“Fico emocionado por ter sido escolhido como primeiro laureado do Prémio Amílcar Cabral da Universidade de Cabo Verde, a ser conferido a 26 de Janeiro”, escreveu Carlos Lopes na sua página da rede social Facebook.
O acto de homenagem realiza-se no Centro de Convenções da universidade pública, que reconhece Carlos Lopes como uma das “mais destacadas personalidades do pensamento académico e político contemporâneo do Sul Global”.
Paralelamente à cerimónia, o homenageado vai proferir uma conferência intitulada “A África e o fim das certezas multilaterais”, na qual abordará os desafios contemporâneos do continente africano, num contexto internacional marcado por “profundas transformações geopolíticas, económicas e institucionais”.
Para o reitor da Uni-CV, Arlindo Barreto, a conferência promete fomentar um debate qualificado sobre os caminhos possíveis para a afirmação africana no sistema global e para a construção de modelos de desenvolvimento mais equitativos e sustentáveis.
A distinção, acrescenta a nota da Uni-CV, reconhece o “notável contributo intelectual” de Carlos Lopes, bem como a relevância do seu pensamento crítico na promoção da consciência emancipatória das sociedades do Sul Global, com impacto duradouro nos domínios do desenvolvimento, da justiça social e da governação global.
Criado pela Uni-CV, o Prémio Amílcar Cabral destina-se a distinguir personalidades e instituições cuja acção académica, científica, cultural ou política se revele excepcional na promoção de valores universais como a liberdade, a justiça social, a solidariedade e a dignidade humana.
O prémio inspira-se no legado intelectual e político de Amílcar Cabral, “figura maior” da história contemporânea africana e “referência incontornável do pensamento crítico, da ética do conhecimento e da luta pela autonomia e autodeterminação” dos povos.
A criação do prémio, lê-se na nota, representa um acto de elevado significado simbólico e académico, alinhado com a missão estratégica da Uni-CV de promover a produção e transmissão do conhecimento, o desenvolvimento humano e a construção de sociedades mais justas, inclusivas e sustentáveis.
O Regulamento da Primeira Edição foi aprovado pelo reitor da Uni-CV, Arlindo Barreto, após um processo de auscultação que envolveu ex-reitores da instituição, a Fundação Amílcar Cabral e os familiares do ilustre pensador.
Carlos Lopes nasceu a 07 de Março de 1960 em Canchungo, Guiné-Bissau.
Fez os estudos secundários na capital guineense e, mais tarde, seguiu para Suíça, onde obteve o mestrado no Instituto Universitário de Altos Estudos Internacionais.
Posteriormente, fez o doutoramento na Universidade Panthéon-Sorbonne em Paris (França), focando a sua investigação em África e o seu desenvolvimento.
Começou a trabalhar no sector público de seu país em áreas de investigação, diplomacia e planeamento.
A partir de 1988, Lopes incorporou-se como economista ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), ocupando vários postos, entre eles, o de Director Anexo do Escritório de Avaliação, o de Representante Residente em Zimbábue e, em 2003, de representante do PNUD no Brasil.
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