Apesar da percepção crescente de que há mais jovens a consumir álcool nas festas e nas ruas da Praia, os dados oficiais das alfândegas apontam em sentido inverso. Entre 2021 e 2025, a importação de cerveja na capital caiu de seis milhões para 3,6 milhões de litros, enquanto no Mindelo os vinhos também registaram uma diminuição. A tendência acompanha o que se observa a nível internacional, onde o consumo de bebidas alcoólicas entre jovens da Geração Z recuou cerca de 10%, levantando novas interrogações sobre comportamentos, políticas públicas e a forma como o fenómeno é percepcionado socialmente.
Outro grande destaque da edição é a entrevista a José Clastornik, consultor do Projecto Cabo Verde Digital e uma das figuras centrais da transformação digital do Estado uruguaio. Com uma longa carreira ligada ao desenvolvimento de políticas públicas digitais e ao governo electrónico, Clastornik esteve recentemente em Cabo Verde para participar na conferência “Pensar Digital. Nação Digital”. Ao Expresso das Ilhas, explicou como se processou a digitalização no Uruguai e defendeu que esse percurso nasceu menos da tecnologia e mais de uma decisão política clara: usar o digital como instrumento de equidade. Essa ideia atravessa toda a entrevista, onde o responsável detalha como foi construída uma estratégia sustentável, capaz de sobreviver a mudanças de governo, colocar os cidadãos no centro das políticas públicas, reforçar a democracia e reduzir desigualdades, sem ignorar riscos como a exclusão digital, a protecção dos dados pessoais, a cibercriminalidade e os desafios colocados pela inteligência artificial.
Nos outros temas em destaque, o jornal noticia a publicação de um novo despacho do Ministério da Administração Interna que vem rectificar uma decisão anterior sobre a lista de países cujos cidadãos necessitam de visto para entrar em Cabo Verde, introduzindo clarificações relevantes para a gestão das fronteiras nacionais.
No plano económico, Cabo Verde recebe um sinal positivo das agências internacionais. A Standard & Poor’s melhorou o ‘rating’ soberano do país para B+, atribuindo-lhe uma perspectiva positiva, numa avaliação que reconhece os progressos alcançados ao nível fiscal e externo.
A actualidade política é marcada pela divulgação do Índice de Percepção da Corrupção 2025, da Transparência Internacional, no qual Cabo Verde surge como o país mais bem classificado da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. O resultado é saudado pelo MpD como confirmação do rumo seguido, enquanto a UCID reconhece os avanços mas defende uma análise mais aprofundada dos critérios utilizados. Já o PAICV relativiza a posição alcançada, sublinhando que uma boa classificação nem sempre se traduz em melhorias concretas nas condições de vida da população.
A cultura fecha os destaques desta edição com o lançamento do livro A Transição Democrática em Cabo Verde – Uma Perspectiva Crítica. A obra reúne textos de seis autores que estiveram directamente envolvidos na luta contra o regime de partido único e na construção da democracia pluralista no período de 1990/91, como explica José Tomaz Veiga, organizador do livro. O lançamento acontece no dia 13 de Fevereiro, às 17 horas, na Biblioteca Nacional, com apresentação a cargo do académico e cientista político Leão de Pina.
A ler, igualmente, os artigos de opinião ‘Proteger Cabo Verde é um dever patriótico’ escrito por Luís Carlos Silva; e ‘A música do Carnaval de S. Vicente não é cópia do samba carioca’ da autoria de César Monteiro.
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