Edição 1263

PorExpresso das Ilhas,11 fev 2026 0:00

A edição desta semana do Expresso das Ilhas abre com um retrato que desafia ideias feitas sobre os hábitos de consumo em Cabo Verde.

Apesar da percepção crescente de que há mais jovens a consumir álcool nas festas e nas ruas da Praia, os dados oficiais das alfândegas apontam em sentido inverso. Entre 2021 e 2025, a importação de cerveja na capital caiu de seis milhões para 3,6 milhões de litros, enquanto no Mindelo os vinhos também registaram uma diminuição. A tendência acompanha o que se observa a nível internacional, onde o consumo de bebidas alcoólicas entre jovens da Geração Z recuou cerca de 10%, levantando novas interrogações sobre comportamentos, políticas públicas e a forma como o fenómeno é percepcionado socialmente.

Outro grande destaque da edição é a entrevista a José Clastornik, consultor do Projecto Cabo Verde Digital e uma das figuras centrais da transformação digital do Estado uruguaio. Com uma longa carreira ligada ao desenvolvimento de políticas públicas digitais e ao governo electrónico, Clastornik esteve recentemente em Cabo Verde para participar na conferência “Pensar Digital. Nação Digital”. Ao Expresso das Ilhas, explicou como se processou a digitalização no Uruguai e defendeu que esse percurso nasceu menos da tecnologia e mais de uma decisão política clara: usar o digital como instrumento de equidade. Essa ideia atravessa toda a entrevista, onde o responsável detalha como foi construída uma estratégia sustentável, capaz de sobreviver a mudanças de governo, colocar os cidadãos no centro das políticas públicas, reforçar a democracia e reduzir desigualdades, sem ignorar riscos como a exclusão digital, a protecção dos dados pessoais, a cibercriminalidade e os desafios colocados pela inteligência artificial.

Nos outros temas em destaque, o jornal noticia a publicação de um novo despacho do Ministério da Administração Interna que vem rectificar uma decisão anterior sobre a lista de países cujos cidadãos necessitam de visto para entrar em Cabo Verde, introduzindo clarificações relevantes para a gestão das fronteiras nacionais.

No plano económico, Cabo Verde recebe um sinal positivo das agências internacionais. A Standard & Poor’s melhorou o ‘rating’ soberano do país para B+, atribuindo-lhe uma perspectiva positiva, numa avaliação que reconhece os progressos alcançados ao nível fiscal e externo.

A actualidade política é marcada pela divulgação do Índice de Percepção da Corrupção 2025, da Transparência Internacional, no qual Cabo Verde surge como o país mais bem classificado da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. O resultado é saudado pelo MpD como confirmação do rumo seguido, enquanto a UCID reconhece os avanços mas defende uma análise mais aprofundada dos critérios utilizados. Já o PAICV relativiza a posição alcançada, sublinhando que uma boa classificação nem sempre se traduz em melhorias concretas nas condições de vida da população.

A cultura fecha os destaques desta edição com o lançamento do livro A Transição Democrática em Cabo Verde – Uma Perspectiva Crítica. A obra reúne textos de seis autores que estiveram directamente envolvidos na luta contra o regime de partido único e na construção da democracia pluralista no período de 1990/91, como explica José Tomaz Veiga, organizador do livro. O lançamento acontece no dia 13 de Fevereiro, às 17 horas, na Biblioteca Nacional, com apresentação a cargo do académico e cientista político Leão de Pina.

A ler, igualmente, os artigos de opinião ‘Proteger Cabo Verde é um dever patriótico’ escrito por Luís Carlos Silva; e ‘A música do Carnaval de S. Vicente não é cópia do samba carioca’ da autoria de César Monteiro.

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Autoria:Expresso das Ilhas,11 fev 2026 0:00

Editado porAndre Amaral  em  11 fev 2026 0:02

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