Segundo o BO, a concessão desta pensão representa um acto de justiça social, solidariedade nacional e reconhecimento institucional a um artista que dedicou a sua vida à promoção da cultura cabo-verdiana e que neste momento particularmente difícil, necessita de amparo do país que tão dignamente representou.
“Desde de 2025, Bino Branco encontra-se a enfrentar uma grave doença oncológica, encontrando-se em tratamento nos Estados Unidos da América. Em consequência do seu estado de saúde, viu-se impossibilitado de exercer a sua actividade profissional e artística, principal fonte de sustento ao longo da sua vida. Esta situação resultou numa redução total da sua capacidade financeira e na impossibilidade de gerar rendimentos para fazer face às despesas inerentes ao tratamento médico, à sua subsistência e ao bem-estar da sua família”, justifica.
A mesma fonte sublinha que perante esta realidade, considera-se plenamente justificada a atribuição de uma pensão especial ou um apoio social extraordinário por parte do Estado de Cabo Verde, “não apenas em razão da sua actual condição de saúde e vulnerabilidade económica, mas também como reconhecimento pelos relevantes serviços prestados à cultura nacional e pela contribuição inestimável que deu à valorização e divulgação da identidade Cabo-verdiana ao longo da sua carreira”.
Bino Branco é um intérprete, compositor e instrumentista cabo-verdiano, reconhecido como uma das figuras mais importantes do funaná contemporâneo. A sua carreira está intimamente ligada ao grupo Ferro Gaita, do qual é membro fundador e um dos principais vocalistas.
O músico tornou-se conhecido pela sua voz marcante e pela execução do ferrinho (ou ferro), instrumento tradicional que, juntamente com a gaita (acordeão diatónico), constitui a base sonora do funaná. A sua imagem tornou-se tão associada ao instrumento que é frequentemente utilizada como referência quando se fala do ferrinho na música cabo-verdiana.
O mesmo participou em diversos grupos musicais juvenis, sendo o mais conhecido o Grupo Djassy, onde era o vocalista principal. Após a dissolução do grupo em 1991, o mesmo foi viver na ilha Brava, onde era presença assídua nas noites cabo-verdianas.
Em 1996, na Cidade da Praia, Bino Branco juntou-se a Estevão Tavares e outros músicos para criar o Ferro Gaita. O objectivo era recuperar a sonoridade tradicional do funaná, devolvendo protagonismo ao ferrinho e à gaita numa época em que os teclados dominavam o género.
O primeiro álbum do grupo, “Fundu Baxu” em 1997, tornou-se um enorme sucesso em Cabo Verde e na diáspora cabo-verdiana, marcando o início de uma verdadeira revitalização do funaná tradicional.
Ao longo de mais de três décadas de carreira, Bino Branco ajudou a transformar o Ferro Gaita numa das bandas mais influentes da história da música cabo-verdiana. O grupo realizou digressões internacionais pela Europa, África e América, levando o funaná a novos públicos e contribuindo para a valorização da identidade cultural cabo-verdiana.
O mesmo gravou sete álbuns originais com o grupo Ferro Gaita. Além do trabalho com o Ferro Gaita, Bino Branco participou em colaborações com diversos artistas cabo-verdianos, gravou um álbum a solo e continuou a promover os ritmos tradicionais de Santiago.
Bino Branco é considerado um dos grandes embaixadores do funaná moderno. Através da sua voz, do ferrinho e do trabalho desenvolvido com o Ferro Gaita, contribuiu decisivamente para que um género musical tradicional da ilha de Santiago se tornasse um símbolo nacional de Cabo Verde e ganhasse reconhecimento internacional como uma das principais expressões culturais do país.
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