Numa nota enviada, a Harmonia relata que o tema usa a metáfora do futebol para retratar como decisões impulsivas e falhas emocionais acabam por prejudicar ambos os lados, transformando o amor num jogo empatado, onde ninguém vence.
Com a sensibilidade e franqueza habitual, Elida Almeida canta a dor de um afastamento construído por erros mútuos e silêncios, refletindo sobre perdas que poderiam ter sido evitadas.
Em relação ao novo disco, “Spedju”, a mesma fonte indica que afirma-se como um espelho íntimo e simbólico que reflete, simultaneamente, a sua relação com a recente maternidade e o tempo de gestação, não apenas de uma vida, mas também de uma obra artística.
“Enquanto gerava um filho, Elida Almeida gerava também este disco, num processo paralelo de criação, transformação e revelação. O espelho surge como companheiro real e metafórico, testemunha silenciosa das mudanças do corpo, das inquietações do futuro, das incógnitas e dos receios assumidos”, aponta.
Segundo a Harmonia, “Spedju” é um olhar profundo para dentro, um atravessar dos reflexos no tempo, onde a artista se permite ver e mostrar, sem filtros. “Nesse percurso, o tema “Dôdu” encoraja o autoconhecimento livre de padrões e julgamentos, convidando ao exercício de ser exatamente quem se é”.
O álbum é maioritariamente de autoria de Elida Almeida, à exceção de “Kumbosa” (batuque) e “Baka Brabu” (funaná)a sua versão de um tema que a transporta ao aconchego das memórias da infância, reafirmando a ligação às raízes e à herança cultural.
A mesma fonte sublinha que, ao longo do disco, surgem fragmentos súbitos da sua vivência pessoal e dos desafios da convivência. Em particular, a relação entre pais e filhos ganha destaque no tema “Daddy”, que evidencia a importância da presença masculina, a figura do pai na vida das crianças, uma ausência sentida por Elida ao longo da sua própria história e aqui assumida com clareza e emoção.
No tema “Funa Ku Nana” apresenta-se como um funakousque exprime a origem do género funaná, evocando o percurso histórico marcado pela escravatura que levou às composições de protesto que serviam de alento à dor colectiva.
Já “Mentira” é um dueto há muito desejado, com Grace Évora, desenha-se um retrato do quotidiano conjugal, num diálogo intenso entre um casal, onde acusações mútuas revelam os desencontros e fragilidades da relação.
Em “Nka Ta Pasa” celebra o espírito resiliente da mulher cabo-verdiana, captando a energia vibrante dos mercados locais, palcos vivos de encontros, dramas e acontecimentos diários que espelham a realidade social de Cabo Verde.
"Uma vivência tem também uma raiz profundamente pessoal, a mãe de Elida Almeida, foi vendedora em mercados, tendo a artista crescido nesse ambiente pulsante, entre vozes, ritmos e histórias, absorvendo desde cedo a força, a solidariedade e a luta quotidiana que hoje se refletem na sua música", relata.
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