O apelo foi feito pelo presidente do grupo, Nilton Rodrigues, conhecido por Tau, que manifestou à Inforpress a sua satisfação por conseguir colocar o principal grupo de mandingas da ilha nas ruas logo no primeiro domingo do ano.
“É um desafio, porque sair com este grupo não é fácil sem a parte financeira. Temos algum apoio do Ministério da Cultura e de alguns amigos. É graças a eles que conseguimos sair”, sublinhou, lamentando, no entanto, a ausência de apoio por parte da edilidade, que, segundo disse, “ainda não se manifestou”.
Tau aproveitou a ocasião para exortar os foliões a celebrarem com cautela, tendo em conta que, em 2026, os mandingas saem à rua mais cedo do que o habitual, logo após a quadra festiva.
“As pessoas ainda estão com algum excesso, por isso devem beber com controlo e respeito, para não arranjarem problemas, porque nós só queremos paz”, reforçou.
Segundo o responsável, a escolha do dia 04 de Janeiro para o arranque dos desfiles atendeu a pedidos de vários emigrantes que ainda se encontram de férias na ilha, mas que regressam aos seus países de residência no início da semana.
Este primeiro desfile teve ainda um significado especial, por homenagear a selecção nacional de futebol pela qualificação para a Copa do Mundo.
Nesse sentido, Tau pediu previamente para que os participantes vestissem camisolas da selecção cabo-verdiana, um apelo que foi amplamente atendido pela multidão que acompanhou o percurso.
Ao longo do trajecto, desde Ribeira Bote, passando pelas principais ruas do centro do Mindelo e com regresso aos estaleiros, destacou-se o tradicional preto dos mandingas misturado com as cores azul, vermelho e branco da bandeira nacional.
Crianças, adultos e idosos juntaram-se à manifestação cultural, reafirmando uma tradição são-vicentina que anuncia e encerra a festa do Rei Momo na ilha.
Entre os participantes assíduos estão Carina Mascarenhas e Irina Delgado, que à Inforpress confirmaram as saudades sentidas da vibração característica dos desfiles.
“É uma emoção indescritível, só estando aqui dentro é que se sente”, afirmou Carina Mascarenhas, destacando a homenagem à selecção nacional e a saída dos mandingas logo após as festas de fim de ano.
No próximo domingo, os homens e mulheres de preto voltam a sair às ruas de São Vicente, num arrastar de multidões que se prolonga até 22 de Fevereiro.
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