“Tarrafal 1975” apresentado no Mindelo

PorLourdes Fortes, Rádio Morabeza,12 dez 2025 10:51

A jornalista portuguesa Sandra Inês Cruz afirma que o livro “Tarrafal 1975” revela o maior esquecimento histórico do campo de repressão. As declarações foram feitas esta quinta-feira, em São Vicente, durante a apresentação do livro “Tarrafal 1975 – O Campo do Silêncio”, que recupera memórias de um período pouco estudado e raramente mencionado na historiografia oficial.

“Este foi o maior dos esquecimentos com que lidei no meu trabalho de doutoramento, que realmente começou com um propósito muito diferente deste. Queria apenas juntar os dois tempos conhecidos do Tarrafal enquanto espaço de repressão numa única leitura crítica: a Colónia Penal de Cabo Verde, conhecida como o Tempo dos Portugueses, e depois o Campo de Trabalho de São Bom. Ignorei durante algum tempo aquilo que havia escrito nos arquivos, e que era justamente ‘Tarrafal 1975’, até ir ver e perceber que houve um outro Tarrafal, que houve um outro tempo, que houve uma outra prisão. O meu doutoramento deixou de ter por tema o Tarrafal enquanto espaço de repressão durante todo o seu tempo de funcionamento e passou a ter por tema o esquecimento e a resistência ao esquecimento”, afirma.

O livro recupera testemunhos, memórias e documentos que revelam as experiências dos homens detidos neste último período de funcionamento do Tarrafal, já após a independência.

Segundo a autora, o livro procura devolver visibilidade a uma história que, durante décadas, permaneceu ausente do debate público.

“E, portanto, este será um dos múltiplos esquecimentos, talvez o maior e o mais importante para Cabo Verde. Trabalhei com muitos outros, nomeadamente com os esquecidos do tempo da Colónia Penal de Cabo Verde, porque entre 1936 e 1955  houve muitos presos no Tarrafal que não eram resistentes, que não eram políticos, que não eram opositores de Salazar, eram presos de delito comum, eram soldados de castigo, eram homens sem documentos, eram apátridas, enfim, uma série de figuras que não coincidem necessariamente com aquilo que, sobretudo em Portugal, é a narrativa do Tarrafal enquanto lugar não só de prisão, mas sobretudo de degredo. Gostava de dizer que este último Tarrafal foi aquele que, para mim, foi mais urgente tornar público”, sublinha.

Sandra Inês Cruz considera que trazer este capítulo à luz é uma forma de “garantir justiça histórica”.

Depois de São Vicente, o livro será apresentado esta sexta-feira, na Praia, às 17h30, no auditório do Banco Interatlântico.

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Autoria:Lourdes Fortes, Rádio Morabeza,12 dez 2025 10:51

Editado pormaria Fortes  em  13 dez 2025 8:41

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