Danny Spínola, um amante das letras e da pintura

PorDulcina Mendes,1 mar 2026 16:02

Desde muito cedo, começou a ganhar o gosto pela leitura, lendo muitos livros que o pai tinha em casa. No ano passado, celebrou os seus 35 anos de carreira, com um total de 43 obras publicadas. Para este ano, Danny Spínola tem mais livros para publicar e exposições para mostrar.

Natural de Assomada, Danny Spínola é escritor, pintor e presidente da Sociedade Cabo-verdiana de Autores (SOCA), e membro fundador da Associação de Escritores, sendo membro da direcção em cinco mandatos. É ainda um dos integrantes do núcleo fundador da Academia Cabo-verdiana de Letras, sendo, neste momento, vice-presidente e director executivo desta mesma Academia.

Danny Spínola, de nome próprio Daniel Rodrigues Spínola, disse, numa entrevista ao Expresso das Ilhas, que, para este ano, está a preparar o lançamento de mais três livros e uma nova exposição de pintura, reafirmando uma trajectória marcada pela versatilidade e inovação.

Spínola conta que o seu gosto pelas letras nasceu cedo. “O meu pai tinha uma biblioteca e eu lia de tudo. Depois, em Assomada, fazíamos muita troca de livros. Comecei a ler grandes romances muito cedo e isso incentivou-me a escrever”, recorda.

Ainda no ciclo preparatório, disse que se destacava nas redações escolares, onde descobriu o prazer pela escrita.

“Na adolescência, começou a produzir textos com regularidade e, mais tarde, envolveu-se em programas juvenis na JAAC-CV. Antes mesmo de concluir a sua formação superior, foi convidado a leccionar, mas acabou por enveredar pela comunicação social, trabalhando primeiro na rádio e depois na Televisão de Cabo Verde, onde produziu diversos programas culturais”, assegura.

Entre os projectos televisivos, Spínola destaca “Arte e Cultura”, “Nos Identidadi”, este último dedicado à música tradicional e às manifestações culturais populares. “Finason di Konbersu”, “Kabu Verdi Magazine” e “Letras Vivas” são outros programas televisivos que apresentou.

Livros

O escritor realçou que, em 1991, lançou simultaneamente duas obras: “Lágrimas de Bronze”, em língua portuguesa, e “Na Kantar di Sol”, em língua cabo-verdiana. “A primeira foi definida como ficção, num formato que o autor considera inovador, por fugir às classificações tradicionais de romance ou conto.”

O lançamento foi também inédito no país, em que o autor convidou quatro pessoas para apresentar a obra, num modelo que viria a repetir ao longo da sua carreira.

Foi ainda cofundador da Spínola Edições, criada com mais quatro parceiros, através da qual editou obras próprias e de outros autores.

Licenciado em Língua e Cultura Portuguesa, Spínola revelou que desenvolveu também uma vertente ensaística e crítica, com análises literárias e trilogias dedicadas às manifestações culturais tradicionais, à música e à literatura cabo-verdiana. Publicou ainda estudos sobre artes plásticas, área em que prepara novas compilações.

Ao longo da sua carreira, Spínola revela que publicou diversas trilogias, entre elas “Angra Sagrada”, “Angra Divina” e “Angra Onírica”. As duas últimas foram reunidas na obra “Angra Eterna”, numa homenagem simbólica às 33 publicações e aos 33 anos dedicados à escrita.

Posteriormente, atingiu as 39 edições, incluindo “Eclesiásticos – o Paraíso do Inferno”. Com mais quatro obras inéditas, o total subiu para 43, revelando um aumento significativo do ritmo de publicação na fase madura da sua carreira.

Novos lançamentos

Spínola afirma que, para o mês de Março, prepara dois momentos culturais na Cidade da Praia, na Academia Cabo-verdiana de Letras. “No dia 6, será inaugurada a exposição de pintura “Vernissage”, que ficará patente durante uma semana.

No dia 13, o escritor lançará três novas obras: 'Tempos Lúcidos' (contos), ´O Guardião das Cidades Alucinadas´ (romance com traços pós-modernos) e 'Plenilunio' (poesia), caso a obra 'ReminEssência', uma biografia ficcional, não chegue a tempo da gráfica”.

A apresentação incluirá ainda a projecção em vídeo de nove obras recentemente editadas. O autor mantém o conceito que tem marcado os seus lançamentos: associar três livros a três exposições, em diferentes espaços e com estilos distintos.

Pintura

O escritor e jornalista relatou que se iniciou na pintura ao mesmo tempo que começou na escrita, ainda no ciclo preparatório. “Sempre lanço os livros acompanhados de pintura, que têm em geral o título dos livros. As exposições têm título dos livros. Nesta linha da pintura, tenho o meu conceito, até comecei com X Posições, que é mostrar três exposições, era um título que dei a uma das minhas exposições”.

Spínola conta que já expôs em universidades na Áustria e em Portugal, bem como em vários espaços culturais de Cabo Verde, entre os quais o Palácio da Cultura Ildo Lobo e o Centro Cultural Português.

A próxima exposição terá como título “As invisíveis cores dos meus hinos e do meu infinito”, nome que também dará a uma compilação da sua obra poética.

Conforme o autor, o universo e a dimensão mística são elementos recorrentes na sua criação, que define como um exercício profundo da alma. “Acho que há algo em um e outro, que tento fazer. Falo muito do cosmos, do universo. E tudo isso está plasmado nos meus poemas, mas também na minha pintura”.

O autor sublinhou que desenvolveu mais o conceito da sua pintura e da sua poesia, dizendo que os seus pincéis são palavras ou as suas palavras são cores.

“É uma coisa que estou a desenvolver, acho que são coisas que estou a fazer que me dão uma certa satisfação, ter esse tipo de criação, não fazer as coisas corriqueiras ou simplesmente fazer as coisas por fazer, mas faço sempre com muita alma. Digo que quando pinto lanço a alma por dentro de mim, porque a alma está dentro, mas digo que a alma está por dentro, porque é algo do meu íntimo”, refere.

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1265 de 25 de Fevereiro de 2026.

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Autoria:Dulcina Mendes,1 mar 2026 16:02

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  1 mar 2026 16:03

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