Porto Novo, Santo Antão, o grupo Juventude em Marcha tem trabalhado na preservação, divulgação e promoção, através das artes cénicas, a vivência social e cultural da gente de Santo Antão e do povo cabo-verdiano.

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1059 de 16 de Março de 2022. 

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Autoria:Dulcina Mendes,21 mar 2022 7:04

Editado porAndre Amaral  em  30 jun 2022 23:28

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